quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

NÃO PODEMOS ESQUECER!

24 anos do massacre dos garimpeiros!




Em três tomos o blog Contraponto & Reflexão relembra o massacre feito contra garimpeiros na Pinte sobre o Rio Tocantins em 29 de dezembro de 1997. No 1º o sociólogo Tiago Martins incendeia o debate; No 2 º é uma parte de um fragmento de uma dissertação  que trás a entrevista de garimpeiros   e no 3º tomo um manifesto do Movimento Nacional dos Direitos Humanos. 


Primeiro Tomo


É queridos, hoje 29 de dezembro, completa mais 01 ano de impunidade no sudeste paraense. Foi em 29 de dezembro de 1987, que mais um massacre acontecia neste pedaço de mundo. Foi o massacre contra os garimpeiros na ponte rodoferroviária sobre o Rio Tocantins. Outro dia Evandro Medeiros fazia uma colocação interessante sobre os suscetivos massacres nesta região, 'primeiro' o massacre de camponeses e guerrilheiros na Guerrilha do Araguaia(década de 70), depois massacre de Garimpeiros sobre a ponte do Rio Tocantins(década de 80), depois massacre de Eldorado dos Carajás(década 90), sem falar nas dezenas de lideranças que foram assassinadas nos intervalos(e após) de um massacre e outro. O que essa sequência de massacres e assassinatos constrói nessa região? Toda vez que o povo se propõe a discutir o projeto pra essa região, o povo é massacrado. Essa história já deu, é hora do povo voltar pro centro do palco e dizer que não temos medo. E que só deixaremos de lutar quando essa região servir para o seu povo, ao povo brasileiro, e não aos interesses de políticos canalhas e de empresas multinacionais. Pátria Livre! Venceremos! "O terreiro lá de casa Não se varre com vassoura, Varre com ponta de sabre E bala de metralhadora." Geraldo Vandré (Tiago Martins - Sociólogo)




Segundo Tomo


 Premidos pela necessidade e inconformados com a situação, os garimpeiros resolvem lutar de forma mais direta para conseguir seus objetivos, e no final de dezembro de 1987 fecham a ponte rodoferroviária sobre o rio Tocantins em Marabá. Como uma forma de falarem da sua insatisfação, eles se posicionaram ali em defesa daquilo que eles supunham seus direitos (...)
(...) Quando o governador Hélio Gueiros autorizou a PM a desobstruir a ponte, “de qualquer maneira”, vários dos militares que não haviam esquecido o passado, para eles humilhante, acharam que chegara a hora de ajustar as contas, indo além do que exigia uma operação como aquela.
            Segundo o relatório do delegado Wilson Perpétuo assegura como “praticamente certo que as tropas de Marabá dispararam sobre os garimpeiros, enquanto a tropa de choque (que veio de Belém) não fez uso de armas de fogo, embora estivesse armada com revólveres”. Esse detalhe comprovaria que a PM estava se vingando da “desonra” de 14 meses antes.(...) (Fragmento da dissertação de Manoel Oliveira da Silva)

Terceiro Tomo
MOÇÃO DE APOIO AOS GARIMPEIROS DE SERRA PELADA

Tendo em vista os trágicos acontecimentos ocorridos durante a manifesta ção dos garimpeiros, que exigiam de parte do governo federal obras que viabilizassem a continuação dos trabalhos, e que foi violentamente repri mida pela polícia militar, com um saldo de dezenas de mortes, inclusive de mulher grávida, o V Encontro Nacional de D. H. considera:
1 - O agravamento de situação em serra pelada decorre da postura do governo federal em relação aos minérios, marcadamente no sentido de favorecer as grandes empresas mineradoras nacionais e multinacionais, desconhecendo o direito dos garimpeiros que vivem unicamente dessa atividade.
2 - Decorre também da espoliação, programada e incentivada pelo governo federal, da região amazônica, cujas riquezas naturais estão sendo exploradas de forma criminosa, não realizando-se nenhum benefício con creto.
3 - A violência empregada para reprimir a manifestação dos garimpei ros foi autorizada e incentivada pelo governador paraense “Hélio Gueiros” e pelo ministro da justiça “Paulo Brossard” cujas posturas têm sido, sem dúvida, de caráter fascista e entreguista.
4 - A polícia militar do Pará tem se caracterizado como o braço armado do latifúndio e das empresas mineradoras e pela violência indiscri minada aos necessitados, num franco desrespeito aos direitos humanos.
Nesse sentido, o V Encontro Nac. de D. Humanos repudia veemente mente a postura dos governos estaduais e federais frente aos problemas de Serra Pelada, exigindo a punição dos responsáveis pela chacina, inclu sive o governador Hélio Gueiros e o ministro Paulo Brossard, solidari zando-se com as lutas dos garimpeiros bem como com as de todo o povo oprimido e espoliado da região amazônica.
Comissão executiva do Encontro

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