terça-feira, 21 de junho de 2011

Estado de Carajás: Pesadelo ou sonho? 1

                            Emancipação do Estado de Carajás, sonho ou pesadelo?

         A realização do plebiscito é uma oportunidade da população debater as mazelas que assola a nossa região. Os separatistas usam o discurso ideológico para convencer à população do sul e sudeste paraense que a divisão é a alternativa para combater as desigualdades sociais na região. O discurso utilizado pelos separatistas afirma que as mazelas que assolam a humanidade são problemas regionais e de maus políticos, haja vista, a desculpa de que a resolução dos problemas de nossa região é ocasionada pela má administração do Governo Estadual.
         Entendemos que o discurso é forte, pois, o povo vive de esperanças e não procura entender o porquê de tanta miséria. Dessa forma, não podemos concordar com esse propósito de convencimento, para tanto, precisamos desmistificar alguns argumentos dos dois lados (Pará X Carajás). Vale ressaltar, que a defesa dessa separação e ou permanência é arduamente abraçada pelos capitalistas que vivem sugando as “TETAS” Estatais. Para maiores esclarecimentos podemos frisar os estudos de ambos os lados, que favorecem suas opiniões na defesa de seus interesses, vejamos em primeira mão a questão econômica, essa como se sabe é relativa, depende do ponto de vista que ela está focada, exemplo: os estudos financeiros divulgados pelas duas regiões em questão, ora beneficia a manutenção do Estado do Pará, ora privilegia o pretenso Estado de Carajás. Assim, percebemos que essa defesa é fundamentada simplesmente com o objetivo de manter a burocracia Estatal. Na proposta de emancipação atual, vocês sabem quais as metas de investimento em reforma agrária, saneamento básico, saúde, educação e infraestrutura? Ou vai ficar como é de praxe, só se investe com segundas intenções visando o lucro dos apadrinhados?
          “A história de toda sociedade é a história da luta de classe (Karl Marx). A classe dominante de nossa região precisa do aparato Estatal para melhor decidir os rumos de nossas vidas, pois, não se sentem representados pelos do lado de lá (Pará), que são da mesma classe dominante. Quando falamos que o discurso é ideológico, fala-se que os enunciadores dessa proposta fazem parte de uma elite latifundiária e política que querem iludir a população. Ora, será se há a necessidade de separar a unidade da federação para resolver os problemas aqui vividos por nós trabalhadores? Pois, eles não sofrem os mesmo problemas como: SAÚDE, EDUCAÇÃO, HABITAÇÃO, REFORMA AGRÁRIA, SANEAMENTO etc. Os fazendeiros de lá como os de cá tem os mesmos pensamento sobre a reforma agrária! São contra, os donos de clinicas de lá lucram com os doentes como os daqui; os tubarões do ensino particular tanto os daqui como os de lá visam o lucro; a classe dominante daqui como a de lá tem mansão e varias casas para alugar.
                 O que se compreende por “ausência do Estado”? Desde o primórdio de Marabá que o Estado se faz presente, exemplo: Carlos Leitão recebeu financiamento do governo para coleta do cauche (borracha), construção do aeroporto, banco da borracha, banco do Brasil. O governo também doou concessão de castanhais, abertura das estradas, incentivos fiscais para derrubar a floresta e apropriar-se das terras já ocupadas por trabalhadores, extração do minério de ferro pela vele do rio doce, quartel do Exercito e Policia Militar, Hidroelétrica de Tucurui e o financiamento da implantação da ALPA com direito a uma área cujo valor é de 60 Milhões de reais, hidrovia e incentivo fiscais do município. Foram bilhões em recursos aqui investidos que beneficiaram somente as famílias da classe dominante.       
O tamanho da unidade da federação, na proposta de divisão é: Carajás  284.721Km2, equivalente a 25% do território do Pará. Os separatistas alegam que é impossível administrar o Pará com dimensão continental, portanto, o Carajás já seria a nona unidade da federação em tamanho territorial. Aliás, juntando as unidades da federação, Sergipe, Alagoas, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Norte juntos, Carajás seria ainda maior. A questão não é o tamanho, é o modelo de desenvolvimento capitalista. No discurso dos separatistas percebe-se que o argumento de que um território menor é mais fácil para ser administrado é falho. Sergipe é a menor unidade da federação, dez vezes menor do que a proposta de emancipação de Carajás, em tese Sergipe seria a melhor e mais desenvolvida unidade da federação, mais uma falácia dos separatistas!
    Otávio Barbosa
Sindicalista

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