segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

AHE Marabá em debate!

Informativo avalia os efeitos da construção da Hidrelétrica de Marabá
O Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA), organizado por meio de uma parceria da Universidade Federal do Pará com o Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), lança, nesta sexta-feira, 18,  o Boletim impresso “O Direito de Dizer ‘Não’ à Hidrelétrica de Marabá. “Queremos, com isso, mostrar o desmazelo do Projeto de Aproveitamento Hidrelétrico de Marabá (AHE) com os moradores da região”, afirma a professora Joseline Trindade, uma das criadoras do Boletim.
A cerimônia será realizada no auditório do Campus de Marabá da UFPA, às 18h. A ideia é que o Informativo suscite discussões relativas à construção da Hidrelétrica. A professora Joseline Trindade explica que povos e comunidades tradicionais (indígenas, quebradeiras de coco babaçu, pescadores, extrativistas), assim como moradores da cidade e assentados sofrerão direta ou indiretamente. “Isso acabará levando à desterritorialização de grupos sociais e a profundos conflitos socioambientais”, pondera a professora.
Para a produção do Boletim, a equipe de pesquisa entrevistou, durante um ano, a população da região e participou de reuniões sobre o assunto. O Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a  Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Fundação Casa da Cultura de Marabá (FCCM) foram algumas das instituições que ajudaram o grupo a fazer um levantamento de dados mais consistentes.
O Boletim será composto por um mapa que apresenta as áreas ameaçadas pela Hidrelétrica. Mas não se resume apenas nisso, segundo afirma Joseline Trindade. “Além do mapa, o informativo traz as opiniões, as angústias, as inseguranças dos sujeitos sociais frente à falta de informações, as intrusões em seus territórios e, principalmente, a ameaça do deslocamento compulsório”. Serão, no total, 450 exemplares, distribuídos, gratuitamente, a instituições, comunidades envolvidas e ao Ministério Público Federal.

Dimensões – Afetando 40 mil pessoas e com um prazo de construção para oito anos, o Projeto tem um custo estimado em dois bilhões de dólares e atingirá 12 municípios dos Estados do Pará, Maranhão e Tocantins. A Hidrelétrica de Marabá terá a capacidade de produção de 2.160 Megawatts de potência, formando, para isso, um lago de 3.055 km², bem maior que o formado pela Hidrelétrica de Tucuruí. Do total inundado, 110 mil hectares são de terras férteis, segundo dados das Centrais Elétricas do Norte (Eletronorte).
Esta já é a 4ª edição do Informativo. Anteriormente, o PNCSA já havia realizado os Boletins nº  01 e nº 02, ambos sobre a Hidrelétrica do rio Madeira, em Rondônia; e o nº 03, sobre os impactos do Projeto Portal da Amazônia, em Belém.
Apesar de impresso, o Informativo também será disponibilizado na forma digital, no site do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia. O objetivo deste Projeto é realizar um trabalho de mapeamento social dos povos e das comunidades tradicionais na Amazônia, enfatizando a diversidade das expressões culturais combinadas com distintas identidades coletivas encontradas em movimentos sociais.

O Jornal Beira do Rio já publicou uma reportagem sobre o PNCSA. Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.
Flávio Meireles – Assessoria de Comunicação da UFPA.

(Postado originalmente Aqui)

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