domingo, 14 de novembro de 2010

ENCONTRO REGIONAL DOS MOVIMENTOS SOCIAIS



Período:  03, 04 e 05 de dezembro de 2010.
Local: Centro de Formação Cabanagem, Fola 21, Nova Marabá, Marabá-Pará.
Tema: Expansão do capital na região e o papel dos movimentos sociais


Os olhos do mundo arregalados para a exploração dos recursos naturais para fins de acumulação econômica estão voltados para a região sul e sudeste do Pará desde o final da década de 1960, quando do inicio das pesquisas minerais por empresas dos Estados Unidos, através de suas subsidiárias. Mesmo que na década de 1950 já havia exploração de madeira na região, feita através dos rios e igarapés, por empresas também americanas.
Este interesse começa a ampliar-se a partir do inicio da década de 1970 com a intensificação da geopolítica traçada pelo governo da ditadura militar, que toma conta do país com o golpe de 1964 e abre as portas para o capital internacional expandir-se na apropriação riquezas da Amazônia brasileira.
É a partir deste período que vamos viver a era dos grandes projetos na Amazônia e na região, com a construção de rodovias, ferrovias, aeroportos, hidroelétricas, como infra-estruturas de que necessitavam as corporações para implantação de futuros empreendimentos.
Além das infra-estruturas o governo criou instrumentos políticos que possibilitasse a ação, sem fronteiras, do capital nacional e internacional, com a criação da SUDAM-Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia, do BASA-Banco da Amazônia S.A.,  do FINAM-Fundo de Investimento da Amazônia e de políticas de incentivos fiscais com isenção de impostos.
Nestes 30 anos foi construída a hidroelétrica de Tucuruí, e a Ferrovia Carajás\Ponta da Madeira, as florestas foram destruídas, com a retirada das madeiras retiradas e o solo sendo coberto por pastagens. O projeto minero\siderúrgico passou a dirigir as frentes de acumulação econômica e de degradação social e ambiental.
Com este modelo os trabalhadores rurais que lutaram pela conquista da terra e pela garantia de um local para produzir e reproduzir-se estão sendo os mais atingidos diretamente. As cidades se transformam em grande aglomerados de pessoas que se amontoam nas ocupações urbanas, sem saneamento básico, sem moradias adequadas, sem serviços de saúde, sem educação e sem segurança.
A forma de apropriação dos recursos minerais feita pela empresas multinacionais, como a Vale, Alcoa, Anglo America, Xstrata, Rio Tinto e, outras, é perversa, espoliando e saqueando nossas riquezas.
Diante da situação, que só se agrava, faz necessário que os movimentos sociais de trabalhadores(as) rurais e urbanos e estudantes, discutam com afinco de como continuar resistindo e construindo  lutas de enfrentamento da situação. Para tanto, estamos organizando este encontro que contará com a participação de representantes do Sul, sudeste, Nordeste e Oeste paraense.

Um comentário:

Osorio Pacheco disse...

Expansão econômica se faz com capital e trabalho.
O capital, estrangeiro ou nacional, de grandes empresas ou de pequenas empresas é capital.
Qualquer forma de tratar o assunto, com movimentos sem compromisso com a produtividade e a eficiência é uma fantasia.
Tratar o trabalhador rural como um eterno merecedor de ajuda oficial é desmerecer os que realmente trabalham e dar guarida a uma penca de malandros que a maior atividade é comercializar o que ganham. Seja a própria terra ou seus insumos.
Dar guarida a associações dirigida por "profissionais" oportunistas que fazem disso meio de vida e não associativismo é nutrir a fraude.
Quando os agricultores familiares virem suas atividades como agronegócio, em pequena escala, mas com os mesmo princípios de produtividade, isso poderá dar certo.
Contrapor ao capital é uma demagogia fantasiosa e prejudicial ao país.