quarta-feira, 7 de setembro de 2016

UM FASCISTA PARA CUIDAR DE MANIFESTAÇÕES


Eu não estou surpreso ao descobrir que o tenente-coronel Henrique Motta, o comandante de operações da Polícia Militar do Estado de São Paulo que é responsável pelo policiamento nas últimas manifestações, espalha nas suas redes sociais o mais caricato fascismo. Não me surpreende, nem mesmo, o fato dele ter compartilhado uma foto adulterada minha com afirmação que nunca fiz - o que certamente vai lhe render uma queixa-crime feita por minha equipe.
Henrique é um legítimo representante desses nomes que povoam caixas de comentários e páginas de Facebook com frases chocantes e especialmente perversas contra minorias políticas. Na sua conta pessoal, além da mentira sobre eu ter prometido em algum momento sair do país, ele também defende que uma jovem que perdeu a visão em decorrência de bombas atiradas pela polícia sobre manifestantes "colheu o que plantou". Em outra postagem, símbolos de esquerda estão tatuados em animais selvagens que são apanhados por aves de rapina.
O tenente-coronel não lidera uma selvageria de sua tropa contra jovens manifestantes por coincidência, nem menos porque supostos black blocs atiçam a violência. Devemos deixar claro que ele faz isso somente porque reproduz no cargo de comandante exatamente aquilo que diz pela internet. Ou seja, o ódio contra pessoas de esquerda. Aliás, contra tudo que não é o seu pensamento político ultra-conservador. E ele deixa isso escancarado o suficiente nas redes sociais para que sirva de propaganda a outros que eventualmente estejam em dúvida sobre o direito de agredir pessoas só porque utilizam uma camiseta vermelha.
Em situação semelhante, alguém ponderado diria que o governador deveria afastar um militante político tão radical da chefia de operações cuja obrigação principal é garantir a segurança das pessoas que ele diz odiar. Mas não é o caso. Ao que parece, na disputa rasteira pelo poder vale até apostar na violência como alternativa. Como se estivesse surfando no cenário de polarização política, Henrique Motta se sente à vontade para realizar os absurdos da sua página de Facebook através da polícia que deveria proteger a população.
Chamo atenção que este caso não é isolado! Ou nos conscientizamos de que os cargos públicos devem ser exercidos somente por aqueles que compreendem e respeitam a diversidade que existe na população ou continuaremos sendo massacrados pela loucura de quem elegeu um único pensamento que pode ser aceito pelo estado.

Por Jean Wyllys

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