sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Marabá por Rogério Almeida






O dia amanheceu cinza na cidade de Marabá, sudeste paraense. As águas do rio Tocantins ainda não alcançaram as olarias sob a ponte da Cidade Nova. É tempo de cheia. Daqui a pouco o secular drama de desabrigados ganhará holofotes midiáticos. A cidade parece empanturrada de gente. O busão é precário. Moto táxi e táxi lotação ocupam o vácuo deixado pelo mal serviço de transporte coletivo. No ponto de busão jovem mendiga para beber pinga. Tem a testa machucada. Os cornos bem avermelhados. Ao ser desprezado pelas pessoas que aguardam o transporte esbraveja contra o mundo. Desafia deus. Chora...e segue a viagem, sob o céu nem tão cinza. Na fronteira, como na cadeia...o filho chora e a mãe não vê

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