sexta-feira, 29 de junho de 2012

Trocate na Academia de Letras

Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST


Charles Trocante, poeta e militante do MST no Pará, será empossado na Academia de Letras Sul e Sudeste Paraense (ALSSP) neste sábado (30). O poeta militante utiliza das palavras para denunciar, de forma lírica, os males do latifúndio e do agronegócio na região.
Segundo Ademir Braz, membro da ALSSP, “ao contrário do lutador de Drummond, porém, ele não se confronta com os vocábulos, nem tenta seduzi-los para prover seu próprio sustento num dia de vida. Cultiva-os, em verdade, para saciar a sede de justiça de um povo e de uma terra profundamente espoliados pela voracidade do latifúndio e das grandes corporações”.

Charles trabalha com temas ligados à vida dos trabalhadores, como a sua exploração pelas grandes empresas:

É ríspida a fronteira
E não me orgulham o níquel e sua aflição

Não é moda
Trabalhar até que a força seja bálsamo
Antúrios
Velados

A fé espontaneamente
Obedece a fé
É risível toda invenção onde o verão
Foi machucado

Eu velejo
Um andaime da noite foi visto
A cova
Aberta da natureza
Dormiu comigo toda a madrugada

Tudo o que disse
É provisório!
Ou sofrimento do povo por causa de doenças causadas pela extração de Minério pela Vale do Rio Doce na região:

Enquanto me deixo só
Sem cavalo nem país esticando o invisível,
De poste em poste
Adivinhando o desapego 
A febre oculta persegue o abdominal do
                                                      tempo
É gripe! 
E não convém sua imprevisibilidade

Na garganta
Outros mormaços se fazem
Chamo para uma dança sem fim
                                  a racionalidade
Mas ela foge em disparada
E acena um raro pacto
Intimo.

Tudo que vivi me habita
E não emagreço o instante
Se quis viver
Fiz um exercito para o cotidiano
Calcinei o cálculo
E os lugares.

A fadiga
É mesmice sentada no balcão do mercado
Um terno de coisas toscas.

A cerimônia acontece na Escola Irmã Teodora na Liberdade em Marabá (PA), às 17h. Charles irá assumir a cadeira de nº16, e terá como patrono o escritor paraense Dalcídio Jurandir (1909-1979), romancista que implantou a Amazônia na Literatura Brasileira, além de tratar do proletariado brasileiro em suas obras.

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