sexta-feira, 29 de abril de 2016

Ele não está sozinho!

Movimentos sociais, estudantes, técnicos e professores da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) devem fazer um grande ato público em frente ao prédio do Poder Judiciário local no próximo dia 5, às 9 horas da manhã, que é quando o professor Evandro Medeiros, da Unifesspa, prestará depoimento por ter sido acusado de uso indevido das próprias razões, durante manifesto ocorrido em 20 de novembro do ano passado, em solidariedade aos atingidos pela tragédia de Mariana (MG).
Em carta apresentada durante assembleia universitária ontem (25) e que será distribuída para assinatura até o dia da audiência, os professores, estudantes e técnicos da Unifesspa lembram que entre os diversos pontos que integram o estatuto pro tempore da instituição, com objetivo de nortear sua atuação, está a defesa dos direitos humanos e a preservação do meio ambiente, sendo este um dos princípios institucionais (Conforme o art. 2º, VIII, Resolução n.º 17 de 29/10/2015-CONSUN).
“Diante disso, todos os sujeitos que integram a universidade têm obrigação – cada um dentro de sua esfera de atuação – de se integrar às dinâmicas sociais locais, contribuindo na resolução de problemas, seja por meio de pesquisas científicas, seja por intervenções, dando concretude ao tripé de qualquer instituição de ensino superior, que é ensino, pesquisa e extensão”, diz trecho do manifesto.
Ainda segundo o documento, foi pautado nessa visão e a partir desse compromisso, que o professor Evandro Medeiros, junto com estudantes, outros servidores da Unifesspa e moradores que vivem nas margens da Estrada de Ferro Carajás (EFC), em Marabá, participaram, em novembro do ano passado, de ato em solidariedade aos moradores de Mariana (MG), que foi arrasada pelo rompimento de barragem de rejeitos da Samarco/Vale naquele mesmo mês, causando prejuízo ambiental e social incalculável.
Durante o ato, realizado ao lado dos trilhos da Ferrovia Carajás, ocorreram atividades que estimularam a criação cultural e o desenvolvimento do pensamento crítico e reflexivo, tanto entre os estudantes quanto entre os professores e os próprios moradores que vivem naquela localidade, conforme dispõe o Artigo 3º do estatuto pro tempore da Unifesspa.
Por outro lado, durante todo o tempo em que aconteceu o ato em solidariedade aos moradores de Mariana, não houve ações violentas e tampouco risco à segurança ferroviária. “Ou seja, não há motivo para denunciar o professor Evandro Medeiros ou qualquer outro manifestante por crime algum. Trata-se de uma medida desproporcional tomada pela Vale, que parece mais buscar – via poder judiciário – um mecanismo de intimidação não apenas ao professor, mas a todos que se manifestarem contra os interesses da mineradora”, diz a carta.
“Diante do exposto, os professores, técnicos e estudantes da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) ratificam seu compromisso social, moral e estatutário de envolvimento nos problemas enfrentados pelos moradores desta região, sobretudo os mais pobres, e repudiam a ação judicial movida pela mineradora Vale contra o professor Evandro Medeiros e ainda se solidarizam com este e convidam todos a participar de grande ato público em frente à sede do Poder Judiciário local no próximo dia 5 de maio, a partir das 9 horas da manhã, que é quando o professor Evandro será ouvido pelas autoridades judiciais sobre as acusações imputadas contra ele pela Mineradora Vale”, convoca.
Da mesma forma, também, os professores, técnicos e estudantes da Unifesspa se solidarizam com os cidadãos Tiago Cruz, Iara Reis, João Reis, Waldy Gonçalves Neves e demais manifestantes do Bairro Alzira Mutran, que são alvos de inquéritos da Polícia Civil, por se organizarem para lutar por seus direitos.
A Assessoria de Comunicação da Vale não se pronunciou sobre o assunto

Fonte  sitio Marabá Noticias - Texto Chagas Filho

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