segunda-feira, 25 de julho de 2016

Dias piores virão: PM do Pará se especializa na repressão aos movimentos sociais

                                                                                  por Paulo Fonteles Filho


O Governo do Pará, através da Secretária de Segurança Pública, promove entre setembro/outubro do corrente ano o I Curso de Intervenções Estratégicas em Movimentos Sociais.
O objetivo geral do curso versará na habilitação técnica no emprego de ações preventivas e repressivas aos movimentos sociais na atualidade.

Segundo a Agência Pará e o site da PM, oficiais militares paraenses participaram, em fevereiro passado, de curso dessa natureza em Minas Gerais. O evento, realizado em Belo Horizonte, foi um treinamento voltado para eventos relacionados às atividades de controle de distúrbios cujo objetivo é capacitar o policial militar no sentido de dar respostas em incidentes críticos que envolvam conflitos sociais.

Na opinião do capitão do Batalhão de Choque, João Silva Jr., que participou do curso, revela como o atual governo vê a luta organizada do povo: "Em janeiro fui indicado junto com um sargento da Rotam para fazer o curso de intervenções policiais em movimentos sociais, que para nós é muito importante. Agora queremos trazer esse curso para Belém, para ensinar nossos policiais a atuar melhor nessas frentes. Além disso, queremos promover o curso de operações químicas, que vai capacitar o militar a manusear as tecnologias de baixa letalidade".

Belém, a capital dos paraenses, ocupa a segunda posição no ranking da violência no Brasil quando se considera a taxa de homicídio por 100 mil habitantes. Os dados, de 2007, indicavam 39,7% e provavelmente se agigantaram nos últimos anos. E são os movimentos sociais que merecem um especializado curso do Batalhão de Choque da PM do Pará?

Os movimentos sociais são legítimos e fundamentais para o vigor da democracia e para o Estado Democrático de Direito e tê-los como inimigo à ser enfrentado, inclusive com armas químicas, é mais um efeito colateral do golpe em curso, que vê no povo um adversário a ser derrotado, típica visão autoritária que se impôs ao país pela quartelada de 1964 e que ganha força com o usurpador Temer no poder.

A Comissão de Direitos Humanos da Alepa, em conjunto com o MST, SDDH, OAB, Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos e os partidos de esquerda precisam reagir à visão, já institucionalizada, de criminalização dos movimentos sociais.

Nenhum comentário: