sexta-feira, 29 de abril de 2016

Anastasia na corda bamba

O relator do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), anda em saia justa pelos corredores do Planalto.
É que ele foi governador das Minas Gerais e, como default (se vocês souberam de algum que não fez, avisem para canonizarmos), praticou as malsinadas pedaladas fiscais, pelas quais a presidente Dilma está em vias de perder o mandato, ou seja, o senador Anastasia vai propor condenação por um “crime” que ele também cometeu.
Além das pedaladas fiscais, Anastasia cometeu outro ato de improbidade pelo qual a presidente Dilma é acusada, e que todos os prefeitos e governadores são useiros e vezeiros em praticar: abriu créditos suplementares além do autorizado pelo Legislativo na Lei de Orçamento.
Pelo costume do cachimbo, os chefes do Poder Executivo fazem isso e depois enviam projeto de lei para o Poder Legislativo para remediar o alcance, pois confiam que a base parlamentar vai aprovar o remendo. a boca da presidente Dilma só entortou porque ela não esfarelou bem o tabaco.
Diante das acusações, feitas por deputados estaduais mineiros, Anastasia apelou para o cinismo:
"Eu não sou mais governador de Minas há dois anos. O que está em discussão aqui não é a minha atuação, mas a acusação contra a presidente".
Do ponto de vista puramente mecânico o senador tem toda a razão: quem está nas barras é a presidente e não ele. E já que as águas dele são pretéritas, moinhos não movem mais.
Todavia, se ele fosse um homem moralmente previdente, dever-se-ia abster de apontar fedor em uma lama na qual ele mesmo chafurdou. ( blog do Parsifal)

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