quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Serra Pelada, o filme versus a história? (9)

O faroeste amazônico que alguns matam por prazer, outros sem motivo nem planejamento. Os fatos mostrados pelos fatos para que o sangue seja protagonista das cenas é uma imagem um tanto distante do que a memória histórica dos garimpeiros revela. Não que a violência não existisse, mas não eram apenas as rixas entre donos de barranco, ou o frenesi da ganância que matavam. Não podemos esquecer o massacre de São Bonifácio que ocorreu em Marabá na ponte sobre o rio Tocantins, em 29 de dezembro de 1987. Conflito entre os garimpeiros de Serra Pelada e a Polícia Militar do Pará com o auxílio do Exército Brasileiro que registrou setenta e nove garimpeiros desaparecidos, não sendo identificada nenhuma morte por parte das tropas da Polícia e do Exército. Talvez as melhores metáforas do faroeste amazônico sejam o conjunto de massacres, protagonizados pelo Estado e sua polícia, que aqui deixaram marcas em guerrilheiros, em garimpeiros, em sem terra...
A terceira linha de raciocínio que gostaria de retratar é uma contradição bem simples e evidente: a Caixa Econômica Federal, principal financiadora do filme, recebeu, segundo o Banco Central, mais de 900 quilos de ouro extraídos de Serra Pelada, mas não repassou o dinheiro aos garimpeiros, que há mais de vinte anos cobram mais de R$ 400 milhões deste banco, que nega o montante do débito e tem conseguido, por meio de manobras judiciais, retardar o pagamento. No filme, quando se fala da Caixa, apenas se mostra o preço justo pago pelo ouro... Mais uma vez coloca-se o curativo para não mostrar a ferida aberta.

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