segunda-feira, 31 de março de 2008

CURIÓ NA CADEIA!!!!

Estamos em uma data significativa, trinta e um de março. Data que representa o vermelho do sangue de homens dignos derramado arbitrariamente por nossos militares. Isso mesmo! Pelos militares, justamente aqueles que deveriam defender a pátria brasileira. Trinta e um de março de sessenta e quatro, o dia do golpismo. Data que não deve ser apagada da memória dos brasileiros. E não deve ser esquecida para que golpismo e arbitrariedades como aquele não aconteçam jamais.

É interessante, e poucos refletem sobre isso, o perigo da formação ideológica de uma categoria que tem sob suas mãos o poder das armas. Por possuir poder dessa imensidão, é justa e prudente a neutralidade política no máximo que for possível da instituição que a exerce. Por que, então, nossos militares recebem formação direitista e conservadora dentro das academias das forças armadas? A que interesses essa formação serve?

Falo com conhecimento de causa, pois passei alguns anos nas fileiras do exército como oficial temporário. Passamos por tentativas de doutrinação a favor do pensamento político direitista conservador, a ponto de tentarem nos convencer, com convicção, dos erros intencionais cometidos pelos historiadores ao contar a história do Brasil durante o Regime Militar. É inconcebível, na caserna, alguém ousar demonstrar um mínimo de simpatia por partidos, movimentos ou pessoas ligadas a tendências populares ou progressistas.

Em uma instituição que preza a hierarquia e disciplina, e faz isso corretamente por ter a força das armas, não raramente presenciei atos de desrespeito ao chefe maior das forças armadas, o Presidente da República. Analfabeto, burro, guerrilheiro, alcoólatra e despreparado eram as formas de se referirem ao presidente Lula. Desrespeitoso foi também como o comandante de minha unidade, se referiu ao se chefe Nelson Jobim, Ministro da Defesa, ao chamá-lo de despreparado em frente aos seus oficiais, durante uma reunião com os mesmos – o famoso Bom Dia.

No Exército, descobri que não houve golpe, mas uma “revolução democrática”. Revolução que suspendeu e cassou direitos políticos, impediu os moradores de cidades consideradas estratégicas de elegerem seus prefeitos; depuseram governadores eleitos democraticamente; censuraram a imprensa; torturaram e mataram cidadãos que lutavam pela dignidade, justiça, liberdade e paz em nosso país; mantiveram presos e/ou exilados personalidades como Paulo Freire, Frei Betto, Betinho e tantos outros cidadãos que tanto contribuíram para o desenvolvimento intelectual, artístico e cultural de nossa nação. Tudo isso fez a “Revolução Democrática de 64”, que eu prefiro chamar de golpismo.

Mesmo assim o governo federal do presidente Lula, concede a esta categoria, em seus seis anos de governo, aumento de mais de 30% em seus soldos. Aumento que o ex-presidente Fernando Henrique, idolatrado por parte das forças armadas (porque outra parte ainda o achavam muito progressista), em seus mais de 8 anos de governo, não concedeu. Aliás, quais as categorias do funcionalismo público receberam aumento deste nível? Mesmo assim, os militares ridicularizam o presidente e vários de seus ministros que lutaram pela redemocratização do Brasil nos anos de pau-de-arara. Lula e seus ministros mostraram hombridade suficiente para superar os traumas de perseguidos e presos políticos tentando uma reaproximação com os militares na perspectiva do diálogo para o desenvolvimento da país. Reaproximação materializada na questão salarial e no reaparelhamento das forças armadas, que nas últimas décadas política (Sarney, Collor, Itamar e FHC) ficou renegada ao sucateamento. Os militares, por puro conservadorismo direitista e autoritarismo doentio, continuam resistentes. Insistem em ver tudo o que é popular, tudo o que vem do povo como “ameaça comunista”. O governo, segundo eles, é para ser governado somente pela elite, pois as vêem como a única capaz. Mas, afinal de contas, o que teve de bom o Brasil governado pelas elites pré-Lula? Em que ficamos melhores? Nossos sistemas de saúde e de educação são melhores que o cubano? Nossas forças armadas são melhores aparelhadas que a chinesa?

Acordem militares! Ainda há tempo de repararem o sangue de inocentes por vocês derramados entre aquele 31 de março de sessenta e quatro e a “abertura” no ano de 84. É só trabalharem para que em nosso país se faça a construção da igualdade, da dignidade, da justiça e da paz! Quem sabe se aproximem das forças populares para que um novo Brasil aconteça, já que distante destas forças vocês fracassaram.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O Pênis enquanto instrumento de guerra

A guerra é o ápice do macho

Em todos esses séculos de dominação patriarcal, a humanidade tem descido cada vez mais aos infernos. Sob a égide do falo maligno, os seres humanos mastigam uns aos outros por necessidades mesquinhas de poder. Nossa sociedade está repleta de paus perversos, sejam eles paus-de-fogo (armas) ou paus-de-arara (tortura). O pau pra bater, pra espancar, submeter, dominar. O que é um míssil senão uma grande pica assassina? A guerra é o ápice do macho.

No sistema em que vivemos (ou sobrevivemos) o pênis não significa um instrumento de prazer tanto para homens quanto para mulheres. Dele não sái mais o sêmen, e sim balas e chamas. O resultado dessa transformação está aí pra quem quiser ver. Um mundo cada vez mais controlado pela disputa machista de quem tem mais poder, de quem é mais forte. De quem tem o pau maior.

Aceitemos o fato de que a sociedade peniana faliu, broxou. Precisamos agora que nossas vidas sejam regidas pela vagina (que na sua maciez e calor, consegue amolecer paus malvados) e pelo útero (câmara vital de onde saem nossos pais, filhos, irmãos, amigos, amantes...). O pau só conseguirá voltar ao seu princípio fundamental, o de prover prazer e também vida, quando abdicar de seu papel controlador. Já que o cetro machista só fez nos agredir até agora, que a vagina possa nos engolir com seu manto sagrado.

Quero uma mulher mais ativa.
Quero um homem mais sensível.
Enfim, quero um mundo mais feminino.


Tony Marques

Dinheiro Público e o Etanol

Gente, enquanto os militantes do MST e ambientalistas foram "recebidos" ontem com gás-pimenta em uma manifestação contra o financiamento a monoculturas de eucalipto e cana-de-açúcar, em frente à sede do BNDES, os jornais anunciam que:

1 - o Banco deve mesmo investir mais dinheiro na produção de etanol.
2 - O BNDES poderá desembolsar até R$ 776 milhões para financiar as últimas aquisições feitas pela JBS-Friboi (maior empresa de carne bovina do mundo!!!) no exterior. Em 2007, o BNDESPar injetou R$ 1, 463 bilhão na agressiva empresa para que esta comprasse a Swift dos EUA. Em 2005, o BNDES já tinha ajudado a financiar a compra da Swift Argentina.

Além de prováveis financiamentos às companhias privadas MRS (locomotivas, fagões), OHL (rodovias), mercado de carbono...

Artigos analisam a política industrial do governo a ser lançada oficialmente em breve e o último texto traz uma matéria sobe os gastos da eleição nos EUA: "a oito meses da eleição presidencial nos Estados Unidos, os candidatos já arrecadaram quase US$ 1 bilhão para suas campanhas, o que significa uma quantia superior ao Produto Interno Bruto (PIB) de vários países africanos." O que seria possível fazer com tanto dinheiro, se aplicado em projetos sociais?

Boa leitura!!! ; )

CURTINHAS:

Do O Estado de São Paulo - 1 - Nos próximos quatro anos, o governo pretende investir cerca de R$ 9 bilhões para conquistar a liderança mundial na produção de etanol. O aumento da produção e da exportação será acompanhado pelo melhor aproveitamento de subprodutos da cana para produzir eletricidade e por pesquisas para dominar as próximas gerações tecnológicas do produto, como a obtenção de álcool de celulose.
Os dados constam de documentos preliminares da nova política industrial. A meta é elevar a produção do etanol para 23,3 bilhões de litros até 2010. Na safra 2006/07, a produção foi de 17,7 bilhões de litros. No mesmo período, a exportação deverá ser elevada do 3,4 bilhões em 2006 para 5 bilhões de litros. Entre dinheiro do BNDES e privado, o setor deverá ter à disposição R$ 23 bilhões até 2011.

2 - Policiais militares lançaram ontem gás-pimenta contra integrantes do Movimento dos Sem-Terra e ambientalistas em frente à sede do BNDES, no Rio. O grupo protestava contra o financiamento a "monoculturas predatórias de eucalipto e cana-de-açúcar". Houve tumulto, um militante foi detido e liberado em seguida. Os manifestantes carregavam fogão e botijão de gás com a alegada intenção de preparar um angu. O tenente-coronel Antônio Henrique Oliveira admitiu que houve um "mal-entendido". "O problema é que parecia que queriam botar fogo", disse.

terça-feira, 25 de março de 2008

CONFERÊNCIA DE SAÚDE: Tião e Pedrinho querem dá golpe!!

Entidades de Marabá devem reunir na próxima sexta feira para debater estrategia sobre a Conferência Municipal de Saúde. Tudo indica que a administração muncipal capitaneada por Tião ASFALTO Miranda e Pedrinho EX-Cristal querem dá golpe na composição do novo Conselho Municpal de Saúde.

Decreto noticiado na imprensa local apresenta vários indicios de irregularidades no processo de escolha das entidades qeu deverão compor o novo conselho.

Te cuida Pedrinho, o povo ta se organizando!!!

Lei de rádios comunitárias é antidemocrática

...Os 10 anos da lei 9.612, que regulamenta a radiodifusão comunitária no Brasil, foi lembrado no dia 19, na Cinelândia, de maneira crítica e reabriu espaço para velhas reivindicações do setor....

Por Renata Souza – Jornalistas Populares

Os 10 anos da lei 9.612, que regulamenta a radiodifusão comunitária no Brasil, foi lembrado no dia 19, na Cinelândia, de maneira crítica e reabriu espaço para velhas reivindicações do setor. “Na época, fizemos uma pesquisa no Congresso Nacional e constatamos que 70% dos parlamentares ou eram donos diretos ou representavam os interesses de donos de rádio e TV comercial. Por isso, sabíamos que seria uma lei que não atenderia as necessidades de uma rádio comunitária”, disse o coordenador da Rede Viva Rio de Rádios Comunitárias, Tião Santos.

As organizações ligadas às rádios comunitárias consideram a atual lei antidemocrática e exigem mudanças. “As rádios comerciais têm todos os direitos do mundo: sua potência é praticamente ilimitada e são isentas de impostos. Já as rádios comunitárias têm que atuar com apenas um canal, o alcance determinado é de 25 watts, enquanto as comerciais têm até mil watts. Nós só podemos atuar em um raio de mil metros e não temos direito ao comercial e à proteção se houver algum tipo de interferência. A essência da lei é positiva, talvez seja o que há mais de concreto em nível de regulação de comunicação pública. No entanto, em questões técnicas é extremamente restritiva, colocando as rádios comunitárias como algo pequeno e insignificante”, afirmou Tião Santos.

Segundo Tião Santos, foram criados dois grupos de trabalho no governo Lula para agilizar e dar transparência aos processos que modificariam a lei, mas os relatórios produzidos com a participação popular foram engavetados. “Queremos que o presidente encaminhe imediatamente ao Congresso Nacional, assim como fez com a soja transgênica para beneficiar os empresários, uma Medida Provisória ou um Projeto de Lei que prevê a descriminalização das rádios comunitárias. Não é possível que um país democrático trate a rádio comunitária como algo criminoso. É um absurdo, isso não cabe no Brasil de hoje”.

Em ação

De acordo com o coordenador administrativo da Central de Desenvolvimento de Rádio Difusão Comunitária do Grande Rio, Ângelo José Ignácio, o movimento reivindica ações a nível municipal, estadual e federal. A idéia é criar Conselhos de Comunicação Social e destinar 1% da verba destinadas ao município, estado e federação para esta cadeira.

“Estamos organizando frentes parlamentares em favor das rádios comunitárias. No nível estadual as coisas já estão mais adiantadas. O Carlos Minc já fez a lei que prevê a criação do Conselho Estadual de Comunicação Social, mas precisa ser regulamentada e aprovada pelo governador. No nível federal, o Crivela propôs a municipalização das rádios. A Constituição diz que o que está dentro do município é de responsabilidade do executivo municipal e a freqüência da rádio não passa dos limites do município. Mas o prefeito não nos atendeu”, disse.

Caça às rádios

Segundo Tião Santos, o governo de Lula fechou mais rádios comunitárias do que o governo de Fernando Henrique. “O governo federal é quem mais manda campanhas educativas de saúde e segurança pública para as rádios atuarem com esses programas nas comunidades, mas não há contrapartida. A única contrapartida que temos é a repressão, prisões de companheiros e seqüestros de equipamentos”, afirmou.

A rádio Pop-Goiaba, que funcionava com outorga há seis anos no campus da UFF, convive com constantes invasões da Polícia Federal. Em 2006, segundo um dos integrantes da Pop-Goiaba, Daniel Vidal, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) fechou a rádio de maneira arbitrária. “A Anatel alegou que não tínhamos especificado o nosso funcionamento no protocolo, corremos atrás com um advogado e reavemos a rádio. A nossa penalidade foi fazer spots para entidades comunitárias, falamos para o juiz que seria uma satisfação. Eles levaram vários equipamentos para serem periciados. Já estamos há seis meses no ar, mas funcionamos há quase três quilômetros da UFF, no Largo da Batalha”.

Daniel aproveita para esclarecer que as rádios comunitárias não derrubam aviões, como têm dito os meios de comunicação da burguesia. “Com 25 watts a nossa freqüência não consegue ultrapassar um morro pequeno, o alcance é limitado. Queremos democratizar a comunicação, potencializar a voz da comunidade, colocar o artista local para cantar e fortalecer a cultura nacional”.
http://www.renajorp.net/

segunda-feira, 24 de março de 2008

GOVERNO URIBE: Capacho de Bush

Colômbia: descoberta nova mentira do governo de Uribe



Agência Bolivariana de Notícias
Sáb, 22 de março de 2008 16:35
Caracas, 22 de março
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ABN.- A Associação Latino-americana de Direitos Humanos (Aldhu) assegurou sexta-feira passada que o cadáver que as forças colombianas subtraíram após o bombardeio e massacre do dia 1 de março passado em território equatoriano, e que foi apresentado como do guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) Julián Conrado, pertence na realidade ao cidadão equatoriano Franklin Guillermo Aisalia Molina.

Após reconhecer que a pessoa que acompanhava Raúl Reyes numa fotografia difundida na reunião da OEA, a qual se afirmou que era o ministro equatoriano Gustavo Larrea, era na realidade um líder social argentino, agora se descobre uma nova mentira do governo colombiano.

Esta se une às informações de testemunhas do ataque ao acampamento guerrilheiro das FARC no Equador por parte da Colômbia, as quais afirmam que as tropas colombianas executaram os feridos com tiros de graça.

Segundo um artigo de Telesur publicado na edição digital da revista Rebelión, a Aldhu atribuiu a confirmação da identidade de Aisalia Molina a fontes da Interpol.

Num boletim de imprensa datado de sexta-feira passada em Quito, a organização assegura que as Forças Militares colombianas e o Governo de Álvaro Uribe falsificaram a identidade do segundo cadáver que exibiram junto a um dos chefes das FARC, Raúl Reyes, após o ataque em que morreram pelo menos 25 pessoas.

“Com efeito, o cadáver exibido pelas autoridades colombianas como sendo de Julian Conrado, é na realidade o de um civil equatoriano cuja identidade é Franklin Guillermo Aisalia Molina”, informou o secretário geral da Aldhu, o chileno Juan de Dios Parra.

Além disso, o secretário general desta ONG acusou o Governo colombiano de roubar o cadáver do cidadão equatoriano, para falsificar sua identidade e apresentá-lo como um guerrilheiro, com a finalidade de justificar a violação do território do Equador, que desatou uma crise regional.

“O assassinato de Aisalia Molina, o roubo do seu cadáver, sua exibição pública e a deliberada confusão de sua identidade, são novos elementos que agravam os delitos atrozes cometidos pelas autoridades colombianas no marco do massacre do primeiro de março”, destacou.

O governo do Equador anunciou que realizaria uma investigação para determinar a verdadeira identidade do corpo que autoridades colombianas apresentaram como Julián Conrado, ideólogo das FARC.

Na quinta-feira, em declarações a Telesur, Juan de Dios Parra explicou que “de ser certa a versão de que o cadáver exibido pelas autoridades colombianas como pertencendo a Julián Conrado se tratava de um cidadão civil equatoriano, estamos frente a vários delitos: um é um assassinato numa ação ilegítima de guerra, e dois o roubo do cadáver por parte daqueles que perpetraram esse crime”.

Por sua parte, também em exclusiva para Telesur, o embaixador equatoriano em Bogotá Francisco Suescum acusou as autoridades militares da Colômbia de seqüestrar cidadãos de seu país, matá-los e disfarçá-los ou fazê-los aparecer como guerrilheiros das FARC.

“Cidadãos equatorianos foram seqüestrados e assassinados por forças militares ou paramilitares do lado da Colombia e depois devolvidos ou disfarçados como se fossem guerrilheiros fazendo crer uma realidade totalmente contrária”, lamentou.

Os pais de Aisala Moreno, um serralheiro de 38 anos de idade de havia desaparecido no dia 21 de fevereiro passado, antes do ataque colombiano, reconheceram o cadáver de seu filho junto ao do comandante das FARC Raúl Reyes em fotografias difundidas por diferentes meios de comunicação.

Além de Franklin Aisalia, no bombardeio colombiano em território equatoriano foram assassinados quatro estudantes mexicanos, e três pessoas resultaram feridas, uma delas

O blecaute de 1991: acidente histórico

Lúcio Flávio Pinto *

Passavam 21 minutos do meio-dia quando faltou energia em Belém naquela sexta-feira, 8 de março de 1991. Nenhuma novidade para os belenenses em particular e os paraenses em geral: o Estado atravessou o século XX convivendo com crises periódicas de energia. Quando os blecautes se tornavam insuportáveis, alguma remediação era providenciada e a energia voltava à normalidade. Logo depois recomeçavam os racionamentos ou mesmo a escuridão. A concessionária inglesa do serviço em parte dessa história, a Pará Eletric, terminou seus dias desmoralizada, como "a paralítica", por suas constantes paralisias.
A partir de 1982, a energia passou a ter fonte hidráulica e não mais térmicas à base de derivados de petróleo, algumas das quais verdadeiras peças de museu: uma grande linha de transmissão começou a trazer para Belém a energia do Nordeste, principalmente da hidrelétrica de Boa Esperança. Dois anos depois a região começaria a ser alimentada pela usina de Tucuruí, em tempo de garantir o suprimento para a fábrica de alumínio da Albrás, que logo se tornaria o maior cliente em todo Brasil, exigindo uma vez e meia mais energia do que a vizinha Belém, a maior cidade da Amazônia, e 2% de toda demanda nacional de energia.
O que, naquele dia 8 de março de 1991, podia ser mais um episódio rotineiro de blecaute na área metropolitana de Belém, que causaria transtornos a um milhão de habitantes da capital paraense (exatamente no "dia nacional da cerveja"), se transformaria em "um dos mais longos blecautes sofridos por uma produtora de alumínio em todo o mundo". É a classificação dada por Maurício Schettino no livreto Blecaute - 12 horas sem energia elétrica na Albrás, publicado oito meses depois, a instâncias do então superintendente geral de operação da empresa. A publicação reuniu "os depoimentos de quem viveu esses momentos de angústia e incertezas".
A falta de energia, por longas 12 horas, aconteceu "um mês após ter sido ligado o último forno da segunda fase da Albrás, que a transformava na maior produtora de alumínio do Brasil, com capacidade para produzir 340.000 toneladas por ano", observa Schettino. A Albrás absorvera 1,3 bilhão de dólares de investimento (metade financiado pelo Japão, sócio da Companhia Vale do Rio Doce no empreendimento), com capacidade de faturamento de US$ 600 milhões ao ano.
A princípio se imaginou que os 864 fornos estariam irremediavelmente perdidos ou que sua reativação fosse impossível. Depois, houve dúvida se seria econômico retomar a fábrica. Finalmente, a questão foi sobre o método a ser utilizado para a repartida. Técnicas jamais tentadas antes em nenhuma outra fábrica foram usadas no religamento dos fornos da Albrás, que entraram progressivamente em linha (com inéditas partidas a frio e quente), graças ao esforço dos seus dois mil funcionários e a ajuda dos empreiteiros e consultores internacionais contratados. Até uma concorrente, a Alumar, de São Luís, colaborou. Em novembro, quando o precioso livreto foi publicado, a fábrica já trabalhava normalmente. Todos os fornos estavam recuperados. Uma batalha foi vencida.
Infelizmente, a única fonte documental interna é esse pequeno livro, que se tornou possível graças à clarividência de Maurício, um dos integrantes de uma família mineira, os Schettino, de intensa participação na história da Vale do Rio Doce (um irmão, Francisco, foi o último presidente da CVRD da fase estatal, que durou 52 anos). Passados 17 anos, o episódio continua praticamente à margem da historiografia amazônica, embora seja um acontecimento já inscrito na história mundial do alumínio, como o mais grave acidente que indústria do metal já sofreu por causa da falta de energia. O fato foi imediatamente registrado e interpretado na Bolsa de Metais de Londres, mas ainda não faz parte da memória regional (nem da estadual).
Nessa época eu suspendera temporariamente a circulação deste jornal para me dedicar ao projeto do Bandeira 3. Por causa da carta obscena de Hélio Gueiros, o jornal só circulou uma vez. Antes de voltar ao Jornal Pessoal, ainda mantive por algum tempo uma coluna de análise, publicada três vezes na semana (terça, quinta e domingo) em A Província do Pará, até uma tentativa de censura, contra a qual me insubordinei. No dia seguinte ao blecaute escrevi o primeiro artigo sobre o acidente, que saiu na coluna dominical.
Nele, mostrei o contraste: enquanto os dirigentes da Albrás eram "as mais angustiadas vítimas do blecaute", porque o esfriamento dos fornos "pode ser fatal em certas circunstâncias", em São Luís do Maranhão, onde estava a fábrica da Alumar, a segunda maior produtora de alumínio do país. "em menos de duas horas o abastecimento da empresa foi restabelecido porque ela é conectada à hidrelétrica de Tucuruí por duas linhas. Já a interligação Tucuruí-Albrás é singular. Há alguns anos se desenrola a novela (e o novelo) sobre a duplicação da linha, orçada em 60 milhões de dólares. Os japoneses querem que o investimento fique por conta da Eletronorte, que não rejeita propriamente o encargo, mas alega não dispor de dinheiro. O fundo Nakasone, que poderia financiar a obra, exige duas iniciativas prévias brasileiras: quitação da dívida atrasada junto aos agentes financeiros japoneses e a aprovação do FMI ao plano do governo brasileiro para sua dívida externa".
E completei:
"A Alumar (consórcio Alcoa-Shell, reforçado por dinheiro da Construtora Camargo Corrêa), consciente do risco da linha singular, financiou a duplicação e está se ressarcindo em encontro de contas com a Eletronorte. Os japoneses preferem continuar sua tática de reduzir ao mínimo a aplicação de capital de risco e forçar ao máximo os investimentos brasileiros, o que lhes permitiu economizar US$ 1,3 bilhão no projeto da Albrás (o equivalente a uma fábrica inteiramente nova)".
Concluí um novo artigo, publicado em A Província do dia 17, no qual narrava as conseqüências operacionais do acidente, retomando a questão da duplicação da linha de mais de 300 quilômetros, a causa da gravidade que o acidente representou para a Albrás (com prejuízo calculado inicialmente em até US$ 340 milhões, antes do seguro, seis vezes o valor da nova linha):
"Como explicar que a Albrás tenha negligenciado, durante mais de cinco anos, a questão vital da segurança no fornecimento de energia? Não há explicações lógicas ou plausíveis. A empresa acreditou na Eletronorte, que se comprometera a construir a segunda linha Tucuruí-Vila do Conde. Três ministros (Minas e Energia, Planejamento e Fazenda), ainda na administração Sarney, aprovaram a execução da obra por conta do governo, mas a Eletronorte não recebeu os recursos necessários (60 milhões de dólares). A Albrás fez de conta desconhecer a insolvência da Eletronorte e esperou três anos pelo cumprimento da ordem dos ministros".
Durante vários dias fui atrás de informação exclusiva, que recebi de uma fonte, sobre a verdadeira causa do acidente. Não era o que dizia a versão oficial, dada pela Eletronorte: um raio. Esta foi a explicação que começou a circular no dia mesmo do blecaute e foi aceita desde então por todos. No livreto patrocinado pela Albrás, José Maria Pacheco Neves, do setor de manutenção/utilidades, lembrou: "Não demorou e tivemos a notícia de Tucuruí de que um raio havia danificado uma das torres do linhão e que o problema era muito grave". A informação de Raimundo Aguiar Matos, que lidava com treinamentos e relações industriais, era de que, às 11 horas da manhã, "um raio caiu na linha de transmissão, que liga Tucuruí a Vila do Conde". Teria sido a aproximadamente 100 quilômetros da hidrelétrica.
No último fim de semana de abril de 1991 consegui levantar a história verdadeira e, depois da última verificação, publiquei em A Província do dia 25 a matéria que é a única a contar o que realmente causou um dos maiores acidentes já sofrido por uma indústria de alumínio.
Dizia a matéria, que reproduzo por seu valor documental:
Não foi um raio que provocou o acidente na linha de transmissão de energia da hidrelétrica de Tucuruí no dia 8 de março, ao contrário do que procurou fazer crer a Eletronorte, em nota oficial divulgada logo após o episódio. A causa foi a fadiga mecânica de uma peça metálica de sustentação dos cabos, conforme o resultado de uma análise realizada em laboratório da Eletrobrás, a pedido da Eletronorte, que ainda não divulgou o resultado do trabalho.
A peça entrou em colapso menos 10 anos depois de ser instalada, quando deveria durar pelo menos o triplo de tempo. É que, ao invés de ser em ferro forjado, ela era em ferro fundido. Mesmo não estando dentro das especificações técnicas estabelecidas pela própria Eletronorte, a peça foi recebida ("comissionada, segundo o jargão técnico) pela Engevix, consultora contratada para realizar esse serviço. Ninguém percebeu a falha até ocorrer o acidente.
Cada uma das torres metálicas da linha de transmissão possui três peças semelhantes à acidentada. Haveria aproximadamente três mil no total. A Eletronorte precisará rever todas as torres e, se encontrar as mesmas peças, terá que substituí-las. A possibilidade de que todas essas peças sejam iguais leva automaticamente ao risco de um novo acidente, que poderia se repetir a qualquer momento.
Quando o equipamento de localização de defeitos instalado na linha de transmissão de Tucuruí, a mais extensa do país, registrou o acidente no dia 8, os técnicos da Eletronorte perderam duas horas até decidirem que interpretação dar ao registro eletrônico. Ao saírem para a linha, já chovia intensamente e escurecia, dois fatores que dificultaram o trabalho da equipe de reparos. Um helicóptero só foi contratado depois que a única empresa com aparelho disponível, a Líder, recebeu as dívidas atrasadas e até então não pagas pela Eletronorte. A combinação de falta de treinamento das equipes de linha, erro na análise dos dados apontados pelo sistema de localização de defeitos e abandono dos investimentos acabou resultando no mais grave acidente sofrido por uma fábrica de alumínio em todo o mundo.
Em conseqüência, a Albrás, fábrica implantada pelo consórcio japonês NAAC e a Companhia Vale do Rio Doce, ficará sem produzir - em condições normais - durante seis meses. Nesse período, o metal obtido será de qualidade inferior, que a Albrás poderá vender a preço menor ou decidir simplesmente não colocá-lo no mercado para não afetar ainda mais os preços, ou então preservar o pagamento do seguro por lucros cessantes. Teoricamente, a Albrás perderia 160 mil toneladas, equivalente a 250 milhões de dólares.
Com o acidente, a Albrás ficou praticamente sem caixa para pagar os impostos que deve ao Estado e quitar sua conta de energia. A empresa paga todo mês o equivalente a sete milhões de dólares à Eletronorte por uma conta que representa uma vez e meia o consumo de Belém e 2% do consumo nacional de energia. Por um contrato assinado em 1984 para ter vigência de 20 anos, a Albrás tem direito a tarifa especial, 15% abaixo do que qualquer outra indústria e vinculada aos preços internacionais do alumínio. Este é o lado do contrato favorável à empresa. Mas outro dispositivo estabelece que, consumindo ou não, a fábrica paga uma cota contratada, no momento de aproximadamente 600 mil kW. Mas como a paralisação foi provocada pela Eletronorte, a Albrás só quer pagar um sétimo do estabelecido contratualmente. Se não for atendida, responsabilizará a concessionária de energia pelos danos sofridos. O seguro poderá fazer o mesmo.
Qualquer que seja o desfecho da negociação, que vem sendo feita muito cautelosamente, algum braço do gigantesco corpo governamental sairá perdendo - e muito. Tudo porque no Brasil, agora, mais do que nunca, inauguram-se obras monumentais que depois, por má ou inexistente manutenção, entram em deterioração e se transformam em fontes explosivas de problemas, capazes de estourar a qualquer momento. Na linha de Tucuruí, a preocupação agora é com a corrosão nas torres metálicas, cuja manutenção não tem sido satisfatória. Pode ser um novo capítulo.
HOJE
A Eletronorte reagiu através de outra nota. Corrigiu a anterior: a causa do desligamento "foi a ruptura de uma ferragem acoplada à cadeia de isoladores" e não o raio, como dissera. Mas "no momento da ocorrência" do acidente a hipótese do raio "era bastante viável, por não haver então "informações mais precisas". Não explicou por que, de posse de tais informações, quase dois meses depois, não corrigiu espontaneamente a primeira versão, só o fazendo por causa do meu artigo.
O resto da nota tratava do secundário em relação à denúncia da falha no comissionamento da peça, em defesa da competência da Eletronorte, que não teria demorado para agir, não teria ficado sem o helicóptero por falta de pagamento à empresa proprietária e não estaria deficiente na manutenção. Garantiu que estava cuidando do problema da corrosão para que um novo acidente semelhante não se repetisse, embora considerasse "normais" essas ocorrências "para uma linha de transmissão com 10 anos de operação".
Relembrar esse episódio pode ser útil, exatamente quando o deputado federal Jader Barbalho tenta conseguir aprovar a indicação que fez, do nome do engenheiro Lívio Assis, atual diretor do Detran, para a presidência da Eletronorte. Se Jader consumar essa façanha, pela primeira vez a maioria da direção da estatal será ocupada por representantes do Pará, incluindo a presidência. A passagem de paraenses pela direção da Eletronorte no passado não resultou numa providência elementar, reivindicada há muito tempo pelo Estado, responsável por 80% da oferta de energia da empresa: fazer a sua sede ser instalada na área que lhe cabe por jurisdição. A Chesf fica no Nordeste, Furnas no Leste, a Eletrosul no Sul, mas a Eletronorte não descola de Brasília. Os pretextos usados para essa estranha territorialidade (nem o Distrito Federal nem Goiás integram a Amazônia) dá uma medida do que tem sido a própria Eletronorte: uma empresa colonial.
Antes que tarde
Em nove meses, dois acidentes no funcionamento da fábrica de caulim da Imerys Rio Capim Caulim, em Barcarena, acenderam o sinal vermelho para a empresa, controlada por um grupo francês. A IRCC assumiu a culpa no primeiro caso, de junho do ano passado: indenizou ou se comprometeu a indenizar os moradores da região prejudicados pelo vazamento de caulim para as drenagens próximas e a pagar multa de quatro milhões de reais. O dinheiro não seria aplicado no próprio local, como se podia supor, mas no aparelhamento do Instituto Evandro Chagas, inclusive para que ele possa realizar análises sobre impactos ambientais na área.
O dinheiro ainda não saiu porque a empresa contesta que no meio da argila que vazou por causa do rompimento de uma das bacias houvesse metais pesados. A constatação foi feita em laudo pericial da polícia e, se verdadeira, agravaria muito a poluição causada, com efeitos extremamente nocivos à vida humana. O processo de lavagem do caulim não inclui metais pesados e sua presença caracterizaria uma anomalia, que precisaria ser investigada. O mais provável é ter havido um erro de interpretação. No entanto, é inquestionável que o rejeito da produção, se escapa da bacia de contenção, é agressivo ao meio ambiente. O primeiro acidente caracterizou a negligência da empresa no trato ambiental.
O segundo acidente foi uma reprise do anterior? Não parece. De imediato a empresa minimizou o acontecimento. Garantiu que houve apenas um transbordamento da barragem de contenção do líquido que resulta da lavagem dos equipamentos na fábrica e não do vazamento (ou rompimento, como no primeiro caso) das bacias de deposição do rejeito industrial. A falha teria resultado de uma combinação de fatores aleatórios: o excesso de chuvas no dia 2, um domingo, e a falta de energia, que colocou fora de uso as bombas de esgotamento da água. O acidente durou pouco tempo, foi logo sanado e o efeito do vazamento foi pequeno e de curta duração.
A versão da empresa é satisfatória? Também não, mesmo se admitindo que o segundo acidente foi de proporções muito menores do que o anterior. Até mesmo por critério estatístico, já está na hora de o poder público fazer uma inspeção rigorosa na Imerys e nas demais unidades industriais instaladas em Barcarena, com acompanhamento de consultores nacionais ou internacionais, para definir novos padrões de atuação tanto para as empresas quanto para o próprio governo, dentro de um plano diretor compatível com a expressão desse distrito industrial. Sob pena de continuarmos a assistir, quase impotentes, a novos acidentes e a um bate-boca às vezes constrangedor entre os que deviam servir de referência e guia para a sociedade. Além do ônus de, como sempre, sermos convocados para comparecer na reparação do prejuízo, em sua maior parte nosso.

* Jornalista

Processo do Exército derruba versão oficial sobre guerrilha

> Documentos revelam que guerrilheiros dados como ?desaparecidos? no
> Araguaia foram capturados vivos
>
> Leonencio Nossa, BRASÍLIA
>
> Um processo administrativo de rotina, aberto por um militar interessado
> em ganhar uma medalha, derruba a versão de que o Exército não tem em
> seus arquivos documentos secretos sobre as operações contra a
> guerrilha do Araguaia. Uma série de telegramas e ofícios comprovam
> também a prisão, o interrogatório e a tortura de militantes do PC do
> B que foram capturados vivos e, depois, dados como ?desaparecidos?.
>
> Desde 1982, quando parentes de guerrilheiros, sobreviventes do movimento
> armado e pesquisadores pediram na Justiça Federal a entrega dos
> arquivos para ajudar na localização dos corpos dos
> ?desaparecidos?, o Comando do Exército ou diz que os documentos
> não existem ou que foram queimados ao final das operações
> anti-guerrilha, em 1975.
>
> Em dezembro de 2004, o então comandante da Força, general Francisco
> Roberto de Albuquerque, disse que em suas unidades não havia
> documentos referentes à guerrilha do PC do B que atuou na divisa dos
> Estados de Tocantins (na época, Goiás), Pará e Maranhão de 1972 a
> 1975 e que resultou na morte de 59 guerrilheiros, quatro civis e 16
> militares.
>
> Parte dos documentos, carimbados com a palavra ?secreto?, com as
> informações que o Exército diz não possuir, foi entregue, em casa,
> em 1990, ao tenente da reserva José Vargas Jiménez. Ele é o autor do
> pedido - que resultou em um processo administrativo - para ser agraciado
> com a medalha do Pacificador, comenda do Exército que lhe foi concedida
> por ter participado do combate à guerrilha quando era sargento e usava
> o codinome ?Chico Dólar?.
>
> Em vez de manter o sigilo sobre o material recebido, Jiménez publicou
> um pequeno livro em outubro de 2007, em Campo Grande (MS), cidade onde
> mora. Isso levou o Exército a abrir uma sindicância para apurar o
> vazamento de documentos sigilosos. A sindicância foi arquivada em
> janeiro deste ano - sem negar a autenticidade dos documentos -, mas os
> fac-símiles começaram a circular abertamente neste mês por meio do
> blog de um outro militar da reserva.
>
> EXECUÇÕES
>
> Até hoje, o Exército admitiu, no máximo, que os militares que
> combateram a guerrilha podem ter agido ?fora dos ditames legais do
> Estado de direito?, como disse o general Albuquerque há três anos.
> Ele reagia à decisão de julho de 2003, da Justiça Federal, que
> mandou quebrar os sigilos dos arquivos do Exército - por causa dos
> recursos da própria União, o assunto tramita até hoje na Justiça
> sem decisão final.
>
> Os documentos oficiais em poder do tenente Jiménez dão provas de que
> muitos dos mais de 20 guerrilheiros que resistiram até o começo de
> 1974 não foram mortos em combate. Algemados, eles chegaram com vida
> às bases de Marabá, Bacaba e Xambioá.
>
> A lista dos guerrilheiros que prestaram depoimento nas bases inclui,
> entre outros, Antônio de Pádua Costa, o Piauí, Dinalva Teixeira, a
> Dina, Áurea Valadão, a Áurea, e os irmãos Elmo Corrêa, o Lourival,
> e Maria Célia Corrêa, a Rosinha.
>
> CASO DINA
>
> O caso da geóloga baiana Dinalva Teixeira, a Dina, a mais famosa
> comunista do movimento armado da Amazônia, é um dos mais
> emblemáticos. No ano passado, a Secretaria de Direitos Humanos
> publicou o livro Direito à Memória e à Verdade, reunindo todas as
> versões sobre a morte de Dina e de outros guerrilheiros. No caso dela,
> o livro só inclui relatos extra-oficiais, nunca com a chancela de um
> documento oficial.
>
> O capitão Aurélio da Silva Bolze, encarregado de reunir os documentos
> para dar a medalha do Pacificador a Jiménez, recebeu o seguinte
> telegrama, datado de 12 de junho de 1990, dos sargentos José Albérico
> da Silva e Paulo Eduardo Cunha e do cabo Marcelino de Oliveira, que
> estiveram no Araguaia: ?O sgt Vargas integrou equipe de busca e
> apreensão e equipe de resgate. Foi também emboscado pela equipe da
> ?Dina?, que, posteriormente presa e interrogada, declarou ter
> desistido da emboscada.?
>
> Os documentos do capitão Bolze informam, ainda, que o guerrilheiro
> Piauí, que segundo livros teria sido entregue por camponeses ao
> Exército, travou uma luta corporal com militares antes de ser preso.
>
> ?O sgt Vargas participou do confronto armado que resultou na prisão
> dos guerrilheiros ?Piauí? e ?Zezinho?. A prisão decorreu
> após luta corporal entre sgt Vargas e um dos guerrilheiros. Os
> guerrilheiros portavam armas de fogo e armas brancas.? Zezinho,
> citado no documento, era um morador da região recrutado pelos
> guerrilheiros do PC do B.

quarta-feira, 5 de março de 2008

QUE PRESIDENTE? QUE DIREITOS?

Direito de matar

Um parlamentar identificado com a chamada "bancada da bala", lobby das indústrias produtoras de armas, é o novo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Pompeo de Mattos (PDT-RS) tem um currículo invejável: ao defender posição contrária à proibição da venda de armas no país, ele escolheu o lado dos que apertam o gatilho da violência. E mais: optou pelos que lucram com isso.
Quem se habilita a propor a mudança imediata do nome da outrora combativa comissão?
PAGINA CRITICA

CRISE NA AMERICA DO SUL

BUSH A CULPA É TUA

Crise tem dedo do Imperilaista Bush


O conflito entre Colômbia e Venezuela, antes restrito às asperezas diplomáticas, ganhou traços de um conflito militar no final de semana. E, agora, envolve também o Equador. O estopim foi a ação desencadeada pelo exército colombiano contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) em território equatoriano. Sob as ordens de Álvaro Uribe, os militares ultrapassaram a fronteira sem comunicar o país vizinho e mataram 17 guerrilheiros, entre eles, Raúl Reyes, porta-voz tido como o número dois das Farc que se empenhou nas recentes libertações de reféns políticos (leia reportagem).


A operação em território estrangeiro provocou reações imediatas no Equador e na Venezuela. No domingo (2) à noite, os presidentes Rafael Correa e Hugo Chávez enviaram tropas para a fronteira com a Colômbia. Correa não aceitou as explicações e o pedido de desculpas de Uribe e expulsou o embaixador colombiano do Equador. Já Chávez fechou a embaixada venezuelana em Bogotá.


“O território equatoriano foi ultrajado e bombardeado por um ataque aéreo e a posterior incursão de tropas estrangeiras", afirmou o presidente. Correa caracterizou a operação do exército de Uribe como "a pior agressão que o Equador já sofreu da Colômbia" e solicitou uma reunião de emergência da Organização de Estados Americanos (OEA) e da Comunidade Andina de Nações (CAN) para tratar do assunto.


O conflito jogou mais lenha nas tensões entre os principais representantes de projetos políticos antagônicos para o continente. Uribe é o principal aliado de George W. Bush na região. Defende os acordos de livre-comércio e mantém laços estreitos com o Pentágono, em operações como a do Plano Patriota e Plano Colômbia – duas iniciativas que visam extinguir as guerrilhas Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN). Alinhado com os setores conservadores da sociedade colombiana, Uribe vive uma crise interna por conta das denúncias de ligações com narcotraficantes e grupos paramilitares (leia mais).


Já Hugo Chávez é o principal expoente do chamado Socialismo do Século 21 ou, em outras palavras, dos governos de caráter nacionalista e progressistas no continente. A ele se somam o boliviano Evo Morales e o próprio Rafael Correa que, no Equador, diz liderar a Revolução Cidadã (leia reportagem). Com uma retórica dura, Chávez tem criticado as políticas estadunidenses e protagonizado choques diplomáticos com os Estados Unidos, embora as relações comerciais entre os dois países tenham sido preservadas até o momento. O conflito entre a estatal PDVSA e a transnacional Exxon foi o último capítulo das desavenças (leia mais).


Para a senadora colombiana Piedad Córdoba, Uribe usa o conflito com Chávez para desviar a atenção da opinião pública das denúncias de ligação com os paramilitares. A senadora atuou como intermediadora no processo de libertação dos reféns das Farc. Em entrevista publicada pelo jornal Brasil de Fato, Córdoba avalia, no entanto, que não acredita que o conflito possa desembocar em uma guerra entre os dois países, já que ambos são parceiros comerciais preferenciais. A Colômbia é um dos países que mais vendem produtos agrícolas à Venezuela.

Antigas violações

Não foi a primeira vez que o exército colombiano ultrapassou suas fronteiras para confrontar as Farc. O governo equatoriano já protestou em outras duas ocasiões, pelo menos, contra incursões em seu território. Em 2007, Correa decidiu reforçar a vigilância na fronteira para coibir essas operações que violam a soberania equatoriana. Já em 2004, uma operação dos militares colombianos resultaram na prisão de uma liderança das Farc em território venezuelano. Uribe pagou a soldados venezuelanos para que seqüestrassem Rodrigo Granda e o levassem para a fronteira com a Colômbia. Chávez acusou-o de violar a soberania de seu país.

Na operação em que Reyes foi morto, o exército colombiano invadiu o território do Equador em quase dois quilômetros. Oficialmente, a justificativa apresentada foi a de que os guerrilheiros atacaram primeiro os colombianos. Em sua defesa, os militares alegaram que tiveram que avançar sobre o país vizinho. O presidente Rafael Correa rebateu o argumento: "Os cadáveres estavam de pijama, isto é, não houve nenhuma recepção quente. Foram bombardeados e massacrados enquanto dormiam, com uso de tecnologia de ponta, que os localizou na selva, seguramente com a colaboração de potências estrangeiras", comentou, referindo-se a uma possível ajuda dos Estados Unidos.


No domingo, Correa fez um pronunciamento em rede nacional para afirmar que não aceitou o pedido de desculpas da Colômbia e anunciar o envio de tropas à fronteira. O tom do discurso foi duro e o presidente equatoriano chamou Uribe de “mentiroso”: "O Equador sofreu um planejado ataque aéreo e uma posterior incursão de tropas colombianas com plena consciência de que estavam violando nossa soberania". Chávez, por sua vez, declarou que, se a Venezuela tiver seu território violado, responderá “enviando alguns Sukhois", referência aos aviões de guerra comprados recentemente da Rússia. “Não queremos guerra, mas não vamos permitir que o império norte-americano, que é o amo, e o seu filhote, o presidente Uribe, e a oligarquia colombiana venham nos dividir”, disse Chávez, em seu programa dominical Alô, Presidente que começou com um minuto de silêncio em homenagem a Raúl Reyes.

Crime de Guerra

Segundo o diário mexicano La Jornada, a operação militar colombiana pode ser considerada um "crime de guerra", já que viola a Convenção de Genebra. Esse tratado internacional classifica como crime de guerra, com a caracterização de "perfídia" (deslealdade), o assassinato de um membro de um exército adversário em meio a negociações de paz. "Proíbe-se matar, ferir ou capturar um adversário recorrendo-se à perfídia. Atos que convidam à confiança do adversário e que o leva a crer que está sob proteção das leis internacionais aplicáveis a um conflito armado. Trair essa confiança constitui perfídia", diz o documento. A Convenção de Genebra obriga a todos os países - acima de suas Constituições nacionais - a respeitar o estipulado no documento, no que diz respeito a direitos humanos e leis de combate. (Pesquisa com agências internacionais