terça-feira, 10 de agosto de 2010

Lula também brinda!

Veja na tabela em anexo os financiamentos públicos que Vale recebeu para seus empreendimentos privados: investimentos, hidroelétrica de Estreito, navios container e graneleiros, armazens, estaleiros e rebocadores, lucro da capitalização.


Esse é o segredo do sucesso da Vale: prejuízo coletivo, lucro privado, financiamentos com dinheiro público.

Confira em anexo também os financiamentos do BNDES a outras empresas privadas.

Um comentário:

vilso disse...

O passivo social e ambiental

“A construção de hidrelétricas na Amazônia faz parte de um projeto maior baseado na expropriação intensiva dos recursos naturais da região. No caso específico de Tucuruí, entre outras coisas, o passivo social inclui o não reassentamento de centenas de famílias atingidas e o não reconhecimento de categorias, como os pescadores, enquanto atingidos”, afirma Hönh. O atual modelo de desenvolvimento amazônico tem na construção de barragens, na concentração da terra, renda e do poder político e econômico seus pilares e tensiona os conflitos entre a população e as grandes empresas.

Segundo estudo do Instituto de Pesquisa da Amazônia (INPA), “a cortina de sigílo que a Eletronorte manteve sobre muitos aspectos do projeto de Tucuruí, impediu o entendimento de seus impactos” e as conseqüências sociais e ambientais da hidrelétrica de Tucuruí foram, e continuam a ser, negativas e prejudiciais. Os atingidos denunciam que no período do enchimento do lago foi usado o desfolhante Agente Laranja e tambores com resíduos do produto estão submersos, poluindo a água e ocasionando muitas doenças aos que moram a jusante da barragem e usam diariamente a água do Rio Tocantins para o consumo.

Entre as conseqüências da barragem estão a perda de floresta, o deslocamento de povos indígenas e demais comunidades na área de inundação; o desaparecimento da pescaria; a proliferação de mosquitos e os efeitos sobre a saúde devido à malária e a contaminação por mercúrio. Além disso, segundo o INPA, hidrelétricas em áreas de florestas tropicais produzem emissões significativas de gases de efeito estufa. “Embora a incerteza sobre a quantia exata de gases emitidos, a magnitude das emissões é suficiente para que afete os níveis globais. Em 1990, Tucuruí teve um impacto sobre o efeito estufa maior que o combustível fóssil queimado pela cidade de São Paulo”.

A contradição: atingidos por barragens não tem luz elétrica em casa

O projeto da Usina Hidrelétrica de Tucuruí foi criado junto ao Programa Grande Carajás, para abastecer com energia subsidiada as indústrias de alumínio, no Maranhão (Alumar/Alcoa) e no Pará (Albras/Alunorte/Vale. Segundo o INPA, quase dois terços da energia gerada por Tucuruí serve para abastecer essa indústria. O contrato de fornecimento de energia feito entre a Eletronorte e as eletrointensivas iniciou em julho de 1985 e recentemente foi renovado por cerca de 05 centavos o Kilowatt/hora. Enquanto isso o estado possui uma das tarifas mais caras do país.

Ao mesmo tempo em que as barragens fornecem energia subsidiada, vai negando o problema social e ambiental causado à região. Este fato é evidenciado nas comunidades próximas ao lago, como por exemplo a Vila Cametá que fica somente a 15 km da obra e que em quase 25 anos de funcionamento da barragem, ainda não teve acesso à energia elétrica, assim como ocorre com centenas de pessoas que vivem nas ilhas formadas no lago da barragem.