sábado, 25 de fevereiro de 2012
Anedotário político de Marabá
Na foto acima (Arquivo Fundação Casa da Cultura), o engenheiro Alberto Moussallem aparece sendo carregado na enchente de 1980. (...) Ele exerceu cargo público em Marabá, ocupando cadeira na Câmara Municipal, marcando sua trajetória política por tiradas folclóricas e discursos polêmicos, reforçada pela arrastada voz rouca que o caracterizava.
Para alguns, apenas folclórico.
Segundo outros, um visionário que teve a petulância (o termo é esse mesmo para os padrões de reacionarismo da época) de sugerir o desvio do rio Itacaiúnas, depois da famosa enchente de 1980, para acabar com as cheias que sempre atormentaram, sazonalmente, a vida de alguns marabaenses.
Vítima da galhofa e gozação dos mais zoados, a proposta de Alberto Moussallem fertilizou mentes e ganhou proporções de acordo com o interesse de cada contador de causos, enriquecendo o anedotário político.
Mas, ao fim e ao cabo, o então vereador estava coberto de razão, descontando a inaceitável possibilidade do município se ver distanciado do trecho que forma a foz do rio em sua junção com o Tocantins.
Crível em todos os sentidos, tecnicamente, o desvio do Itacaiúnas para desaguar no Tocantins um pouco acima da praia Croa Pelada, reduziria em 40% o volume de água que cerca a cidade, fazendo desaparecer os alagamentos nos bairros da Nova Marabá e Cidade Nova, às margens da atual calha do rio.
Claro, olhando do ponto de vista cultural e poético, a sociedade jamais aceitaria perder um dos trechos mais belos do sofrido rio, exatamente aquele riscado de curvas e que leva suas águas ao beijo definitivo com o Tocantins.
Como representante da comunidade eleito democraticamente à época, o engenheiro Alberto Moussallém cumpriu com seu dever de propôr soluções para um dos problemas que mais afligem determinados moradores, no período invernoso.
No fundo, Alberto foi um homem que cultivava a boa conversa, se delongava em prosas políticas isentas de qualquer tipo de maldade.
Figura humana incompreendida, mas que amava Marabá em toda a sua plenitude. (Texto: Blog do Hiroshi)
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