terça-feira, 22 de março de 2016

Senadinho

Um Senado de muitas vozes
22/03/2016 - 08:28
Grupo de amigos se reúne aos finais de semana desde a década de 1990 para discutir de tudo: até política
Um chega a pé, senta no banco da praça e aguarda silente. Outro se aproxima minutos depois e começa um diálogo que ganha vozes múltiplas em pouco tempo, com a chegada de vários amigos. Assim é o ritual do Senadinho, um grupo informal que nasceu em meados da década de 1990 – o ano é impreciso – e que ganhou até uma placa escrita em um pedaço de madeira com pincel, que os identifica.
O cenário em questão é a Praça Duque de Caxias, na Marabá Pioneira, em frente à Banca do Edvan e próximo à agência do Banco do Brasil. O número de membros é impreciso, não há uma caderneta de chamada para anotar a frequência, mas cada um conhece o outro e os presentes criam o parlatório do dia de acordo com a pauta que desejarem. Uns chegam a pé porque não têm carro e outros estacionam seus veículos possantes a uma certa distância, mas no calor da discussões não há classe social.
Sebastião de Jesus Souza Castro, 66, o Degas, tenta buscar na memória o ano em que o Senadinho nasceu – na década de 1990 – mas não consegue. Relembra que havia um grupo de amigos que reunia-se na Praça Duque de Caxias para bater papo nas manhãs de domingo, numa época em que não havia idealização de um nome para o mesmo.
Sebastião relembra que entre os primeiros membros do Senadinho estavam José Moura, Amir Vergolino Zalur, Wilson de Sousa Teixeira, o Wilsão, José Maria Gurgel, entre outros. Mas também podem ser citados no grupo Fabiano, João, “Cabeção”, Bosco Jadão, ex-prefeito de Marabá James, João Salame, atual prefeito, Manoel do Nilo (in memorian), Silvino Santis (in memorian), Ribamar Ribeiro Júnior, João Chamon, Rico, Emivaldo, Plínio Pinheiro Neto, João Holanda, Carlos Maia, Fabiano Botelho, Zé Gaby e Artur. “Quem batizou de Senadinho foi o Hiroshi Bogea, que em 2011 fez uma postagem em seu blog e usou pela primeira vez essa denominação e ficou”, conta, relembrando que chegaram mensagens de marabaenses que residem em várias partes do mundo.
José Maria Gurgel, um dos primeiros membros, chegou a ser levado pela esposa ao Senadinho várias vezes quando já estava doente, antes de falecer.
Degas conta que João Salame consultou os colegas de Senado antes de lançar sua candidatura a prefeito de Marabá, em 2012. “Demos uma força para ele tão grande que saiu encorajado. Depois, voltou para agradecer. Sempre vem porque sabe que a amizade daqui é sincera. Não temos adversário político. Nosso papel aqui é discutir o bem estar de cada um e de nossa cidade”, garante Degas.
Ele também destaca que os temas que são discutidos a cada domingo nascem de forma natural e não há litígio. Quem é partidário de determinado político ou partido deve ser respeitado. As ideias, e não as pessoas, são debatidas no caldeirão do Senadinho. “Um é partidário de João Salame, outro de Tião Miranda e um terceiro ainda de Maurino. Antes, havia discursão boba sobre isso. Um dia, quando levantei a voz pedindo para que as discussões com esse teor terminassem, eles me elegeram presidente do Senadinho e desenvolvo essa função até hoje”, revela Degas.
O presidente conta que além das reuniões oficiais aos sábados e domingos na Praça Duque de Caxias, a partir de 10 horas, há outra diária, no pôr-do-sol, na Praça São Félix de Valois, onde um grupo se encontra após o expediente do dia para uma conversa mais informal com direito a lanche. “Agora, com redes sociais, fica mais fácil de a gente mobilizar os colegas”, conta.
Wilsão considera o Senadinho um lugar excelente para se fazer análise conjuntural do País, Estado e de Marabá, mas também para se ouvir histórias da cidade que não estão registradas em livro, contadas pelos mais experientes como Bosco Jadão, Degas, Amin, entre outros.
Por causa da boa referência do grupo da Duque de Caxias, outro Senadinho foi criado no núcleo Cidade Nova, funcionando no antigo Nonato Drinks. “Dizem que eu e o Degas estamos para cobrar franquia, mas em verdade a interação social deve ser preservada através de grupos de amigos que valorizam uma boa conversa anos finais de semana. Meu primeiro compromisso no domingo é aqui na Praça”, confessa Teixeira.
(Ulisses Pompeu) CORREIO DO TOCANTINS

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