quarta-feira, 13 de novembro de 2013

HIDRELÉTRICA: para que? Para quem? (I)

A região amazônica sempre foi vista como espaço possível de intervenção externa, com o objetivo de dela algo ser subtraído com a finalidade de ser transformado em insumo ou em  mercadoria.  Foi e está sendo assim com as mais diversas espécies de madeira, a seringa, o cacau, as oleaginosas, as plantas medicinais, animais silvestres, o solo , a água e o minério.
As intervenções sempre vem acompanhadas de implantação de infra-estruturas necessárias ao processo de apropriação dos recursos da natureza e expropriação das populações da região, as tradicionais, os povos indígenas ou populações que para cá vieram e lutam para se estabilizarem, mesmo contra as políticas do Estado. Sendo todas expulsas de seus territórios.
As infra-estruturas, que são publicizadas como elementos do desenvolvimento regional ou o progresso diante do atraso, mas não passam de instrumentos necessários à viabilização dos interesses dos intervencionistas, que tem sido: aeroportos, rodovias, linhões de transmissão de energia elétrica, ferrovias, portos, telefonias, hidrelétricas e hidrovias.
As hidrelétricas quando construídas pelo governo possibilitam que os intervencionistas, através de suas empresas, tenham energia elétrica subsidiada para desenvolvimento de seus projetos. Outra modalidade, na atualidade, são os consórcios, onde as empresas participantes recebem financiamento do Estado e se tornam donos da energia produzida, que depois é comprada pelo Estado.
Aqui queremos iniciar a discussão e questionamentos sobre a hidrelétrica Marabá, prevista para ser construída, a partir do ano de 2014, no rio Tocantins, entre os municípios de Marabá e São João do Araguaia, sem que até agora a sociedade regional e principalmente as populações a serem diretamente atingidas tenham tido informações necessárias para conhecer os impactos a serem produzidos pelo projeto.
Queremos adiantar que embora a divulgação feita pelas empresas e o Estado seja de que os impactos na maioria sejam positivos, isto não é verdade. Pelo que conhecemos do acompanhamento de vários projetos, é  que 90% dos impactos são negativos. A hidrelétrica de Tucuruí que vai completar 30 anos, ainda não resolveu todos seus problemas criados.
Outra questão importante é, a partir da avaliação bem feita, sobre quem ganha e quem perde com a construção e operação das hidrelétricas, como também o que ganham e o que perdem. Sempre quem ganha são os empresários e o Estado, muito dinheiro com venda de energia, impostos e tributos. Quem perde sempre são as populações das áreas onde é formado o lago e nas proximidades para onde acontecem as migrações. Além dos problemas sociais e ambientais, ainda tem que pagar energia muito cara, quando tem acesso.
E ainda,se as condições de bem estar neste país são os indivíduos e coletivos que constroem, procurando superar a falta de oportunidades para geração de renda, a insegurança no campo e na cidade, a não reforma agrária, a falta de habitação e saneamento básico nas cidades, a precária educação e serviços de atendimento a saúde, então o Estado não pode tirar  das pessoas as conquistas que obtiveram com muitas lutas.
Portanto, consideramos a discussão sobre a construção da hidrelétrica Marabá necessária e urgente, a partir destes elementos que procuramos alinhavar, não só por aqueles e aquelas que estão nas áreas onde poderão ser transformadas no lago, mas por toda a sociedade, somo todos nós quem perderemos. Não é quanto cada município atingido pela hidrelétrica poderá vir a receber, que está na pauta de discussão, mas sim a vida e a morte do nosso rio, dos animais e de milhares de pessoas. Para poucos lucrarem com a acumulação econômica.

Marabá, 11 de novembro de 2013.                          
  Raimundo Gomes da Cruz Neto

Engº Agrônomo, Sociólogo, Educador Popular do CEPASP

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