quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Ameaçada de Morte, Laísa Santos ainda aguarda proteção policial 5

Você teve de fugir?

Depois do assassinato, passei sete meses em Marabá, pois começamos a receber recados. Mataram meu cachorro a tiros, alvejaram a porta da minha casa, disseram que, se continuasse falando, ia acontecer a mesma coisa. O último episódio foi em agosto. Estava chegando em casa quando uma moto parou com duas pessoas de capacete. Estavam longe e avançaram em minha direção. Corri. Quando gritei, recuaram e saíram do meu rumo. Acho que pensaram que havia alguém perto.

O que mudou em sua rotina?

Minha liberdade. Andava de moto sozinha até a cidade, hoje não tenho essa coragem. Para esperar um carro na estrada, meu marido tem de me acompanhar. Se vou de moto para a cidade, peço à viatura da polícia para me acompanhar na volta. Não posso participar de confraternizações da comunidade. Na ultima eleição, fui à festa de um vereador eleito e lá tinha parentes de uma pessoa que sei que quer tirar minha vida. Mas não tem jeito, é uma comunidade pequena. Sou professora de um sobrinho dos que são acusados de serem os assassinos de Maria e Zé Cláudio.

Que tipo de trabalho você faz?

Sempre trabalhei na escola com a questão do extrativismo como ferramenta do desenvolvimento sustentável. Enquanto a Maria e o Zé Cláudio faziam o enfrentamento contra a atividade ilegal, eu trabalho na sensibilização por meio da educação. É um projeto de arte e educação para o desenvolvimento sustentável. Mas fui recebida com abaixo-assinado contra o meu retorno. Eram 13 no grupo de mulheres extrativistas e passamos a ser só 5. Algumas delas admitiram que não tinham coragem, ficavam com medo porque tinham ouvido falar que iriam me matar.

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