domingo, 19 de maio de 2013

MANDANTE DO ASSASSINATO DE DOROTHY É FAVORECIDO COM DECISÃO DO STF
 
            O Supremo Tribunal Federal, em decisão tomada no final do dia de ontem, anulou o julgamento do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, júri ocorrido em 12 de abril de 2010, no qual foi condenado a 30 anos de prisão. O argumento que os ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Teori Zavascki usaram para decidem pela anulação foi que, o defensor público, à época do júri não teve o tempo suficiente para estudar o processo e fazer a defesa do fazendeiro.
            A decisão do Supremo, na verdade, consagra uma manobra orquestrada pelos advogados de defesa do fazendeiro  Bida, que tinha como objetivo impedir a realização do júri naquele período.  Frente à manobra dos advogados de não participarem do júri, o juiz que presidia o processo nomeou então um defensor público para atuar na defesa e estipulou o prazo de 12 dias para que ele estudasse o processo. O argumento dos ministros de que o tempo foi curto, não tem fundamento, é um absurdo e que reforça ainda mais as armações dos advogados de defesa de mandantes de crimes no campo no sentido de impedir que a justiça seja feita.
            Com a decisão do Supremo, o fazendeiro Bida, irá a júri pela quarta vez. Uma vergonha! Situação que parece mais com enredo de novela do que com atuação de justiça séria. Fato que só aumenta o descrédito da sociedade em relação ao poder judiciário. Decisão como essa, fortalece ainda mais, a situação de impunidade que prevalece em relação aos crimes praticados contra os trabalhadores(as) rurais e suas lideranças, a mando de latifundiários.
            Caberá agora, ao Poder Judiciário paraense, marcar nova data para o julgamento e manter o acusado preso. Bida, o Coronel Pantoja e o Major Oliveira, são os únicos mandantes de crimes no campo, condenados pela Justiça paraense, e que se encontram cumprindo pena, num universo de mais de 800 assassinatos ocorridos no Pará nas últimas décadas. A lamentável decisão da mais alta corte de justiça desse país, serve apenas, para agravar ainda mais os conflitos e as mortes no campo brasileiro.
 
                                   Belém, 15 de maio de 2013.
                                   Comissão Pastoral da Terra - CPT Regional Pará.   

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