terça-feira, 2 de abril de 2013

Artigo: Centenário em reflexão



Damião Solidade dos Santos[*]

Apresentamos as principais informações sobre os primeiros habitantes do município de Marabá, a partir de informações obtidas no livro História de Marabá de Maria Virgínia Bastos Mattos, publicado em 1996.

Semelhante ao processo de habitação e colonização do Brasil (descobrimento ou invasão?) os índios são considerados os primeiros habitantes. Da mesma forma, também foram os indígenas os pioneiros da região de Marabá, mesmo antes de Carlos Gomes Leitão e Francisco Coelho da Silva (pessoas tidas como as principais fundadoras de Marabá).

O Coronel Carlos Gomes Leitão, vindo de Tocantinópolis – TO, entre 1894 e 1895, instalou o Burgo Agrícola Itacaiúnas, com apoio de 100 (cem) pessoas inicialmente nas proximidades do rio Itacaiúnas, numa área denominada “Quidangues”, posteriormente devido febres (malária) que acometiam as pessoas tiveram que se mudar para as margens do rio Tocantins.

Vimos que depois dos índios, os primeiros habitantes, são os/as agricultores/as liderados/as por um “coronel” que inicialmente desenvolvem agricultura e depois criação de gado em campos naturais, que pelo fracasso da colônia agrícola, passam para o extrativismo do caucho (Castilha elástica) e sucessivamente pela castanha do Pará (Bertholetia excelsa), consideradas as primeiras riquezas (atividades econômicas) de Marabá.

Atraídos pela exploração do caucho vieram várias pessoas dos estados do Maranhão, Goiás, Piauí, Ceará e outros. Originando no meio da população “os comerciantes”, que fizeram surgir o povoado de Marabá, em 7 de junho de 1898, sob a liderança do maranhense de Grajaú Francisco Coelho da Silva “Chico”.

A articulação política de comerciantes, políticos e intelectuais desencadeia uma organização para a emancipação política administrativa da localidade transformando em cidade e município, ato ocorrido em 05 de abril de 1913. Data de maior referência e comemoração, que no presente momento celebra seu primeiro centenário.

Atualmente os índios vivem nas “Reservas Indígenas”, mantém várias relações com a população urbana. Por exemplo: os índios Gavião, situado às margens da rodovia BR 222, as suas moradias não são mais as tradicionais “ocas”, tem escola, campo e time de futebol profissional, desenvolvem plantações agrícolas e recebem ajuda de custo (dinheiro). O referido apoio financeiro é dado através da mineradora Vale, em decorrência da Estrada de Ferro Carajás passar por dentro da área indígena e pela Eletronorte que tem o “linhão” de energia elétrica oriundo da Hidrelétrica de Tucuruí. Elegeram pela primeira vez um vereador.

Os/as agricultores/as e os/as comerciantes presentes desde a fundação de Marabá existem até hoje, evoluíram e diversificaram suas atividades. Ao longo do desenvolvimento da cidade e do campo. Surgiu o que podemos chamar de profissões ou grupos sociais, são: os/as castanheiros/as, as lavandeiras, os/as pescadores/as, os/as barqueiros/as e canoeiros/as, os garimpeiros de diamante e depois de ouro, oleiros/as, os/as comerciários/as, empresários/as, os/as ambulantes, os/as bancários/as, metalúrgicos/as, os garis, os pedreiros/as, carpinteiros, os/as motoristas e outros/as. Deve ter ficado de fora pouca gente! O nosso espaço aqui é limitado, fica a sugestão de uma pesquisa para estudar o papel dos referidos grupos sociais na construção do município envolvendo campo e cidade.

Referências

MATTOS, M. V. B. História de Marabá. Marabá - PA: Grafil, 1996.

 

Publicado no Jornal Opinião, Marabá– Pará, 2 e 3 de abril de 2013, Edição: 2309,  p. 2.

 



[*] Professor na Rede da Secretaria Municipal de Educação de Marabá (SEMED) e Extensionista Rural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (EMATER-PARÁ). dsolidade@bol.com.br
 

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