sexta-feira, 29 de março de 2013

O "Centenário": o que diz uma cidadã?

Marabá, desses teus 100 anos o que temos para comemorar?
Terra de índio sem terra, de gente sem moradia e sem terra, de oligarquias permanentes, de grileiros profissionais, de coronéis autoritários, de políticos latifundiários, lugar de gente sofrida, lutadora e honesta.

"Marabá-la", rica pelos contrastes sociais, conhecida nacionalmente pela violência, pelo saqueamento de suas riquezas naturais, pelo caos na saúde, na educação, pelos conflitos sociais, pela corrupção, pela falta de políticas públicas, pela sua ilusão de emacipação, pela violência contra mulher, contra os homossexuais, contra criança, contra os jovens.
...
Marabá, governada não pelo povo, e sim por uma classe dominante que se instalou aqui se tornando rica e soberana pela apropriação e espoliação de suas terras de forma violenta e opressora.

Marabá, dominada e manipulada pelas grandes cooporações instaladas que lucram milhões extorquindo e explorando a classe trabalhadora de forma cruél, desvalorizando, a sua cultura, contaminando seus rios, e iludindo a sua gente com a ideologia de desenvolvimento econômico com oportunidades pra todos.

Marabá, conhecida mundialmente como “Tigre da Amazônia”, devido ao seu potencial econômico também estampa os grandes noticiários se destacando entre as cinco cidades do país com pior transmição em internet, tratamento de lixo, saneamento e mortalidade infantil, além de ser a pior em criminalidade.

É isso que temos que comemorar nesses 100 anos de desenvolvimento primitivo??

Onde a lógica do seu desenvolvimento está voltado para poucos...
Com essas especificidades e práticas usurpadora teremos um "futuro histórico minha adorada Marabá"?

Ah, Marabá, como filha da terra lamento e me indiguino por tantas insjustiças feita contra te, e contra teus filhos, mas desejo que à parti desses 100 anos que tú se torne mais autônoma, mais forte, mais bonita e vigorosa, mais justa e igualitária, mais emancipada, mais esclarecida, mais rica de pessoas conscientes, mais segura para se viver, mais cheia de oportunidades para teu povo, mais aculturada, menos usurpada, menos manipulada pelo teus governantes, menos dominadas pela classe dominante.

Que tú sejas mais valorizadas pelo teu povo e pelos os imigrantes que aqui pisão para ganhar seus sustentos que eles te respeite e te valorize como terra de índios, de cabloco, de ribeirinhos, de garimpeiros, de operários, e te recolheça como uma cidade que tem um povo que pensa e que luta por dias melhores.

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Celma Campelo Silva.
Filha de Marabá, nascida e criada nessa cidade, trabalhadora, Técnica em Segurança do trabalho, militante social, ativista, estudante universitária do curso de Ciências, sociais da UFPA, bolsista e futura socióloga, cientista social e educadora na luta e na construção por uma Marabá melhor pra se viver.

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