quarta-feira, 26 de junho de 2013

VALE ZOMBA DO POVO!

Em nota abaixo a Vale zomba mais uma vez d capacidade do povo de se organizar e lutar pelos seus direitos. A vale que no início do ano chegou a ameaçar uma parlamentar de Marabá por propor a ocupação da ferrovia, não teme por esperar. Se o povo resolver ocupar, não medidas nenhuma que impedirá.

A Vale informa que, por volta de 9 horas da manhã de hoje (26), um grupo de manifestantes interditou a Estrada de Ferro Carajás (EFC), em Marabá, e e se encontra sobre os trilhos da ferrovia na altura do km 729.
A empresa adotará as medidas judiciais cabíveis para desocupação da Estrada de Ferro Carajás, pois qualquer ato público ou manifestação deve respeitar o estado democrático de direito e o direito constitucional de ir e vir das pessoas que utilizam o transporte público ferroviário.

VEM PALMARES, VEM!!! PRA RUA MST!!


ANIVERSÁRIO DO ASSENTAMENTO PALMARES - 19 ANOS DE LUTAS E CONQUISTAS

PROPOSTA DE PROGRAMAÇÃO

Período 26 a 30 DE JUNHO de 2013.

 

DIA
MANHÃ
TARDE
NOITE
26/06
Quarta- Feira
5:30 hs - Alvorada camponesa: Fogos/Foguetes ao amanhecer
LOCAL: Praça
 
CARRO DE SOM COM HOMENAGEM (expondo a Programação)
LOCAL: Assentamento
 
Todos os Dias - Serviços públicos de saúde
LOCAL: Praça e Postinho
 
a partir das 14 hs - Exposição: fotos, filmes, literatura, trabalhos variados. LOCAL: Escolas
 
- Todos os Dias - Serviços públicos de saúde
 LOCAL: Praça de eventos e Postinho
 
19h00min - Exposição:
fotos, filmes, literatura, trabalhos variados.
LOCAL: Escola
 
 
27/06
Quinta-Feira
-Exposição: fotos, filmes, literatura, trabalhos variados.
LOCAL: Escola
 
Torneio de rua
LOCAL: Estádio Che Guevara
 
- Todos os Dias - Serviços públicos de saúde
Local: Praça de eventos e Postinho
 
Exposição: fotos, filmes, literatura, trabalhos variados. (Locais: Praças, escolas e etc.)
 
-Torneio de rua
LOCAL: Estádio Che Guevara
 
- Todos os Dias - Serviços públicos de saúde
Local: Praça de eventos e Postinho
 
 19h00min - Exposição: fotos, filmes, literatura, trabalhos variados. Locais: Praças, escolas e etc.
 
 
 
28/06
Sexta-Feira
Exposição: fotos, filmes, literatura, trabalhos variados.
LOCAL: Escola
 
Torneio de futebol
LOCAL: TRÊS VOLTAS
 
Todos os Dias - Serviços públicos de saúde
LOCAL: Praça e Postinho
Exposição: fotos, filmes, literatura, trabalhos variados.
LOCAL: Escola
 
Torneio de futebol
LOCAL: TRÊS VOLTAS
 
Todos os Dias - Serviços públicos de saúde
LOCAL: Praça e Postinho
19h00min - Exposição: fotos, filmes, literatura, trabalhos variados.
LOCAL: Praça e escolas.
 
22h00min - Ato político de referencia à data comemorativa com fala de Autoridades;
LOCAL: Praça de eventos de Palmares;
 
23h00min - Noite de Confraternização das igrejas e SH0W evangélico e católico com artistas locais.
 
29/06
Sabado
A partir das 8h00min - Exposição: fotos, filmes, literatura, trabalhos variados.
LOCAL: Escola
 
Torneio de futebol
LOCAL: TRÊS VOLTAS
 
A partir das 9h00min - CHURRASCO DE CONFRATERNIZAÇÃO entre assentados e show com Tico Juliano
LOCAL: IALA
A partir 11h00min - Exposição: fotos, filmes, literatura, trabalhos variados.
LOCAL: Escola
 
Torneio de futebol
LOCAL: TRÊS VOLTAS
 
- CHURRASCO DE CONFRATERNIZAÇÃO entre assentados e show com Tico Juliano
LOCAL: IALA
A partir das 20h00min
Sarau da Juventude; Apresentação de Quadrilhas; Apresentação de Capoeira...
 
22h00min –Show com as bandas “Nó de Aroeira”
 
00h00min- Show “Os Legionários”
 
02h:00min - Show com Bangalô do Samba.
 
30/06
Domingo
- Exposição: fotos, filmes, literatura, trabalhos variados. (Locais: Praças, escolas e etc.);
 
-Todos os Dias - Serviços públicos de saúde SENSA+ Postinho (Local: Praça e Postinho)
 
- Cavalgada
- Torneios: de rua, vôlei e Futsal
 
 
 
A partir 11h00min - Exposição: fotos, filmes, literatura, trabalhos variados.
LOCAL: Escola
 
Todos os Dias - Serviços públicos de saúde
LOCAL: Praça de eventos e Postinho
 
- Torneios de  Futebol
LOCAL: Estádio Che Guevara e campo Três Voltas
21h00min - Entrega da Premiação dos Torneios e mística de abertura
 
22h000min - Show com Tico Juliano
 
00h00min - Show com Banda nacional “FalaMansa”
 
02h00min - Show com “Leo e Banda”
             

 

 

Se houver discriminação, vai haver manifestação!!!


No mês de julho, Espaço Interativo Peter Pan invade a Praça de Eventos

Diversão, encanto e magia é o que o Shopping Pátio Marabá traz para as férias de julho.  A praça de eventos, no piso L2, se transformará num verdadeiro mundo encantado, com o Espaço Interativo Peter Pan. De 02 a 31 de julho o ambiente será lugar de brincadeira e fantasia, com diversas atrações para crianças de 03 a 12 anos de idade.

A Terra do Nunca será retratada num amplo cenário do tema da história infantil. Ali, a criançada vai viver um verdadeiro conto de fadas. A aventura começa logo ao atravessar o portal de entrada, onde ficará um enorme navio pirata, em que acontecerão as atividades direcionadas, como o Cineminha no barco do capitão gancho, haverá também um espaço para leitura de historinhas com a personagem Wendy, piscina com mais de 20 mil bolinhas e, além disso, caça ao tesouro e tiro ao alvo.

Mas não para por aí. Como a Terra do Nunca é sempre surpreendente, será possível, ainda, se divertir jogando Playstation com os índios ou se transformar num personagem, no camarim das sereias, lugar em que as meninas poderão se maquiar. E, quem quer aproveitar ao máximo, terá a oportunidade de aprender a fazer origamis encantados com pó de pirlimpimpim junto com o Peter Pan e a Sininho.

As atividades serão iniciadas todos os dias, a partir das 12h e encerrarão às 20h, sendo cobrado um valor de R$ 5 por circuito de até 15 minutos.

CONTRAPONTO

Este pôster vai estar de olho sobre a provável discriminação, preconceito contra crianças portadoras de necessidades especiais. Esta semana uma mãe denunciou o park deste shopping na imprensa sobre tal discriminação.

Acampados realizam Culto em Ação de Graças para agradecer suspensão da liminar

A comunidade evangélica do acampamento Raio de Luz, zona rural de Rondon do Pará, sudeste do Estado reuniu-se, no último dia 20 (quarta-feira), em um culto em ação de graças pela suspensão do cumprimento da liminar de reintegração de posse da área, ocorrida no início de junho, intermediada pelo  deputado estadual Milton Zimmer.

A decisão judicial da Vara Agrária  de Marabá, só foi possível com a união de esforços do parlamentar juntamente com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Rondon, Vereadora Joelma Costa Pereira e deputado federal Beto Faro, que juntos acionaram o Instituto de Terras do Pará (Iterpa), o que garantiu na justiça, a permanência das famílias até o Instituto apresentar documentos que comprove que a área rural está localizada em terras públicas do Estado do Pará.

Na propriedade existem 74 famílias de pequenos agricultores. Elas estão no local desde 2007 e produzem arroz, feijão, milho, mandioca e criam pequenos animais. A produção de arroz gira em torno de 10 mil toneladas ao ano, o que garante maior renda.

O evento religioso contou com a presença de mais de 80 pessoas que juntos cantaram hinos de louvor pela vitória e pela intercessão do deputado.

Zimmer agradeceu as orações e disse que a união contribuiu para que a Justiça suspendesse a liminar. ”Agora o próximo passo é criar o Projeto de Assentamento e garantir o acesso aos programas de crédito do governo federal para investir na lavoura”, defende.   

Para a vereadora Joelma Costa Pereira, filha de agricultores familiares, que intermediou as negociações junto ao parlamentar e à Fetagri, esse é apenas um começo de uma nova história na vida dos acampados. “Garantir a sustentabilidade das famílias é uma vitória. Não poderia deixar que perdessem tudo o que construíram durante anos,” destaca.

Um dos coordenadores do acampamento, Edvaldo Fernandes Nascimento, revelou o seu sonho: “Espero ver isso aqui se transformar em assentamento o mais rápido possível para ter a garantia de tranquilidade e não viver mais na incerteza”, desabafa.

O coordenador da Fetagri Regional Sudeste com sede em Marabá, Antônio Gomes disse que essa é uma vitória conjunta e que a união deve ser mantida. “Sem a mobilização e a intervenção política não sei se teríamos esse resultado. Agora vamos lutar para que o Estado cumpra a sua parte”, declara.  

A revelação do agricultor Gilmar Neres de Souza, traduz o sentimento de todos os que moram no acampamento. “ O nosso maior medo é perder tudo o que plantamos. É aqui que a gente mora e com o nosso trabalho na lavoura é que garantimos a comida. Se fóssemos despejados para onde iríamos, porque dependemos desse pedaço de terra para viver”, finaliza.            

Também prestigiaram o evento o secretário municipal de agricultura, Valdecir Clemente, a vice - coordenadora da Fetagri Regional Sudeste, Maria Joel Dias da Costa, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Rondon, Maria Eva Santos Dias e o assessor do deputado, Williamson do Brasil de Sousa Lima.

Por assessoria de imprensa

terça-feira, 25 de junho de 2013

PARA UM BOM DEBATE!

Texto abaixo postado de forma fragmentado para facilitar a leitura, tenho discordâncias pelo seu teor analítico bem governista, bem petista ou nada coerente como deveria ser um movimento frente a um governo que se alia ao agronegócio.

Mais postei para fazermos o bom debate!
 O SIGNIFICADO E AS PERSPECTIVAS DAS MOBILIZAÇÕES

Por Nilton Viana

Do Brasil de Fato



"É hora do governo aliar-se ao povo ou paragá a fatuta no futuro". Essa é uma das avaliações de João Pedro Stedile, da coordenação nacional do MST sobre as mobilizações em todo o país.

Segundo ele, há uma crise urbana instalada nas cidades brasileiras, provocada por essa etapa do capitalismo financeiro. "As pessoas estão vivendo um inferno nas grandes cidades, perdendo três, quatro horas por dia no trânsito, quando poderiam estar com a família, estudando ou tendo atividades culturais", afirma. 
Para o dirigente do MST, as redução da tarifa interessava muito a todo o povo e esse foi o acerto do Movimento Passe Livre, que soube convocar mobilizações em nome dos interesses do povo.
Nesta exclusiva ao Brasil de Fato, Stedile fala sobre o caráter dessas mobilizações, e faz um chamamento: devemos ter consciência da natureza dessas manifestações e irmos todos para as ruas disputar corações e mentes para politizar essa juventude que não tem experiência  da luta de classes. "A juventude está de saco cheio dessa forma de fazer política burguesa, mercantil", constata.
E faz um alerta: o mais grave foi que os partidos de esquerda institucional, todos eles, se moldaram a esse métodos. Envelheceram e se burocratizaram. As forças populares e os partidos de esquerda precisam colocar todas as suas energias para ir à rua, pois está ocorrendo, em cada cidade, em cada manifestação, uma disputa ideológica permanente da luta dos interesses de classes. "Precisamos explicar para o povo quem são seus proncipais inimigos".

Como você analisa as recentes manifestações que vem sacudindo o Brasil nas últimas semanas? Qual é base econômica para elas terem acontecido?
Há muitas avaliações de porque estarem ocorrendo estas manifestações. Me somo à analise da professora Erminia Maricato, que é nossa maior especialista em temas urbanos e já atuou no Ministério das Cidades na gestão Olivio Dutra.

Ela defende a tese de que há uma crise urbana instalada nas cidades brasileiras provocadas por essa etapa do capitalismo financeiro. Houve uma enorme especulação imobiliária que elevou os preços dos alugueis e dos terrenos em 150% nos últimos três anos.
O capital financiou sem nenhum controle governamental a venda de automóveis, para enviar dinheiro pro exterior e transformou nosso trânsito um caos. E nos últimos dez anos não houve investimento em transporte público. O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, empurrou os pobres para as periferias, sem condições de infraestrutura.
Tudo isso gerou uma crise estrutural em que as pessoas estão vivendo num inferno nas grandes cidades, perdendo três, quatro horas por dia no trânsito, quando poderiam estar com a família, estudando ou tendo atividades culturais.
Somado a isso, a péssima qualidade dos serviços públicos em especial na saúde e mesmo na educação, desde a escola fundamental, ensino médio, em que os estudantes saem sem saber fazer uma redação. E o ensino superior virou lojas de vendas de diplomas a prestações, onde estão 70% dos estudantes universitários.


E do ponto de vista político, por que aconteceu?
Os quinze anos de neoliberalismo e mais os últimos dez anos de um governo de composição de classes transformou a forma de fazer política refém apenas dos interesses do capital. Os partidos ficaram velhos em suas práticas e se transformaram em meras siglas que aglutinam, em sua maioria, oportunistas para ascender a cargos públicos ou disputar recursos públicos para seus interesses.
Toda juventude nascida depois das diretas já, não teve oportunidade de participar da política. Hoje, para disputar qualquer cargo de vereador, por exemplo, o sujeito precisa ter mais de 1 milhão de reais. Deputado custa ao redor de 10 milhões de reais. Os capitalistas pagam, e depois os políticos obedecem. A juventude está de saco cheio dessa forma de fazer política burguesa, mercantil.
Mas o mais grave foi que os partidos da esquerda institucional, todos eles, se moldaram a esses métodos. Envelheceram e se burocratizaram. E, portanto, gerou na juventude uma ojeriza a forma dos partidos atuarem. E eles tem razão. A juventude não é apolítica, ao contrário, tanto é que levou a política às ruas, mesmo sem ter consciência do seu significado.
Estão dizendo que não aguentam mais assistir na televisão essas práticas políticas, que seqüestraram o voto das pessoas, baseadas na mentira e na manipulação. E os partidos de esquerda precisam reapreender que seu papel é organizar a luta social e politizar a classe trabalhadora. Senão cairão na vala comum da história.


E porque as manifestações eclodiram somente agora?
Provavelmente tenha sido a soma de diversos fatores de caráter da psicologia de massas, mais do que alguma decisão política planejada. Somou-se todo o clima que comentei, mais as denúncias de superfaturamento das obras dos estádios, que é um acinte ao povo. Vejam  alguns episódios. A Rede Globo recebeu do governo do estado do Rio e da prefeitura, 20 milhões de reais de dinheiro público para organizar o showzinho de apenas duas horas, no sorteio dos jogos da Copa das Confederações.
O estádio de Brasília custou 1,4 bilhões de reais e não tem ônibus na cidade! A ditadura explícita e as maracutais que a FIFA/CBF impuseram e os governos se submeteram. A reinauguração do Maracanã foi um tapa no povo brasileiro. As fotos eram claras: no maior templo do futebol mundial não havia nenhum negro ou mestiço!
E aí o aumento das tarifas de ônibus foi apenas a faísca para ascender o sentimento generalizado de revolta, de indignação. A gasolina para a faísca veio do governo Gerlado Alckmin, que protegido pela mídia que ele financia e acostumado a bater no povo impunemente, como fez no Pinheirinho, jogou sua polícia para a barbárie. Aí todo mundo reagiu.

Ainda bem que a juventude acordou. E nisso houve o mérito do Movimento Passe Livre, que soube capitalizar essa insatisfação popular e organizou os protestos na hora certa.


Por que a classe trabalhadora ainda não foi à rua?

É verdade, a classe trabalhadora ainda não foi para a rua. Quem está na rua são os filhos da classe média, da classe média baixa, e também alguns jovens do que o André Singer chamaria de sub-proletariado, que estudam e trabalham no setor de serviços, que melhoraram as condições de consumo, mas querem ser ouvidos. Esses últimos apareceram mais em outras capitais e nas periferias.
A redução da tarifa  interessava muito a todo povo e esse foi o acerto do MPL. Soube convocar mobilizações em nome dos interesses do povo. E o povo apoiou as manifestações e isso está expresso nos índices de popularidade dos jovens, sobretudo quando foram reprimidos.
A classe trabalhadora demora a se mover, mas quando se move, afeta diretamente ao capital. Coisa que ainda não começou a acontecer. Acho que as organizações que fazem a mediação com a classe trabalhadora ainda não compreenderam o momento e estão um pouco tímidas. Mas acho que enquanto classe, ela também está disposta a lutar. Veja que o número de greves por melhorias salariais já recuperou os padrões da década de 80.
Acho que é apenas uma questão de tempo, e se as mediações acertarem nas bandeiras que possam motivar a classe a se mexer. Nos últimos dias, já se percebe que em algumas cidades menores, e nas periferias das grandes cidades, já começam a ter manifestações com bandeiras de reivindicações bem localizadas. E isso é muito importante.

 E vocês do MST e camponeses também não se mexeram ainda.


É verdade. Nas capitais onde temos assentamentos e agricultores familiares mais próximos já estamos participando. E inclusive sou testemunho de que fomos muito bem recebidos com nossa bandeira vermelha, com nossa reivindicação de Reforma Agrária e alimentos saudáveis e baratos para todo povo.
Acho que nas próximas semanas poderá haver uma adesão maior, inclusive realizando manifestações dos camponeses nas rodovias e municípios do interior. Na nossa militância  está todo mundo doido para entrar na briga e se mobilizar. Espero que também se mexam logo.


 Na sua opinião, qual é a origem da violência que tem acontecido em algumas manifestações?
Primeiro vamos relativizar. A burguesia através de suas televisões tem usado a tática de assustar o povo colocando apenas a propaganda dos baderneiros e quebra-quebra.  São minoritários e insignificantes diante das milhares de pessoas que se mobilizaram.

Para a direita interessa colocar no imaginário da população que isso é apenas bagunça, e no final se tiver caos, colocar a culpa no governo e exigir a presença das forças armadas. Espero que o governo não cometa essa besteira de chamar a guarda nacional e as forças armadas para reprimir as manifestações. É tudo o que a direita sonha!

Quem está provocando as cenas de violência é a forma de intervenção da Policia Militar. A PM foi preparada desde a ditadura militar para tratar o povo sempre como inimigo. E nos estados governados pelos tucanos(SP, RJ e MG), ainda tem a promessa de impunidade. 

Há grupos direitistas organizados com orientação de fazer provocações e saques. Em São Paulo atuaram grupos fascistas e leões de chácaras contratados. No Rio de Janeiro atuaram as milícias organizadas que protegem seus políticos conservadores. E claro, há também um substrato de lumpesinato que aparece em qualquer mobilização popular, seja nos estádios, carnaval, até em festa de igreja tentando tirar seus proveitos.


Há então uma luta de classes nas ruas ou é apenas a juventude manifestando sua indignação?
É claro que há uma luta de classes na rua. Embora ainda concentrada na disputa ideológica. E o que é mais grave, a própria juventude mobilizada, por sua origem de classe, não tem consciência de que está participando de uma luta ideológica.
Vejam, eles estão fazendo política da melhor forma possível, nas ruas. E ai escrevem nos cartazes: somos contra os partidos e a política? Por isso tem sido tão difusa as mensagens nos cartazes. Está ocorrendo em cada cidade, em cada manifestação, uma disputa ideológica permanente da luta dos interesses de classes. Os jovens estão sendo disputados pelas idéias da direita e pela esquerda. Pelos capitalistas e pela classe trabalhadora.
Por outro lado, são evidentes os sinais da direita muito bem articulada, e de seus serviços de inteligência, que usam a internet, se escondem atrás das mascaras e procuram criar ondas de boatos e opiniões pela internet. De repente uma mensagem estranha alcança milhares de mensagens. E ai se passa a difundir o resultado como se ela fosse a expressão da maioria.
Esses mecanismos de manipulação foram usados pela CIA e o departamento de estado Estadunidense na primavera árabe, na tentativa de desestabilização da Venezuela, na guerra da Síria. E é claro que eles estão operando aqui também as propostas.


E quais são os objetivos da direita e suas propostas?
A classe dominante, os capitalistas, os interesses do império Estadunidense e seus porta-vozes ideológicos que aparecem na televisão todos os dias, tem um grande objetivo: desgastar ao máximo o governo Dilma, enfraquecer as formas organizativas da classe trabalhadora, derrotar qualquer propostas de mudanças estruturais na sociedade brasileira e ganhar as eleições de 2014, para recompor uma hegemonia total no comando do estado brasileiro, que agora está em disputa.

Para alcançar esses objetivos eles estão ainda tateando, alternando suas táticas. As vezes provocam a violência, para desfocar os objetivos dos jovens. As vezes colocam nos cartazes dos jovens a sua mensagem. Por exemplo, a manifestação do sábado em São Paulo, embora pequena, foi totalmente manipulada por setores direitistas que pautaram apenas a luta contra a PEC 37, com cartazes estranhamente iguais e palavras de ordem iguais.
Certamente a maioria dos jovens nem sabem do que se trata. E é um tema secundário para o povo, mas a direita está tentando levantar as bandeiras da moralidade, como fez  a UDN (União Democrática Nacional) em tempos passados. Isso que já estão fazendo no Congresso, logo logo, vão levar às ruas.

Tenho visto nas redes sociais controladas pela direita que suas bandeiras, além da PEC 37, são a saída do Renan do Senado, CPI e transparência dos gastos da Copa, declarar a corrupção crime hediondo, e fim do Foro especial para os políticos. Já os grupos mais fascistas ensaiam Fora Dilma e abaixo-assinados pelo impechment.

Felizmente essas bandeiras não tem nada ver com as condições de vida das massas, ainda que elas possam ser manipuladas pela mídia. E objetivamente podem ser um tiro no pé. Afinal, é a burguesia brasileira, seus empresários e políticos que são os maiores corruptos e corruptores. Quem se apropriou dos gastos exagerados da Copa? A Rede Globo e as empreiteiras!


Quais os desafios que estão colocados para a classe trabalhadora e as organizações populares e partidos de esquerda?
Os desafios são muitos. Primeiro devemos ter consciência da natureza dessas manifestações, e irmos todos para a rua, disputar corações e mentes para politizar essa juventude que não tem experiência da luta de classes. Segundo, a classe trabalhadora precisa se mover. Ir para a rua, manifestar-se nas fábricas, campos e construções, como diria Geraldo Vandré. Levantar suas demandas para resolver os problemas concretos da classe, do ponto de vista econômico e político.
Terceiro, precisamos explicar para o povo quem são seus principais inimigos. E agora são os bancos, as empresas transnacionais que tomaram conta de nossa economia, os latifundiários do agronegócio, e os especuladores.

Precisamos tomar a iniciativa de pautar o debate na sociedade e exigir a aprovação do projeto de redução da jornada de trabalho para 40 horas; exigir que a prioridade de investimentos públicos seja em saúde, educação, Reforma Agrária.

Mas para isso o governo precisa cortar juros e deslocar os recursos do superávit primário, aqueles 200 bilhões de reais que todo ano vão para apenas 20 mil ricos, rentistas, credores de uma dívida interna que nunca fizemos, deslocar para investimentos produtivos e sociais. E é isso que a luta de classes coloca para o governo Dilma: os recursos públicos irão para a burguesia rentista ou para resolver os problemas do povo?

Aprovar em regime de urgência para que vigore nas próximas eleições uma reforma política de fôlego, que no mínimo institua o financiamento público exclusivo da campanha. Direito a revogação de mandatos e plebiscitos populares auto-convocados.

Precisamos de uma reforma tributária que volte a cobrar ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) das exportações primárias, penalize a riqueza dos ricos e amenize os impostos dos pobres, que são os que mais pagam.

Precisamos que o governo suspenda os leilões do petróleo e todas as concessões privatizantes de minérios e outras áreas públicas. De nada adianta aplicar todo royalties do petróleo em educação, se os royalties representarão apenas 8% da renda petroleira, e os outros 92% irão para as empresas transnacionais que vão ficar com o petróleo nos leilões!

Uma reforma urbana estrutural, que volte a priorizar o transporte público, de qualidade e com tarifa zero. Já está provado que não é caro e nem difícil instituir transporte gratuito para as massas das capitais. Controlar a especulação imobiliária.

E finalmente, precisamos aproveitar e aprovar o projeto da Conferência Nacional de Comunicação, amplamente representativa, de democratização dos meios de comunicação. Para acabar com o monopólio da Globo e para que o povo e suas organizações populares tenham ampla acesso a se comunicar, criar seus próprios meios de comunicação, com  recursos públicos. Ouvi de diversos movimentos da juventude que estão articulando as marchas, que talvez essa seja a única bandeira que unifica a todos: Abaixo ao monopólio da Globo!   
Mas para que essas bandeiras tenham ressonância na sociedade e pressionem o governo e os políticos, somente acontecerá se a classe trabalhadora se mover.