quinta-feira, 24 de junho de 2010

Eleições 2010: A falsa polarização

Blog do Edmilson

De um lado, Jader Barbalho e Almir Gabriel juntos.
De outro lado, Ana Júlia e Duciomar juntos.



"A morte não causa mais espanto
Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes
Cores, raças, castas, crenças
Fracos, doentes, aflitos, carentes
Cores, raças, castas, crenças
Em qualquer canto miséria
Riquezas são miséria
Em qualquer canto miséria"
Titãs
 
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Um comentário:

Eldan de Lima Nato disse...

Artigo para reflexão, meu amigo.
Abraço.


*Carlos Tautz

OS PERDEDORES DO MILAGRE BRASILEIRO

Cada vez que se inventa um milagre econômico, joga-se para baixo do tapete a historia dos perdedores – e sempre há perdedores. Nos “anos de chumbo”, ninguém viu sequer as migalhas do bolo prometido por Delfim Neto, que convive com o poder ate hoje. E agora, que crescemos a taxas chinesas, também há perdedores - mas estes já conhecem a derrota há 500 anos. São os indígenas, inclusive dos países limítrofes, que sofrem todo tipo de violência por viverem em terras onde o Estado brasileiro em aliança com grandes grupos econômicos nacionais e internacionais espertamente ressuscita o mito do Brasil Potência. Constrói hidrelétricas superdimensionadas, expande sem limites a cana para alimentar de álcool os carros que inviabilizam as cidades e faz monocultura de eucalipto para produzir celulose apenas para o mercado externo, criando um deserto verde de arvores geneticamente modificadas que mata a diversidade biológica e os recursos hídricos.

A volúpia com que se avança sobre as terras indígenas é tal, que nem parece que elas e seus donos são protegidos por leis nacionais e internacionais. Importa aos governantes e seus sócio apenas, fazer constar na imprensa a inauguração de obras cada vez maiores e que custam sempre mais do que os calculos iniciais.

Nesse cenário, o Estado e os capitais privados, nacionais ou não, t^em os mesmos interesses. E, para alcança'-los, fazem qualquer negocio. Acusam os índios em vilões de bloquear o ‘ desenvolvimento’.

Afinal, a ponta do modelo produtivo se encontra no meio rural, muitas vezes em áreas densamente florestadas, onde quase sempre há terras indígenas, o que lhes colocaria numa posicao de 'inimigos' do mito do Brasil Potência.

Isso ocorre porque a atual fase do capitalismo, dita financeira, não se realiza sem uma base concreta, a terra, onde são produzidos os insumos – energia, minerais, alimentos – que alimentam os mercados especulativos internacionais. Quem se opõe a este tipo de exploração de alta intensidade vira inimigo e, na visão do Estado e seus sócios privados, deve ser exterminado.

E' esse o pano de fundo da viol^encia contra ind'igenas, que tem caracter'isticas espec'ificas dramaticas. No Para, os caiapós do alto do rio Xingu há meses se preparam para morrer, na medida em que vai saindo do papel a megahidreletrica Belo Monte.O governo subsidia sua construcao através das tetas abertas do BNDES. Mas, no futuro, segundo os contratos assinados, a usina pertencera a multinacionais privadas do Brasil e do exterior.

No Mato Grosso do Sul, os guarani caiuá partem para o suicídio, expulsos que são pelo avanço sobre suas terras da cana estimulada e subsidiada pelo governo federal.

No Espírito Santo, os tupiniquins e guaranis morrem na disputa com as maiores indústrias mundiais de fibra curta de celulose - alias, produzidas por arvores transigências, que secam os lencois freaticos e arrasam aquele territorio que já foi o mais rico no Brasil em termos de espécies animais e vegetais da floresta atlântica.

Em Rondônia e no Acre, indígenas de varias etnias são obrigadas a se prostituir para gerentes, engenheiros e operarios das hidrelétricas Jirau eSanto Antonio, obras que vão barrar o rio Madeira (RO).

O modelo brasileiro de intensa exploração de recursos naturais para venda ao exterior já vai sendo, inclusive, exportado. Em 16 de junho, Lula e Alan Garcia , presidente do Peru, assinaram acordo energético para construir no pais vizinho um numero de hidrelétricas (que vai prejudicar os ashaninka) ainda incerto, mas que já tem seu custo estimado entre 13,5 bilhões e 16 bilhões de dólares. A energia será exportada para o Brasil por 30 anos, por aquela turma de sempre: BNDES, Eletrobrás, OAS, Camargo Corrê, Odebrecht. Tutti buona giente...

Mas, quem se importa com tudo isso? Quem escreve a historia não são os vencedores?



*jornalista