domingo, 18 de janeiro de 2015

E a velha imprensa não divulga!!!

  Bem vindo, 2015.
 
 

Sinceramente gostaria de um ano novo! na manhã desta última quinta feira, no Méier, zona norte do Rio de Janeiro, Patrick Ferreira de Queiroz, 11 anos, foi morto pela polícia. Ele completaria 12 anos no próximo sábado.
O caso foi registrado como auto de resistência. Segundo os policiais, na mochila de Patrick encontraram dinheiro, drogas, uma pistola e um rádio transmissor. Segundo Daniel de Queiroz, pai de Patrick, seu filho nunca esteve envolvido no tráfico, era medroso e estava matriculado na escola.
Boa parte dos jornais e rádios trataram do assunto no dia de hoje. O debate foi marcado fundamentalmente sobre a possibilidade de Patrick estar ou não envolvido com o tráfico. Isso de alguma maneira poderia nos trazer certo conforto ou naturalização perante mais uma morte?
Inacreditável!!!!!! Estamos diante de uma tragédia! Sim, uma TRAGÉDIA!!!!! Tragédia na manchete do jornal Extra que já crava a condenação do menino como traficante, tragédia na centralidade do debate sobre o envolvimento ou não do menino com o crime. Se Patrick estava no trafico temos uma tragédia, se ele não estava e foi morto temos uma tragédia, se os policiais forjaram o auto de resistência temos uma tragédia, se ele foi confundido e morto temos uma tragédia. Não existe possibilidade do caso ser tratado com qualquer grau de normalidade. Estamos falando de uma criança de 11 anos de idade.É isso! uma criança de 11 anos de idade perdeu a vida desta forma. Na sua mochila deveria ter livros, lápis, caderno e sonhos.
No último mapa da violência, registramos 56 mil homicídios no ano, dos quais 30 mil são de jovens, sendo que 77% desses são negros. Vivemos um genocídio sobre a população jovem e negra. Esse debate não pode continuar sendo secundário diante da criminalização das vitimas como forma de se naturalizar a barbárie. Lembro perfeitamente de uma mãe que certo dia entrou na comissão de direitos humanos da ALERJ, olhou nos meus olhos e disse " mataram o meu filho e ele nem era bandido". Na hora não sabia o que dizer para aquela pessoa completamente destruída. O que ela queria me dizer é que se fosse bandido, ela não estaria ali. Triste, muito triste.
Sinceramente, acho muito pouco provável que consigamos esclarecer o que realmente aconteceu nesta manhã de quinta. Fato é que perdemos mais uma criança para a barbárie, mais uma vida. Perdemos também a chance de darmos um trato mais digno ao assunto, olharmos de forma mais pedagógica e menos criminalizadora da pobreza. Talvez o maior problema do mundo hoje não seja o da ameaça à liberdade de expressão, mas o da nossa responsabilidade diante desta "liberdade". O mundo vai além do que cabe nas páginas dos nossos jornais. Que venha 2015.
Por Marcelo Freixo

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