quinta-feira, 2 de junho de 2011

O Estado da Violência! (ii)

"Violência no DNA"

A violência rural no Pará se concentra justamente em Carajás. A região, originalmente povoada por comunidades tradicionais --indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhos--, sofreu um crescimento populacional nas décadas de 60 e 70, quando migrantes nordestinos chegaram ao Pará para trabalhar em grandes obras financiadas pelo governo federal, como a construção das rodovias Belém-Brasília e Transamazônica, ou para trabalhar na mineração, o que gerou uma massa de trabalhadores sem-terra após o fim das obras.
Também na década de 70, o governo militar incentivou a abertura de fronteiras agrícolas nas bordas da Amazônia, o que atraiu fazendeiros das regiões Sul e Sudeste, provocando o avanço do latifúndio para as áreas ocupadas por comunidades tradicionais e posseiros.
A busca por propriedades também provocou o aumento brutal da grilagem [falsificação de documentos de propriedade] de terras. Para se ter uma ideia, se fossem considerados os registros em cartório, por conta da sobreposição de documentos, o território do Pará teria, em 2009, 490 milhões de hectares, o que representa mais de três vezes o tamanho real do Estado, segundo dados do Tribunal de Justiça (TJ).

Violência no Pará

  • Das 555 mortes

    no campo registradas em todo o país, 231 (41,6%) ocorreram no Pará

  • Entre 2000 e 2011

    dos 42 agricultores que recebiam ameaças de morte e foram assassinados, 17 vivam no Pará

  • 30 camponeses

    foram “jurados” de morte no Pará em 2010

    “A violência está no DNA da estrutura social fundiária brasileira. Na raiz de tudo está a disputa pelo território. Só a democratização do acesso à terra e aos bens naturais minimizará ao extremo a violência no campo”, afirma Ulisses Manaças, liderança do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no Pará. “Os crimes acontecem onde o Estado não está atuando. É preciso ampliar a presença do Estado, não só na repressão, mas nas políticas sociais, na implantação de infraestrutura”, diz o ativista.

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