quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

De algum lugar...

Trocate escreve:

CONVERSA DO IMPERFEITO




Para Paulinho Albuquerque

O inimigo está faminto e quer o mar para rasgá-lo

Quer o humano para apedrejá-lo de sua

[temeridade

Quer o comboio que passa quando caem os mitos

[infláveis.

O telhado onde fiz universo paralelo

E estendi até o quintal da minha mão o rosto

[do alvo

Seu riso lancinante!





Então Paulo,

A geografia dos dias não cabe mais nos olhos

[do silêncio.

Ainda que seja invisível o rumo

Um lugar de contingências e refrão.

O ombro carregando o poder sem sabê-lo detestar.

No desmundo não podemos mais educar o gesto

Sangrar a pedra e a - primavera nos

[dentes-?



Foi ontem

Antes que tudo fosse obrigatório

Que puseram isopor nas perguntas impuseram-lhes regras

Obsessões de ferro

Arrancaram-lhe suas florestas deram um ritmo

[de álgebra

Um governo de sofisma!





(perfuraram com agulhas

As veias da poesia este bucado objeto

aos que amam)





Mais Paulo,

Insepulta são as idéias o cipreste do amor!

Na mesa está o chá e partilhamos uma dúvida

A boca do absurdo se escreve no guardanapo

E a fuga não cabe nos olhos da

[classe?

O que é mesmo liberdade pela qual já

[bebemos o sol?

Sei, o mapa está dividido

O azulejo da política é de gasto barro

Esse é um lugar histérico, fingido, de alicate

[e engasgo.







A tática é apenas um blefe antigo

E não há café da manhã nesse improviso

Ainda que haja riso

É de estanho a permissão

[o inaudito do eu!

O enigma é lençol e cobre o pé do futuro

Onde o chão é um dogma uma aflição de remédio e hipocrisia

O relâmpago dos olhos devolve-me ao

[presente!





(Se sabes fugir, fuja

No caminho desmanche com calcanhares

Estes latifúndios e seus modernos assuntos

Quebre com mil

[estrofes

Os dentes das suas leis

Arranhe com foices o céu dos seus poderes

Faça-os registro de papel)





Paulo,

Sabes que o tempo é de rugas e visitas.

Não assine nada

Nem execute um só passo sem saber onde estão

[os camaradas

Seus continentes entre safras de desejo

Onde revelem seus planos

De tudo o que desperta.

Quando for verão não imite o pássaro

[seja-o.





Pela ultima vez, já que sabe o que quer entre

[os rinocerontes

A vida está elástica

Suspira e se alegra

Mesmo que a verdade esteja sectária

O país, a música, as crianças pesam

[nesse gesto indormido.

O poder é isso um alho intacto

Moído por vezes na repetição do dissabor!





Eu sei o que é animo, possuo na pele estes corcéis

Um cotidiano respirável e esta imatura idéia de dizer

[venceremos?

No momento

O que somos e o que importa

É apenas um grão se ainda há campo

[seus legumes retorcidos

Ou cidades aborrecidas de álcool e gula

[industrial.





(se tens uma decisão ensolarada

Não deixe que as encurte com o sal da espera

Persegue com unhas o inimigo eles estão na naquela morada de cifras

Em repartições de gesso, em mansões de jasmim

Possuem o amalgama de fazer miseráveis bendita miséria

Luxuosas maquinas de repetir a mesma idéia,

Gostos, gozos mortíferos, estéticas imperiais

E se falares que é de rancor teu ato morda-o mais uma vez

Os nervos da inflexão, distribua a lírica

Que possuem da estrela e do amanhã aos que surgirem na avenida

Ou aos que visitarem em casas, casas despedaçadas)





Nada está decidido,

Mais nada tem o tropel do limite se tem o segredo diga-o

[a plena voz,

Estamos no singular do individuo perguntando

[alguma coisa!

É preciso desdizer a ingenuidade da classe

Os lábios das horas se negam a beijar o que

[é morto

O que é facilmente morte!





Entenda Paulo,

Não há misericórdia para a medo e seus

[aforismos

Não há tempo para uma caricia envergonhada

Para tolas objeções razões de vidro

Mais para a viagem recomenda-se levar

[no bolso

Uma provisão de argumentos

Alguns fantasmas treinados na historia

Uma violência sem dizer amém

Arsenal facilmente inventado de

[coração.





Uma ultima opinião do jejum

Este é tempo de dormência inaconselhavel

De diplomacia fuleira e dedução esnobe

Tem varanda para quem quiser descansar

Bibliotecas para dizer sim.

Teses retocadas e chamadas a ser tudo

[dragão e festa.

Homens acanhados no jardim

Manhãs caducas

E verdades invisíveis.





Tudo está inflamado percebes?

O que talvez (só talvez) não sabem prever

É o que não queremos, não queremos!

O que queremos é isso enforcá-los com

[esse risco

Ainda que estejamos infames agora

Faz parte da viagem a conjuntura tem brilho

[nós saberemos!

Charles Trocate


Fevereiro de 2.010

3 comentários:

Pr. ernadez disse...

Vida longa ao poeta da terra!

MAUrabaense disse...

Ribamar, porque tantas coisas aconteceram na agenda do Senador Nery, no senado, inclusive, ao vivo para todo o Brasil, homenageando o Frei Henri e voce nao publica nada?
Tem alguma coisa aí ou é só distração aí. Leio sempre o seu blog e quero saber.

www.ribamarribeirojunior.blogspot.com disse...

Quem mesmo foi homenageado????