quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Serra Pelada, o filme versus a história? (10)

O último ponto que gostaria de deixar para a reflexão é a falta de preocupação do filme com Serra Pelada. Embora seja demarcado temporalmente, talvez o filme pudesse, mesmo que através de metáforas, tratar da dramática situação atual do garimpo... Lógico que seria pedir demais diante de todos os argumentos anteriores. Mas o fato é que vivemos hoje uma nova corrida do ouro em Serra Pelada comandada pela empresa canadense Colossus que conseguiu o direito de lavra da mina através de acordo com a Cooperativa Mista dos Garimpeiros de Serra Pelada, acordo que começou com a distribuição dos minérios extraídos em 51% para a empresa e 49% aos garimpeiros, mas que se modificou em favor da empresa posteriormente e hoje está envolvido em um conjunto de denúncias do Ministério Público, que encontrou depósitos da empresa em nome particular de garimpeiros, bem como irregularidades nas eleições da cooperativa associada. De todo modo, o clima é de tensão total, não sem razão um acampamento de mais de quatro mil garimpeiros envelhecidos foi
montado em frente ao portão central da empresa que cercou a mina e opera com ajuda de escoltas armadas e da própria tropa de choque da polícia militar. Esse atual contexto não parece objeto de preocupação de diretor, dos atores...
Como os domínios de representação que são criados pela indústria cinematográfica criam verdades e difundem uma narrativa histórica única dos lugares, este texto é apenas para dizer: outras histórias devem ser ditas e ouvidas de Serra Pelada.
Bruno Malheiro, 19 de novembro de 2013.

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