domingo, 31 de agosto de 2014

VALE CONTINUA SENDO DERROTADA NAS RUAS!

População se revolta contra mineradora Vale e vai à luta
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Mais uma vez populações atingidas pelos problemas causados pela Estrada de Ferro Carajás, na cidade de Marabá, sudeste do Pará, se revoltam contra o descaso da empresa Vale e do poder publico local, e o abuso e humilhações que passam as pessoas. São moradores de cinco bairros atingidos diretamente: Araguaia, Alzira Mutran, Km 07, Nossa Senhora Aparecida e São Félix.
 No dia 23 moradores do bairro Araguaia ocuparam ferrovia as proximidades da passagem que liga os bairros Alzira Mutran e Araguaia. A ocupação durou cinco horas, o suficiente para os moradores externarem suas insatisfações, esclarecerem os transeuntes sobre a situação e conseguir acertar uma reunião com o secretário de Obras do município.
 
Como tática os moradores iniciaram a ocupação com a queima de pneus sobre a ferrovia e depois foram usadas madeiras conseguidas nos arredores. Quem contribui também para a interdição da ferrovia foi um maquinista que na intenção de passar pelo local e acabar com a manifestação, encostou a locomotiva no fogo e este passou para a locomotiva, sem causar danos significativos. Que pena!
 
Como sempre acontece quando a população se manifesta, rapidamente apareceu o corpo de bombeiros, policiais de todos os tipos e de todas as partes, representantes da Vale e de empresas empreiteiras, e representantes da prefeitura.
 
Como a pauta de reivindicação dos moradores não passava de cobrança da realização de obras no bairro prometidas pelo poder público, com recursos provenientes de um convênio firmado com a Vale, a partir das condicionantes para duplicação da ferrovia, a manifestação foi encerrada com um acordo feito entre moradores e secretário de Obras, para uma reunião a acontecer no dia 26.
 
Quem deve ter saído chateado foram aqueles que contavam com uma oportunidade para humilhar, destratar, bater e prender moradores, mostrando serviço para a Vale, o que não aconteceu.
 
No dia 28 foi a vez de moradores do bairro Alzira Mutran se manifestarem construindo uma cerca impossibilitando que serviços da duplicação da ferrovia fosse dado continuidade, em suas áreas. Exigindo da Vale o atendimento a uma pauta de reivindicação que foi encaminha à empresa no dia 02 de junho e até o momento nenhuma atenção foi dada. Veja a pauta exigida pelo Coletivo de Famílias Moradoras do Bairro Alzira Mutran e Km 07 Atingidas pela Vale:
 

1. A Vale impôs que a negociação será residência por residência, ou seja, a empresa avalia o valor da residência da família, e a família procura uma residência para ser comprada pela empresa até o valor de que foi avaliada a sua. Caso a residência encontrada pela família seja de valor inferior ao valor que foi avaliada a sua, a empresa não repassará para a família o valor restante. Nós não aceitamos e queremos o restante, para cobrir outras despesas, como compra de móveis e eletrodomésticos.

2. Nós plantamos verdadeiros sítios com diversas fruteiras em nossos quintais ou na frente de nossas casas e a empresa não reconhece como benfeitorias a serem indenizadas. Nós queremos que sejam reconhecidos como benfeitorias e sermos bem indenizados.
 
3. Exigimos indenização pelo custo social: por seis anos sendo monitoradas pela empresa sem poder fazer melhoria em nossos imóveis; o custo por ter que sair de nosso convívio construído durante muitos anos e pelas condições que oferecem a nossa localização, de proximidade ao ponto de várias linhas de ônibus, de hospital, supermercado e escolas; e pelo tempo de moradia sofrendo os transtornos causados pela operação da ferrovia.
 

4. Exigimos a reparação de todos os prejuízos causados para as famílias durante os anos de operação da ferrovia: o campinho de futebol que foi destruído pela empresa, rachadura das casas, poluição sonora, alagamentos de residências, isolamento e constrangimentos.
 
5. Exigimos reparação dos danos para as famílias que irão continuar morando no bairro com asfaltamento das ruas e implantação de rede de água e esgoto, pelos transtornos que serão causados com a operação da ferrovia duplicada(mais de onze horas por dia de ruídos e trepidações).
 
6. Exigimos que seja repassados para esta comissão cópias de todos os laudos das famílias dos bairros Alzira Mutran e Km 07.
 
7. Que a Vale contrate corretores para procurar casas para as famílias porque não temos tempo e nem é nosso papel.
 
É desde o ano de 2008 que estes moradores, assim como do Km 07 e São Félix, vem sendo incomodados e humilhados pela empresa Vale, com uma conversa de remoção por dizer estarem na área de interesse da empresa para serviços de duplicação da ferrovia.
 
A empresa não faz a remoção mas causa incômodos permanentes para as famílias, com reuniões frequentes, diagnósticos, relatórios e promessas que não são cumpridas. Agora com os serviços de duplicação da ferrovia são barulhos e poeiras durante as 24 horas do dia, sem que a empresa tome nenhuma providencia para evitar problemas de saúde para a população.
 
Diante de tanta omissão e opressão as famílias resolveram se manifestar. Os trabalhos continuam paralisados até que aconteça uma reunião entre moradores e a empresa Vale, dia 02 de setembro, para tratar sobre a pauta.
 
Marabá-PA, 29 de agosto de 2014
 
CEPASP - CPT - Mov. Debate e Ação - Col. de Famílias do Bairro Alzira Mutran e Km 07 Atingidas pela Vale

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