sábado, 31 de dezembro de 2016

O CONTO DO TIÃO


Realmente 2016 ficará para história. Um ano de muitas jogadas políticas que ficarão na memória do povo, foi ano de um golpe político, impulsionado por uma farsa política que levou o que há de pior na política nacional, a governar o país para aplicar um profundo plano de retiradas de direitos.
A nível local 2016 também está marcando os marabaenses. Muitos estão supressos com a renúncia de Tião Miranda como algo inesperado, no entanto, já vínhamos escutando a algum tempo que existia esta intenção. Durante a campanha escutei várias vezes “Tião vem para ganhar, mas quem vai assumir será o Toni”, isso dito por pessoas próximas de Tião, e não foram poucas vezes. Bem, como ser humanos que somos, estamos suscetíveis a enfermidades. Assim devemos ser respeitosos com o estado de saúde de Tião Miranda. Mas isso, não significa que deixaremos de fazer a análise necessária dos fatos.
Na política não há inocentes, há princípios, estratégias e táticas para se disputar o poder. E para alguns, todas as táticas são possíveis, independente se afeta negativamente a vida da maioria das pessoas. Creio que talvez a tática da renúncia não estava em primeira mão, de forma clara, mas poderia ser utilizada e foi.
A renúncia se encaixa muito bem. Primeiro, para o próprio Tião, que continuará sendo deputado estadual, não sairá do círculo do poder e assegurará a sua reeleição em 2018, contando com o apoio da máquina administrativa local. Segundo, o grupo de Tião voltará ao poder, sob nova liderança, sem Tião candidato a prefeito não teriam condições de ganhar. Assim, a renúncia sempre esteve posta, tanto é verdade, que seu gabinete na ALEPA não foi desmontado.
O cenário político no país é de instabilidade combinada com uma crise econômica que tem suas repercussões nos municípios. Marabá, além de refletir esta crise, soma-se a desastrosa gestão de João Salame que multiplicou a instabilidade política e econômica no município, tendo como uma das consequências o atraso no pagamento dos servidores municipais, sucateamento da saúde e etc. A renúncia será mais um elemento de instabilidade, gerando desconfiança na população e descrédito nos políticos de carreira.
A caracterização que já tínhamos durante a campanha do que seria a Gestão Tião Miranda, o vice Toni Cunha irá assumir. Uma gestão com perfil conservador que aposta na redução de direitos a exemplo do que vem sendo aplicado por Temer e por Jatene no Pará, tendo na sua base concepções privatistas.
Para concluir, caracterizo como um estelionato eleitoral o que acontece hoje em Marabá. Mesmo sabendo que é uma chapa formada por duas pessoas, o povo vota no titular da chapa, pois é quem expressa e personifica durante a campanha um programa. Tanto é verdade, que se Tião não viesse candidato talvez teríamos mais candidatos e grandes possibilidades de debates entre os candidatos. A grande questão é: se Tião já avaliava que não poderia assumir por que se lançou candidato? Espero sinceramente que melhore de saúde, mas repudio com veemência a irresponsabilidade e o desrespeito com que trata o povo de Marabá, não podemos aceitar como algo natural esse jogo político que brinca com os anseios e esperança de toda uma população, isso não é normal, tão pouco é honesto.

Rigler Aragão - Ex candidato a prefeito de Marabá pelo PSOL

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