quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Nota de repúdio à ação da mineradora Vale em apresentar queixa crime contra o professor Evandro Medeiros



Qua, 09 de nov de 2016

O Sindicato dos Docentes da Universidade Federal do Sul e do Sudeste do Pará – SINDUNIFESSPA – vem por meio desta nota, tornar público seu repúdio à ação da mineradora Vale em apresentar queixa crime contra Evandro Medeiros, professor desta instituição.
No dia 20 de novembro de 2015, um grupo de cerca de 30 pessoas realizou um protesto aqui em Marabá, levando para o trilho da Estrada de Ferro Carajás, cartazes pintados à mão em solidariedade às vítimas do desastre de Mariana, que alguns dias antes, acarretou na devastação de toda a bacia hidrográfica do rio Doce à jusante da barragem de rejeitos que rompeu, operada pela mineradora Samarco, controlada pela mineradora Vale e pela BHP Billiton.
O ato durou pouco menos de uma hora, embora sua importância enquanto ação político pedagógica não deva ser subestimada, diante da participação de estudantes, professores e militantes de movimentos sociais que, para além de manifestar de forma legítima sua indignação contra a irresponsabilidade de uma empresa, construíram também um espaço para empreender o imprescindível debate sobre aquele que foi o maior desastre socioambiental da história deste país. Entre os manifestantes, encontravam-se muitos de nós, docentes desta universidade, e também Evandro Medeiros, cuja contribuição à construção de uma universidade pública, gratuita, de qualidade e que reflita sobre os problemas de nossa sociedade e apresente soluções para os mesmos, é inquestionável.
Evandro não é um criminoso! A Vale, controladora da mineradora que protagonizou a catástrofe, por sua vez, deveria ser criteriosamente investigada pelos inúmeros crimes ambientais decorrentes do rompimento da barragem, cujas evidências saltam aos olhos de quem quer que tenha a triste oportunidade de descer este importante rio brasileiro até a sua foz.
Além disso, as atividades da Vale impactam de forma negativa, direta ou indiretamente, a vida de pessoas em inúmeras comunidades ao longo do percurso da ferrovia em que o ato foi realizado e no entorno das áreas de mineração no estado do Pará, como pesquisas que vêm sendo desenvolvidas por professores e estudantes da UNIFESSPA e de outras instituições de ensino e pesquisa apontam recorrentemente.
Por fim, a Vale mantém barragens de rejeitos em nossa região, motivo pelo qual não podemos nos furtar a discutir sobre os riscos envolvidos e chamar a atenção da sociedade para os mesmos através de todos os meios disponíveis, aí incluídos atos e manifestações públicas.
Em decorrência, exigimos, enquanto categoria, que a Vale respeite o direito democrático dos cidadãos de expressar suas opiniões, principalmente em relação a incidentes como o de Mariana, cujos impactos de toda ordem chegam perto do incomensurável.
SINDUNIFESSPA
Gestão “Renovação e Luta”

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