segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O Abraço da Serpente - Filme

Quem tiver a oportunidade de ver, por favor, ASSISTAM!!!!
Simplesmente sensacional!
Duas expedições científicas separadas por 40 anos: a primeira, no início do século XX, do etnólogo Alemão Theodor Koch-Grünberg (Theodor ou Theo no filme) auxiliado por Manduca (indígena libertado por Theo de um seringal). A segunda, do botânico americano Richard Evans Schultes (Evans no filme) na década de 1940. Ambos encontram Karamakate, um xamã amazônico sobrevivente dos processos "civilizatórios". 
Duas viagens pelo Amazonas vistas em preto e branco, talvez pelo olhar de uma onça, mas que efetivamente desata o filme da estética naturalista do verde amazônico e nos faz percorrer o rio pelas lentes dos povos, pelos seus sonhos, pelas cores da humanidade da floresta. 
A busca é por uma planta mágica que, na primeira história, curaria o doente etnólogo e faria o Xamã reencontrar seu povo, e, na outra, traria os conhecimentos farmacêuticos ao botânico e faria o mesmo Xamã reencontrar suas memórias. Mas o caminho revela o ocaso dos processos de colonização: as destruições provocadas pela transformação da borracha em bem de valor econômico, a esquizofrenia cultural provocada pelas missões religiosas, o genocídio e epistemicídio provocado por uma leitura de Amazônia que desata os povos da floresta. 
O xoque entre os mundos, sempre no plural (os dos cientistas - europeu, norte-americano - e os dos indígenas - que falam várias línguas e expressam uma diversidade que impressiona) é o que dita o rumo dos diálogos. 
Desprendendo-se da linearidade do tempo que não tem nenhum sentido quando se mergulha pelo abraço de um rio que serpenteia, o filme é extremamente profundo sem ser chato, é extremamente complexo sem ser massante, não é um sobrevoo, mas um mergulho poético e onírico pelas águas do Amazonas.
Realmente gostei!

(Texto Bruno Malheiro)

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