quarta-feira, 2 de março de 2016

Pescadores contra o derrocamento

O portal de notícias Marabá Notícias destaca a luta dos pescadores contra o maior crime ambiental que essa região deve viver.

No último sábado (27), pescadores das colônias Z-58 (Itupiranga), Z-30 (Marabá) e Z-44 (Nova Ipixuna) se reuniram nas margens do Rio Tocantins, em Itupiranga, para traçar estratégias de enfrentamento ao derrocamento do Pedral do Lourenço. Caso a implosão do pedral de 42 km ocorra sem que os pescadores sejam ouvidos e recebam compensações, eles vão ingressar na Justiça para embargar a obra.
De acordo com o presidente da Colônia Z-58, Zacarias da Silva, os pescadores vão esperar durante todo mês de março uma resposta do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), ou de outro órgão do governo que tenha poderes de decisão. Caso não sejam procurados, vão ingressar com ação judicial.
A primeira reclamação dos pescadores é de que já nas obras de derrocagem, haverá impactos ambientais, independentemente da forma como as pedras serão removidas, pois se for por meio de implosões, haverá mortandade de peixes. Caso se use produtos químicos para derretimento das rochas, tais produtos podem poluir o rio, os peixes e também as pessoas que consomem o pescado.
Mas não é só isso. Os pescadores entendem que a abertura do canal vai pôr um fim ao criatório de peixes que existe na área do Pedral do Lourenção, além de que o trânsito de canoas e barcos de pesca ficará praticamente inviável devido ao fluxo de barcaças que passarão pela hidrovia, transportando principalmente soja e minério.
Por conta de tudo isso, Da Silva acredita que a atividade pesqueira ficará inviabilizada, de modo que muitos pescadores vão descer para o berçário do pescado na região, que é justamente na região do Lago de Tucuruí, o que poderá impactar profundamente a área.
Vale dizer que os pescadores não estão apenas protestando sem pauta. Caso o derrocamento sai mesmo do papel, eles querem cursos profissionalizantes e até mesmo – se for possível – graduação específica para os filhos dos pescadores, para que os jovens tenham um futuro fora da atividade pesqueira, pois sem qualificação, não terão futuro profissional garantido.
Além disso, também é proposta dos pescadores que o governo adquira áreas para projetos de piscicultura em tanque escavado, financie fábricas de gelo Plano Safra para Pesca, facilite o Minha Casa Minha Vida para a categoria, conceda pensão vitalícia, entre outras pautas.
(Chagas Filho) 

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