sábado, 27 de março de 2010

Hidrelétrica de Marabá em debate

Contextualizando

Desde 2007 quando se acentuou a discussão em torno da construção da hidrelétrica de Marabá (AHE), este blog vem tentando estabelecer um debate que traga a tona uma forte mobilização para pressionar o governo (Eletronorte e IBAMA), afim de que .... O professor Fernando Michelotti em artigo fez a seguinte reflexão: Se olharmos do ponto de vista da produção de energia, no entanto, planeja-se uma forte alteração do quadro atual. O Plano Estratégico de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica dos Rios Araguaia e Tocantins elaborado pelo Ministério de Minas e Energia para 2006 - 2015 mostra que atualmente o Brasil possui um potencial de energia elétrica de 258.410 MW sendo explorados atualmente apenas 28,2%. No entanto, a distribuição regional dessa produção mostra que Sudeste, Centro-Oeste, Sul e Nordeste somados tem um potencial de 147.014 MW dos quais 42,8% já são explorados, enquanto a região Norte tem um potencial de 111.396 MW dos quais apenas 8,9% são explorados atualmente. Em síntese, a região Norte possui um potencial de geração de energia de 43,1% do total nacional, porém atualmente só produz 13,6%.

O Plano Estratégico do Governo Federal pretende reverter esse quadro, investindo prioritariamente na construção de usinas hidrelétricas na região Norte. Os exemplos dos projetos hidrelétricos nas bacias do Xingu, do Madeira e do Araguaia-Tocantins são ilustrativos dessa investida. Comparando-se as projeções de produção e consumo de energia fica claro que esse esforço de aumentar a produção de energia na região Norte não significa, nos planos do governo federal, uma alteração do atual padrão de consumo entre as diferentes regiões. Ou seja, o Norte deve ter sua produção ampliada para garantir a manutenção do consumo das demais regiões, em especial do Sudeste/Centro-Oeste.

Por que AHE de Marabá?

Para Michelotti a lógica que fundamentou a resposta a pergunta que o próprio representante do consórcio interessado na construção da hidrelétrica se fez na reunião pública: “por que Marabá?” A resposta foi taxativa: “porque Marabá precisa de apenas 20 Km para se conectar ao Sistema Integrado Nacional – SIN”, ou seja, o grande linhão que distribui a energia por todo o país. Dessa forma, mesmo que o custo econômico, social e ambiental da barragem em si seja elevado, este se compensa pelo baixo custo da construção de infra-estrutura de transmissão para a energia ser usada nacionalmente. Por isso, a proposta da usina de Marabá vem conectada a mais duas usinas no rio Itacaiúnas. A lógica é gerar o máximo de energia possível nessa região para abastecer o SIN.

Um novo lago, mais famílias afetadas!

A prioridade dada à facilidade de transmissão da energia para o resto do país ao invés das preocupações com os impactos locais da obra podem ser bem percebidos numa rápida comparação. A usina hidrelétrica de Tucuruí possui um lago de 2.430 Km2 para uma potência de 8.370 MW, ou seja, para cada MW de potência foi necessário alagar uma área de 0,29 Km2. Somados os projetos das hidrelétricas Marabá, Itacaiúnas I e II, será necessário uma área alagada de 3.055 Km2, ou seja, 1,25 vezes o lago de Tucuruí, para gerar uma potência de apenas 2.478 MW, ou seja, 0,3 da sua potência. Pela comparação verifica-se a baixa eficiência desses projetos que para gerar 1 MW necessitam de 1,23 Km2 de área alagada.

Da primeira reunião pública até agora, uma questão já ficou clara: se a sociedade regional aceitar a construção dessa usina hidrelétrica de Marabá e no seu bojo as duas usinas do Itacaiúnas, sofrerá com problemas ambientais e sócio-econômicos maiores do que em Tucuruí, dado que a área alagada será maior e hoje ela é muito mais densamente ocupada. Em contrapartida haverá uma geração de energia muito menor, que não se destina para o desenvolvimento regional, mas sim para perpetuar a região Norte como fornecedora barata de recursos naturais e energia.

2 comentários:

Eldan de Lima Nato disse...

Muito pertinente, caro Ribamar!
Quanto antes começar o debate, melhor. Abraço

Anônimo disse...

espero que a hidreletrica de maraba saia assim a regiao ficará mais desenvolvida...gerando enpregos e mais enpr5egos.