domingo, 11 de janeiro de 2015

Atentado ao Jornal francês IV

Ataque ao jornal satírico francês
Ao chegar em casa para almoçar, recebi a notícia do atentado contra a sede do jornal “Charlie Hebdo”, que deixou 12 mortos em Paris, na última quarta feira. Recebi a notícia com naturalidade diante da violência cotidiana no mundo. Depois vi o caso tomando proporções de uma tragédia global, inclusive com atos em homenagem aos mortos nas principais capitais do mundo e até no Brasil. A cobertura nos jornais televisivos, em todos os canais e a toda hora, levou-me a refletir sobre a tragédia. Na verdade, a mídia global deu uma repercução ao fato que não dá a outros, como os atentados em escolas e universidades, que matam crianças em número muito maior que 12. Lembrei-me dos milhares de palestinos mortos, inclusive crianças, até escolas palestinas foram alvo do exército de Israel, com o triste óbito de crianças. E não me lembro de comoção internacional! Talvez porque não mostrem o vídeo da tragédia repetida vezes como fizeram agora na França. Ai começo a desconfiar de tudo. E busco explicação para a banalidade da cobertura da tragédia palestina e também para repercução bombástica da tragédia na França. No caso da Palestina, o algoz é Israel que tem apoio dos EUA e de grande parte da Europa, inclusive da França. Aí, segundo a mídia, o míssil que atingiu a escola e matou as crianças foi um erro de um ataque cirúrgico; as milhares de mortes de palestinos são em resposta aos mísseis lançados contra o território judeu; enfim tudo se justifica até a morte de crianças. E agora, depois do atentado na França, começam a atacar as mesquitas mundo afora e esses ataques não são obras de terroristas, segundo a imprensa, mas qualquer ataque a sinagogas é obra de terroristas.
Eu faço parte daqueles seres humanos que gostariam que nenhuma tragédia, dessas que ceifam vidas de inocentes, acontecessem, principalmente de crianças. Mas a própria imprensa internacional age como um tribunal absolvendo os autores de determinadas tragédias e condenando os de outras. Assim a violência nunca vai ter fim!

Rio de Janeiro, 09 janeiro de 2015 - Hermogena Penha Neves

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