sexta-feira, 18 de março de 2016

Carta Aberta à Comunidade Acadêmica do CRMB







CARTA ABERTA À COMUNIDADE ACADÊMICA DO CAMPUS RURAL DE MARABÁ

Considerando que nos últimos dias meu nome tem sido informalmente suscitado como um dos possíveis candidatos a consulta para a escolha do Diretor Geral do Campus Rural de Marabá – CRMB, venho em respeito a está comunidade acadêmica expor alguns esclarecimentos.
Sem excluir os avanços que este campus teve nas suas gestões Pro Tempore, ainda permanece, e é crescente, um sentimento de insatisfação muito expressivo que impulsiona muitos colegas ao anseio por mudanças concretas, que possibilitem tornar esta instituição um lugar melhor para se trabalhar e viver. Penso que não será necessário expor aqui com detalhes tais insatisfações, posto que quem vivência e acompanha diariamente a realidade desta instituição compreendem tal situação.
Tornar esta instituição um lugar melhor para se trabalhar e viver tem sido o meu projeto enquanto servidor. Em nome deste projeto tenho defendido até aqui, em relação ao processo democrático em curso, que precisamos construir coletivamente, princípios e critérios que apontem para uma gestão fundada na responsabilidade, transparência e capacidade técnica, com competência e coragem para promover as mudanças necessárias. Sempre deixei claro que estas mudanças não devem ocorrer pela exclusão, mas pela inclusão de toda a comunidade acadêmica, considerando o papel importante de cada um na construção e consolidação deste campus como uma instituição pública de qualidade e diferenciada, referência na formação técnica e tecnológica.
Penso que a condição de candidato não deve ser uma decisão exclusivamente pessoal, muito menos se esta for motivada por um desejo por poder e status ou mesmo que tenha conotações partidárias. Muitas vezes fui questionado quanto à possibilidade de participar desse pleito para escolha do Diretor Geral do CRMB, sempre respondi que jamais seria “candidato de mim mesmo”, ou seja, justificando minha candidatura sob o sentimento egocêntrico do “porque eu quero”.
Por outro lado, não me negaria a ser candidato, caso esta decisão partisse de uma ação coletiva “as claras”, fundamentada em princípios e critérios que respondessem as reais demandas do CRMB, mesmo que essa coletividade não fosse hegemônica. Acredito que para que o processo eleitoral seja de fato democrático é fundamental que haja o debate e o contraditório. Neste espírito destaco que não compartilho de nenhuma “articulação” para uma candidatura única. Não concordo com isso, posto que acredito verdadeiramente que não se avança no consenso, mas sim na discordância.
Recentemente essa condição de possível candidato tem me feito conviver, além da frieza e neutralidade totalmente compreensíveis de alguns colegas, com duas palavras muito significativas para a condição do ser humano no sentido histórico-ontológico: “resistência” e “rejeição”. Por vezes, dotada de certo eufemismo ao justificar estas sentenças a minha relação profissional com terceiros.
Quanto a isto aproveito para esclarecer que não tenho problema nenhum quanto a associação, mesmo que por vezes depreciativa, que fazem de mim com o Professor Ribamar Ribeiro Junior, pessoa séria, honesta, responsável, com competência comprovada, a quem eu tenho muita admiração e respeito. Jamais seria candidato se tivesse que para isto, numa estratégia eleitoreira e politiqueira, ter que negar o respeito e admiração que tenho por este servidor, ou por qualquer outro colega de trabalho.
No entanto, apesar do desagradável e desgastante questionamento da minha condição de ser pensante vinda por parte de alguns servidores, isto não se concebe como decisivo para a minha opção pela não candidatura, por compreender e respeitar meus colegas de trabalho como seres pensantes que não constroem seu posicionamento por meio de boatos infundados e pré conceitos que “coisificam” as pessoas, mas sim o constroem pelo reconhecimento do que elas são de fato no campo das relações interpessoais e do seu trabalho. Ademais esses quase seis anos de pertencimento a este campus revelam o meu compromisso com o desenvolvimento desta instituição, não de forma apática e neutra, mas através de críticas qualificadas, propositivas e construtivas, por vezes não entendidas como tal.
Pesa nesta minha decisão a autocrítica de que para mim agora o melhor caminho é continuar lutando por um campus melhor.
Agradeço aos estudantes, professores, técnicos administrativos em educação, trabalhadores terceirizados, que por meio do reconhecimento do meu trabalho me atribuíram e confiaram a condição de possível candidato a Direção Geral do CRMB. A estes todo o meu respeito. Finalizo com o um pensamento do poeta alemão Bertout Brecht, que considero apropriado para o contexto que estamos vivenciando:
Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

Marabá – PA, 18 de março de 2016

William Bruno Silva Araújo

Professor

Um comentário:

Anônimo disse...

Li atentamente sua carta e vejo que perdemos uma grande possibilidade de mudança. Talvez o erro fosse o grau de articulação que não foi feito da forma como poderia ter sido. Mas nos ultimos dias com as mobilizações e essa acovardada situação de se esquirvarem do debate.

Pedro