sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Uma homenagem a Casa Vila Nova

Por Celso Santana



Se não me engano custava Cr$ 1,00 (hum cruzeiro), a garrafa de querosene que eu comprava lá no seu Edson da “Vila Nova”. Era pra colocar nas lamparinas lá de casa. A Casa Vila Nova ficava ali na Rua Cinco de Abril, em frente ao mercado de carne do “Mãozinha”. Ficava não, fica pois ela ainda funciona e também ainda vende querosene. Quem compra e no que usa eu não sei. A garrafa usada para colocar o combustível era de “Tatuzinho”. O Mãozinha vendia muita carne de porco. Sempre com um cigarro de palha na boca. Feito no abano e com fumo de rolo, comprado no Augusto Freitas. No Augusto Freitas vendia também leite, milho, corda e bombom Nilva, além de vários outros produtos. Eu sempre via a Ildenira e a Vera por lá.
Lá em casa eu era um dos que mais fazia mandados. As pequenas compras de casa, nos arredores. Eu gostava. Era o momento em que eu aproveitava pra dar uma vadiada.
Lá praquelas bandas, da Cinco de Abril, também eu ia comprar lingüiça no “Suprecílio”, ou pegar sebo, que era pra minha mãe fazer sabão, pra lavar roupa lá na “Prainha”. Sempre quem me atendia era o Ventinha. A roupa, lavada com o sabão de potassa, ficava horas quarando sobre os sarãs, ou mesmo nas pedras que por ali existiam. Era boa essa época. Minha mãe fazia “Baião-de-dois” e a gente comia lá mesmo enquanto a roupa quarava, fazendo “Capitão”.
Nessas idas às compras eu geralmente encontrava o Sales. Ele morava ali pro lado do Luiz Lopes, que tinha um bar na esquina da Avenida Silvino Santis, no final da Norberto de Melo com a Cinco de Abril. As duas ruas se unem ali naquele trecho.
O Sales foi meu primeiro herói!
Foi herói de muitos moleques em Marabá.
Lutava Boxe e Luta-livre. Era imbatível em suas disputas. Lutava nos circos ou nos festejos dos vários santos, que a população adorava, em Marabá. Hoje se resumem a no máximo dois, esses santos. Mas na época eram vários; São Lázaro, Santa Luzia, O Divino, São Félix, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro etc.
Nem se pensava em um dia ouvir falar em Mike Tyson, Maguila ou Minotauro. O Sales sim que era o cara. Ninguém ganhava dele. Era uma mistura de Tazan com Sansão. Forte e de cabelos lisos, nos ombros. Tirava onda o Sales.
Assisti várias lutas dele. Mas depois ele desapareceu da cidade, nunca mais ouvi falar nele. Nem homenagem ganhou, depois de tanto ter nos alegrado com suas performances e apresentações.
Minha cidade é ingrata com seus heróis.




Celso Santana.

Um comentário:

Anônimo disse...

Gostei muito dessas lembranças,pois vivenciei essa época.