terça-feira, 31 de maio de 2011

Procurador: "Polícia do PA não tem condições de apurar mortes"

O procurador da República Tiago Rabelo, que atua em Marabá, avalia que os altos índices de violência no campo em especial na região sul do Pará se justificam pela falta de policiais e servidores responsáveis por investigar os crimes. "A Polícia Civil, hoje em dia, não tem pernas para apurar", comenta. "Nessa região, notadamente, os governantes compadecem com uma polícia pessimamente estruturada".
Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), 1.581 pessoas foram assassinadas no campo nos últimos 25 anos. E a maior parte dos crimes ocorre no Pará. Só em 2010, foram 18 casos no Estado dos 34 registrados em todo o País.
Na última semana, no Pará, foi assassinado o casal de líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo. No sábado (28) assentado Herivelto Pereira dos Santos também foi morto na mesma região. A CPT afirma que o Ministério Público tinha sido informado de que José Cláudio e Maria eram ameaçados, o que Rabelo nega. Ele rebate a dificuldade de ação dos procuradores também com a falta de pessoal.
- A CPT tem razão em evidenciar a propalada impunidade, que de fato existe, mas o Ministério Público Federal não pode invadir a atribuição de outros órgãos, é bom que fique claro - justifica.
Em seguida, aponta que até mesmo os órgãos federais não dão conta das demandas. Rabelo, que é membro da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo e atua em Marabá há mais de dois anos, avalia que muitos servidores se negam a trabalhar na região.
- No Sul e Sudeste do Pará são 38 municípios para apenas dois procuradores da República e nove delegados da Polícia Federal... Ouve-se muito que a Amazônia Legal é prioridade, mas se fosse prioridade mesmo não seria assim. A realidade aqui é de extrema carência de pessoal e de equipamento.

Fonte: Terra Magazine / Dayanne Sousa
http://www.abong.org.br/noticias.php?id=3847

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