quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A TERRA NAS MÃOS DE POUCOS


Matéria recente do jornal O Globo revela que a concentração de terras e o latifúndio não pararam de crescer no país nos últimos anos. "Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) revelam que, entre 2010 e 2014, seis milhões de hectares passaram para as mãos dos grandes proprietários — quase três vezes o estado de Sergipe. Segundo o Sistema Nacional de Cadastro Rural, as grandes propriedades privadas saltaram de 238 milhões para 244 milhões de hectares".
Os dados do Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR), do INCRA (divulgados pelo site “A República dos Ruralistas”), atestam que das 5,8 milhões de propriedades rurais existentes no Brasil (60% da área total do Brasil ou 509.305.736 hectares), apenas 1,4% (78,7 mil imóveis) concentram 40% da área total. Considerando um universo um pouco mais amplo, os mesmos dados indicam que 130 mil grandes latifúndios são donos de 47,23% das terras, enquanto 3,75 milhões de minifúndios ocupam não mais do que 10,2%.
Esta concentração explica, por exemplo, o fato de que a Agricultura Familiar, mesmo sendo responsável pela produção da maior parte dos alimentos que chegam à mesa das famílias brasileiras, representando 86% das propriedades rurais do país, ocupem somente 21% das terras em imóveis rurais no país. Por outro lado, as terras indígenas são cinco vezes menores do que a área total das propriedades rurais do Brasil. Vivem nelas em torno de 230 povos e aproximadamente 567 mil pessoas.
Uma concentração absurda, com o detalhe de que grande parte dos latifúndios são terras improdutivas – a reportagem do jornal O Globo acima citada menciona que “Dados do ainda inédito Atlas da Terra Brasil 2015, feito pelo CNPq/USP, mostram que 175,9 milhões de hectares são improdutivos no Brasil”. E o agronegócio, representado no Ministério da Agricultura pela senadora Kátia Abreu, ainda insiste na tese de que latifúndio é algo “inexistente” no Brasil. Quanto cinismo!
Mandato Ivan Valente - PSOL/SP

Nenhum comentário: