sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Deputados da CPI da Petrobras foram financiados pelas empresas investigadas



Dos 15 deputados já indicados para apurar desvios na Petrobras, ao menos 10 tiveram suas campanhas eleitorais financiadas por empresas que estão sob suspeita. Segundo matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, deste domingo (22), deputados escolhidos pelos partidos para apurar, na Câmara, o esquema de corrupção envolvendo a Petrobras receberam, em 2014, R$ 1,9 milhão em doações eleitorais de empresas citadas na Operação Lava Jato.
O levantamento do jornal considerou a prestação de contas dos candidatos disponibilizada no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Empreiteiras como a Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS, UTC, Carioca Engenharia, Galvão Engenharia e empresas do Grupo Queiroz Galvão estão entre as grandes doadoras. Elas são apontadas pelo Ministério Público e já foram citadas pelos delatores como integrantes de um cartel.
O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), teve 60% de sua última campanha paga com recursos dessas empresas, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (25), na Folha de São Paulo. Em 2014, Motta recebeu R$ 451 mil da Andrade Gutierrez e da Odebrecht. Ele arrecadou um total de R$ 742 mil para sua campanha.
O relator, deputado Luiz Sérgio (PT/RJ), cuja indicação ainda será aprovada pela Comissão, recebeu R$ 962,5 mil das empresas Queiroz Galvão, OAS, Toyo Setal e UTC, o que representa 39,6% da receita de sua campanha.
“O PSOL se orgulha de ser o único partido, dos que elegeram representantes no Congresso Nacional, que não recebeu dinheiro de nenhuma empreiteira. Há muito estamos denunciando que o financiamento privado de campanha é a raiz da corrupção no Brasil. É inadmissível que parlamentares que tenham recebido recursos das empresas investigadas possam continuar como membros da CPI para apurar os desvios denunciados”, explica Ivan Valente.
Mandato Ivan Valente PSOL-SP

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