sábado, 11 de maio de 2013

27 anos sem Pe Josimo!

HÁ 27 ANOS, EM 10 DE MAIO DE 1986, NA CIDADE DE IMPERATRIZ DO MARANHÃO, O PADRE NEGRO DE SANDÁLIAS SURRADAS, COMO ERA CONHECIDO JOSIMO MORAIS TAVARES, SÍMBOLO DE RESISTÊNCIA CONTRA A OPRESSÃO, FOI ASSASSINADO POR LATIFUNDIÁRIOS DA REGIÃO DO BICO DO PAPAGAIO.
NASCIDO EM UMA FAMÍLIA HUMILDE, VEIO AO MUNDO NA PÁSCOA DE 1953, NA BEIRA DO RIO ARAGUAIA EM MARABÁ, NO PARÁ, QUANDO SUA MÃE ESTAVA A LAVAR ROUPAS. ANOS DEPOIS, JÁ NA CIDADE DE XAMBIOÁ, JOSIMO GANHA UMA IRMÃ, QUE LOGO VEM A MORRER DE DESNUTRIÇÃO.
AOS 11 ANOS DE IDADE, AINDA FRANZINO, JOSIMO CONTRARIA SUA MÃE DONA OLINDA TAVARES E DECIDE INGRESSAR NO SEMINÁRIO DIOCESANO LEÃO DEZOITO EM TOCANTINÓPOLIS. DE LÁ, SEGUE PARA BRASÍLIA, DEPOIS PARA APARECIDA DO NORTE EM SÃO PAULO, ATÉ CHEGAR A PETRÓPOLIS NO RIO DE JANEIRO, PARA ESTUDAR NO SEMINÁRIO FRANCISCANO.
TENDO COMO UM DOS SEUS PROFESSORES O FREI LEONARDO BOFF, O SEMINARISTA JÓSIMO FAZ SUA OPÇÃO PELOS POBRES ASSUMINDO SUA LINHA PASTORAL LIGADA A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO.
SABEMOS QUE ATÉ HOJE NO BRASIL É MUITO DIFÍCIL SER POBRE, NEGRO E FILHO DE CAMPONESES, E NA ÉPOCA NÃO ERA DIFERENTE, POR ISSO, JOSIMO FOI ALVO DE MUITOS PRECONCEITOS.
QUANDO TERMINOU OS ESTUDOS EM PETRÓPOLIS, DECIDIU VOLTAR A XAMBIOÁ, PARA DEDICAR SUA VIDA À CAUSA DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS RURAIS. FOI CONSAGRADO DIÁCONO EM 1978 E NO ANO SEGUINTE TEM SUA CONSAGRAÇÃO SACERDOTAL.
DEPOIS DE SE TORNAR PADRE, É ENVIADO PARA WANDERLÂNDIA, ATUANDO EM UMA ESCOLA SECUNDÁRIA E ASSUMINDO O TRABALHO DA PASTORAL DA JUVENTUDE DA CIDADE. FOI LÁ QUE COMPREENDEU COMO A CONCENTRAÇÃO DA TERRA ERA O PROBLEMA MAIS URGENTE DA POPULAÇÃO DA REGIÃO.
TAMBÉM FOI COORDENADOR DA PASTORAL DA DIOCESE, ATUANDO NA REGIÃO DO BICO DO PARAGUAIO, ÁREA NA ÉPOCA, CONHECIDA POR INTENSOS CONFLITOS DE DISPUTA PELA TERRA E QUE ANOS ANTES HAVIA SIDO O CENÁRIO DA GUERRILHA DO ARAGUAIA.
LOGO DEPOIS SE TORNOU UM DOS COORDENADORES DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA (CPT). A PARTIR DAÍ, JOSIMO PASSOU A DENUNCIAR OS GRILEIROS DE TERRA, A OPRESSÃO DOS LATIFUNDIÁRIOS CONTRA OS LAVRADORES E A DEFENDER OS DIREITOS DO POVO, CONSCIENTIZANDO-OS SOBRE SUA FORÇA.
POR SUAS IDÉIAS E AÇÕES, PROVOCOU ÓDIO NOS FAZENDEIROS DA REGIÃO, PASSANDO A RECEBER DIVERSAS AMEAÇAS DE MORTE. EM ABRIL DE 1986, JOSIMO SOFREU UM ATENTADO, MAS AS BALAS NÃO O ATINGIRAM.
UM MÊS DEPOIS DESSE ATAQUE, FOI ASSASSINADO COM DOIS TIROS PELAS COSTAS QUANDO SUBIA AS ESCADARIAS DO PRÉDIO ONDE FUNCIONAVA O ESCRITÓRIO DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA EM IMPERATRIZ.
EM UMA DE SUAS ÚLTIMAS OBRAS ESCRITAS, CHAMADA DE “TESTAMENTO”, O PADRE REAFIRMA A SUA FÉ NA LUTA E O SEU COMPROMISSO COM O EVANGELHO.
SEQUE AQUI ALGUNS TRECHOS DESTA OBRA:
JOSIMO DISSE:
“TENHO QUE ASSUMIR. ESTOU EMPENHADO NA LUTA PELA CAUSA DOS LAVRADORES INDEFESOS, POVO OPRIMIDO NAS GARRAS DO LATIFÚNDIO. SE EU ME CALAR, QUEM OS DEFENDERÁ? QUEM LUTARÁ EM SEU FAVOR? EU, PELO MENOS, NADA TENHO A PERDER. NÃO TENHO MULHER, FILHOS, RIQUEZA...
SÓ TENHO PENA DE UMA COISA: DE MINHA MÃE, QUE SÓ TEM A MIM E NINGUÉM MAIS POR ELA. POBRE. VIÚVA. MAS VOCÊS FICAM AÍ E CUIDAM DELA. NEM O MEDO ME DETÉM. É HORA DE ASSUMIR.
MORRO POR UMA CAUSA JUSTA.

História – O padre Josimo Tavares, 33 anos, foi assassinado na escada do edifício onde funciona a Comissão Pastoral da Terra (CPT) pelo pistoleiro Geraldo Rodrigues, que disparou dois tiros com um Taurus calibre 7.65. A primeira bala raspou no ombro direito e alojou-se na parede.
A segunda perfurou o rim e o pulmão e saiu pelo peito. O padre Josimo morreu, duas horas depois, no hospital. Duas semanas antes, durante a assembléia diocesana, em Tocantinópolis (TO), Josimo havia dito que estava sendo ameaçado de morte.
O assassinato do padre Josimo foi um dos casos de maior repercussão internacional dos anos 1980, época em que explodiu no Bico do Papagaio o conflito pela posse de terras.
Segundo os autos processuais, várias pessoas participaram do assassinato do sacerdote. O último a ser julgado e condenado foi o fazendeiro Osvaldino Teodoro da Silva, no dia 15 de setembro de 2010, pelo tribunal do júri popular em Imperatriz.
Identificado nos atos como um dos mandantes do assassinato, Osvaldino foi condenado a 16 anos e seis meses de prisão, mas ganhou o direito de recorrer da sentença em liberdade. 

TODOS OS ANOS OS LAVRADORES DA REGIÃO NORTE DO TOCANTINS CELEBRAM A MEMÓRIA DO PE. JOSIMO, UMA FORMA DE MANTER VIVA SUA HISTÓRIA E SEU LEGADO COM A LUTA PELA REFORMA AGRÁRIA.
 
HÁ 27 ANOS, EM 10 DE MAIO DE 1986, NA CIDADE DE IMPERATRIZ DO MARANHÃO, O PADRE NEGRO DE SANDÁLIAS SURRADAS, COMO ERA CONHECIDO JOSIMO MORAIS TAVARES, SÍMBOLO D...E RESISTÊNCIA CONTRA A OPRESSÃO, FOI ASSASSINADO POR LATIFUNDIÁRIOS DA REGIÃO DO BICO DO PAPAGAIO.
NASCIDO EM UMA FAMÍLIA HUMILDE, VEIO AO MUNDO NA PÁSCOA DE 1953, NA BEIRA DO RIO ARAGUAIA EM MARABÁ, NO PARÁ, QUANDO SUA MÃE ESTAVA A LAVAR ROUPAS. ANOS DEPOIS, JÁ NA CIDADE DE XAMBIOÁ, JOSIMO GANHA UMA IRMÃ, QUE LOGO VEM A MORRER DE DESNUTRIÇÃO.
AOS 11 ANOS DE IDADE, AINDA FRANZINO, JOSIMO CONTRARIA SUA MÃE DONA OLINDA TAVARES E DECIDE INGRESSAR NO SEMINÁRIO DIOCESANO LEÃO DEZOITO EM TOCANTINÓPOLIS. DE LÁ, SEGUE PARA BRASÍLIA, DEPOIS PARA APARECIDA DO NORTE EM SÃO PAULO, ATÉ CHEGAR A PETRÓPOLIS NO RIO DE JANEIRO, PARA ESTUDAR NO SEMINÁRIO FRANCISCANO.
TENDO COMO UM DOS SEUS PROFESSORES O FREI LEONARDO BOFF, O SEMINARISTA JÓSIMO FAZ SUA OPÇÃO PELOS POBRES ASSUMINDO SUA LINHA PASTORAL LIGADA A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO.
SABEMOS QUE ATÉ HOJE NO BRASIL É MUITO DIFÍCIL SER POBRE, NEGRO E FILHO DE CAMPONESES, E NA ÉPOCA NÃO ERA DIFERENTE, POR ISSO, JOSIMO FOI ALVO DE MUITOS PRECONCEITOS.
QUANDO TERMINOU OS ESTUDOS EM PETRÓPOLIS, DECIDIU VOLTAR A XAMBIOÁ, PARA DEDICAR SUA VIDA À CAUSA DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS RURAIS. FOI CONSAGRADO DIÁCONO EM 1978 E NO ANO SEGUINTE TEM SUA CONSAGRAÇÃO SACERDOTAL.
DEPOIS DE SE TORNAR PADRE, É ENVIADO PARA WANDERLÂNDIA, ATUANDO EM UMA ESCOLA SECUNDÁRIA E ASSUMINDO O TRABALHO DA PASTORAL DA JUVENTUDE DA CIDADE. FOI LÁ QUE COMPREENDEU COMO A CONCENTRAÇÃO DA TERRA ERA O PROBLEMA MAIS URGENTE DA POPULAÇÃO DA REGIÃO.
TAMBÉM FOI COORDENADOR DA PASTORAL DA DIOCESE, ATUANDO NA REGIÃO DO BICO DO PARAGUAIO, ÁREA NA ÉPOCA, CONHECIDA POR INTENSOS CONFLITOS DE DISPUTA PELA TERRA E QUE ANOS ANTES HAVIA SIDO O CENÁRIO DA GUERRILHA DO ARAGUAIA.
LOGO DEPOIS SE TORNOU UM DOS COORDENADORES DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA (CPT). A PARTIR DAÍ, JOSIMO PASSOU A DENUNCIAR OS GRILEIROS DE TERRA, A OPRESSÃO DOS LATIFUNDIÁRIOS CONTRA OS LAVRADORES E A DEFENDER OS DIREITOS DO POVO, CONSCIENTIZANDO-OS SOBRE SUA FORÇA.
POR SUAS IDÉIAS E AÇÕES, PROVOCOU ÓDIO NOS FAZENDEIROS DA REGIÃO, PASSANDO A RECEBER DIVERSAS AMEAÇAS DE MORTE. EM ABRIL DE 1986, JOSIMO SOFREU UM ATENTADO, MAS AS BALAS NÃO O ATINGIRAM.
UM MÊS DEPOIS DESSE ATAQUE, FOI ASSASSINADO COM DOIS TIROS PELAS COSTAS QUANDO SUBIA AS ESCADARIAS DO PRÉDIO ONDE FUNCIONAVA O ESCRITÓRIO DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA EM IMPERATRIZ.
EM UMA DE SUAS ÚLTIMAS OBRAS ESCRITAS, CHAMADA DE “TESTAMENTO”, O PADRE REAFIRMA A SUA FÉ NA LUTA E O SEU COMPROMISSO COM O EVANGELHO.
SEQUE AQUI ALGUNS TRECHOS DESTA OBRA:
JOSIMO DISSE:
“TENHO QUE ASSUMIR. ESTOU EMPENHADO NA LUTA PELA CAUSA DOS LAVRADORES INDEFESOS, POVO OPRIMIDO NAS GARRAS DO LATIFÚNDIO. SE EU ME CALAR, QUEM OS DEFENDERÁ? QUEM LUTARÁ EM SEU FAVOR? EU, PELO MENOS, NADA TENHO A PERDER. NÃO TENHO MULHER, FILHOS, RIQUEZA...
SÓ TENHO PENA DE UMA COISA: DE MINHA MÃE, QUE SÓ TEM A MIM E NINGUÉM MAIS POR ELA. POBRE. VIÚVA. MAS VOCÊS FICAM AÍ E CUIDAM DELA. NEM O MEDO ME DETÉM. É HORA DE ASSUMIR.
MORRO POR UMA CAUSA JUSTA.

História – O padre Josimo Tavares, 33 anos, foi assassinado na escada do edifício onde funciona a Comissão Pastoral da Terra (CPT) pelo pistoleiro Geraldo Rodrigues, que disparou dois tiros com um Taurus calibre 7.65. A primeira bala raspou no ombro direito e alojou-se na parede.
A segunda perfurou o rim e o pulmão e saiu pelo peito. O padre Josimo morreu, duas horas depois, no hospital. Duas semanas antes, durante a assembléia diocesana, em Tocantinópolis (TO), Josimo havia dito que estava sendo ameaçado de morte.
O assassinato do padre Josimo foi um dos casos de maior repercussão internacional dos anos 1980, época em que explodiu no Bico do Papagaio o conflito pela posse de terras.
Segundo os autos processuais, várias pessoas participaram do assassinato do sacerdote. O último a ser julgado e condenado foi o fazendeiro Osvaldino Teodoro da Silva, no dia 15 de setembro de 2010, pelo tribunal do júri popular em Imperatriz.
Identificado nos atos como um dos mandantes do assassinato, Osvaldino foi condenado a 16 anos e seis meses de prisão, mas ganhou o direito de recorrer da sentença em liberdade.

TODOS OS ANOS OS LAVRADORES DA REGIÃO NORTE DO TOCANTINS CELEBRAM A MEMÓRIA DO PE. JOSIMO, UMA FORMA DE MANTER VIVA SUA HISTÓRIA E SEU LEGADO COM A LUTA PELA REFORMA AGRÁRIA

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