sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Belo Monte: Avatar?


AVATAR NO XINGU UM CONFRONTO DESLEAL

Quem assistiu ao filme, não esquece os nativos de três metros de altura, utilizando apenas arco e flecha, lutando contra equipamentos de alta performance tecnológica de uma mineradora, para defender seu paraíso territorial. A ficção vira realidade na cidade de Altamira, Município do Interior do Pará, estado que faz parte da Amazônia legal Brasileira. Vários grupos indígenas saíram de suas reservas para lutar em favor de seus direitos, desde quatro de fevereiro deste ano, há exatamente sete dias eles estão sediados no “extinto” escritório da FUNAI – Fundação Nacional do Índio, entidade criada para ”defender” os interesse da classe indígenas. Cerca de 230 indígenas representando nove etnias e 18 aldeias, buscam entendimento com o governo, para saber o porquê da extinção da administração local da FUNAI, que pretende transferir a ADM para a cidade de Santarém.

A área de abrangência da regional de Altamira é de aproximadamente seis milhões de hectares, onde vivem mais de quatro mil indígenas, existem comunidades que se leva cerca de cinco dias de viagem para chegar até a aldeia; se com uma ADM Regional em Altamira é difícil manter o atendimento e controle da exploração de terras indígenas, imaginem esta extensão territorial deixada á própria sorte. O que está por traz desta manobra, é o enfraquecimento do órgão para “preparar o terreno” para a construção da Unidade de Hidrelétrica de Belo Monte. Este processo vem sendo manipulado há mais de dois anos, quando Altamira fora alvo da intensa fiscalização de vários órgãos governamentais, fazendo a economia no município sofrer uma total interrupção na busca de atrair a adesão por “cabresto” para a instalação da UHE de Belo Monte. Troca de administradores e funcionários da IBAMA – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente, exoneração de funcionários com mais de 30 anos na defesa e preservação da cultura indígena da FUNAI, substituição dos Procuradores Públicos, outras medidas estão sendo articuladas por parte do governo para enfraquecer o movimento indígena. Os índios estão sem provisão de alimentos, e não sabemos por quanto tempo irão suportar a pressão.

Na cidade eles não teem como se manter sem a floresta. Os povos indígenas, XIPAIA, CURUAIA, XIKRIN DO BACAJÁ, PARAKANÃ, ARARA, ARAWETE, ASURINI DO XINGU, JURUNA e KAYAPÓ KARARAÔ, estão travando um confronto desleal... o AVATAR, meus amigos é aqui.

Jaime Lisboa – Diretor - Museu do Indio do Pará.

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