quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Grupo de Pesquisa realiza visita nos Aikewara

Por Flavia Slompo

Ontem, 17/11/2015, o Grupo de Pesquisa Territórios Indígenas e Etnodesenvolvimento (IFPA/Marabá) realizou pesquisa de campo na Terra Indígena Sororó, do Povo Aikewara. Estavam também em visita, no mesmo dia, a Comissão da Verdade do Pará e a EMATER Pará.
Seguem algumas imagens que demonstram a situação calamitosa de destruição dos recursos hídricos e processo de desertificação da região. Nas duas primeiras fotografias, estávamos em cima de uma ponte; em cima do que um dia havia sido um rio. A primeira imagem, sua margem direita, e a segunda imagem, sua margem esquerda. Vemos o antigo caminho de suas águas; e o que restou, uma areia de deserto.
A mesma paisagem segue por toda a região. O Armazém Memória, junto à Comissão da Verdade do Pará, fotografou diversas nascentes que hoje estão secas. Na terceira foto, vemos a paisagem que domina a região, e que nos dá pistas sobre os responsáveis pela destruição dos recursos hídricos: a fotografia captura os babaçuais, resultantes do extremo desmatamento realizado na região desde a década de 70. Muita terra prá pouco boi.
Na quarta fotografia, estávamos na beira da BR 153, antiga OP-2, aberta pelo exército brasileiro durante a Guerrilha do Araguaia; estrada que corta a TI Sororó e têm causado uma incontável série de danos à cultura Aikewara e ao ecossistema local. Vemos uma área, bem próxima da floresta, em chamas. Ontem, toda a cidade de Marabá se encontrava entre fumaça, o que comprova que este está longe de ser um caso isolado.
E por fim, a imagem via satélite da TI Sororó: uma ilha de floresta, território de resistência frente ao genocídio e ecocídio levado a cabo pelo Governo Brasileiro desde os tempos do Plano de Integração Nacional até os dias de hoje.
"Como mais da metade da biodiversidade mundial encontra-se fora de áreas protegidas, qualquer que seja a estratégia para a sua preservação deverá contar necessariamente com a ativa participação e interesse dos agricultores. Entretanto, esta não parece ser uma condição viável, enquanto perdurarem os estímulos públicos voltados à expansão desenfreada das monoculturas sobre os ecossistemas naturais." (Petersen et al, "Agroecologia: reconciliando agricultura e natureza". In: Informe Agropecuário. Belo Horizonte, Epamig, 2009, vol..30, n. 252.).
[Crédito das fotografias: RibaMar Ribeiro JuniorAdriano Egito e Flávia Slompo Pinto.]

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