quarta-feira, 20 de maio de 2009

O advogado do Diabo

Tribunal da Terra - memória de sangue

A década de 1980 é considerada a mais violenta na região na tríplice fronteira do Pará, Maranhão e norte de Goiás, hoje o estado do Tocantins. Os anos registram várias chacinas e execução de dirigentes sindicais camponeses e seus aliados, e mesmo de família, como no caso dos Canuto de Rio Maria. O Tribunal da Terra, uma instância de caráter simbólico, surgiu a partir de tal demanda.

A iniciativa foi da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) e contou com o apoio da CPT, OAB, MMCC, CNBB, CUT e CEDENPA. Ocorreu em Belém entre nos dias 18 e 19 de abril de 1986, no Palácio da Justiça. Teve como objetivo levantar denúncias contra multinacionais, Estado e o latifúndio.

O advogado e deputado federal/PT/SP, Luiz Eduardo Greenhalgh, o cutista Jair Menegheli, Pe. Josimo Tavares, Avelino Ganzer, o advogado José Carlos Castro constavam como representação da sociedade civil. O Pe. Ricardo Rezende trabalhou como advogado de acusação.

As chacinas Surubim e Ubá constavam no rol de casos, que somou 83 mortes no ano de 1985 na região. Registraram-se ainda o assassinado do sindicalista Benedito Bandeira, no município de Tomé Açu, onde a comunidade revoltado com a execução destruiu a delegacia e matou os três pistoleiros, que receberam CR$ 5000,00 do fazendeiro Acrino Breda, que nunca chegou a ser preso pelo caso.

A área em disputa era a fazenda Colatina. As execuções da missionária Adelaide Molinari e do sindicalista Arnaldo Deocídio também foram pontuadas. O Pe Josimo que coordenou a CPT de Imperatriz, Maranhão, morto no dia 10 de maio de 1986, participou do Tribunal para denunciar o atentado que sofrera.

Um mês depois foi executado com tiros dados pelas costas. A sentença decidiu: que o Estado deveria ser controlado pelos operários; já as multinacionais seriam nacionalizadas, sendo controladas pelo Estado; e o latifúndio deveria acabar tendo as terras distribuídas de forma igualitárias para os trabalhadores rurais. O advogado José Carlos Castro, assim avaliou o Tribunal: ”Esse Tribunal é um Tribunal porque não pode ser considerado apenas uma informação, porque tem uma expressão política muito forte para a consciência do povo, para a divulgação do que ocorre no campo. É um material de propaganda de novas idéias. (Jornal Resistência, Ano VIII, Nº 71, abril/maio de 1986).

O Jornal Resistência foi editado pela primeira vez em 1978, e circulou de forma regular até 1983. Ganhou por inúmeras vezes o prêmio nacional de defesa dos direitos humanos Wladimir Herzog. Rogério Almeida

Um comentário:

Prof. Israel Lima disse...

Venha Você, Também, Comemorar!
35º Aniversário do Prof. Israel Lima (23/05/2009)
e os 4 meses do [Pelo Corredor da Escola] (22/05/2009)


Ofereço a você que acompanha meu blog “Pelo Corredor da Escola” um selo comemorativo do 4º mês na net do blog e do meu 35º aniversário.
Esta foi a maneira que achei para retribuir o carinho que você tem dispensado a mim, visitando e comentando as postagens que publico no blog, que a tão pouco tempo vem crescendo, graças a você, eu só tenho que agradecer. Para mim é um privilégio ter você, lá, no meu espaço, que surgiu em 22/01/2009. No dia 22 deste mês o blog completará 4 meses na net e no dia 23 é o meu aniversário de 35 anos. Venha comemorar comigo!!!

O selo é o meu presente para você.

O presente que eu quero receber de você é a sua visita e VOTOS nos meus selos de participações.

Bom, agora e só copiar e usar em seu blog.

Desde já agradeço o seu carinho e consideração.

Será um prazer imenso visualizá-lo em seu blog.


Um grande abraço,

Prof. Israel Lima