sexta-feira, 7 de maio de 2010

José Nery quer ouvir presidente da Vale sobre venda da Albras para empresa da Noruega

O senador José Nery (PSOL-PA) condenou em Plenário, nesta quinta-feira (6), a venda da Alumínio Brasileiro S.A. (Albras), subsidiária da Vale que produz alumínio no nordeste do Pará, para a norueguesa Norsk Hidro. Ele sugeriu que o presidente da Vale, Roger Agneli, e um representante da multinacional sejam chamados para prestar explicações sobre a operação.
- Eles precisam esclarecer as conseqüências de um negócio tão bilionário quanto obscuro - disse.
O senador quer ouvir ainda Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), e a presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Fernandes de Santana.
- A Albras não é uma empresa qualquer. Ela está em 8º no ranking mundial da produção de alumínio e é a maior fábrica instalada em solo paraense, sendo líder nacional na produção e exportação desse estratégico produto - ponderou.
Para José Nery, a venda da Albras representa perda da soberaniapaís, do "modelo de exploração predatória" da Amazônia e inúmeras promessas de emprego, renda e bem estar social à população local, que se transformaram em "um verdadeiro bolsão de miséria e exclusão".
- A crítica do senador, no entanto, baseia-se, principalmente, nos variados subsídios governamentais que a empresa ganhou para que pudesse se instalar e aumentar sua produção nos anos 70, desde redução de imposto de renda, isenção de IPI e tarifa de exportação até tarifa de energia elétrica, paga com recursos do governo.
Com a venda, relatou, a Vale passou para a Norsk Hidro os 51% que detinha na Albras e os 91% da Alunorte (refinaria de alumínio), além de 61% da usina de bauxita em Paragominas, o que capacitará a empresa norueguesa a manter uma capacidade produtiva do produto por cem anos, conforme comunicado divulgado pela empresa em sua sede no Rio, assim que foi concretizada a venda.
- O que a Vale está fazendo agora nada mais é do que entregar um patrimônio construído com recursos, com o suor do povo brasileiro. E só há uma forma de reverter isso: o povo se mobilizando, se organizando, denunciando, inclusive questionando a privatização criminosa da Vale, que causou enormes prejuízos ao país e ao patrimônio da República - afirmou.

Da Redação / Agência Senado

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