domingo, 28 de dezembro de 2008

Pelo fim do bloqueio econômico a Cuba

DISCURSO DO SENADOR JOSÉ NERY

Srs e Sras, a humanidade não conhece muitos eventos que possam receber, de forma inconteste, a definição de fatos históricos. A Revolução Cubana, contudo, é indiscutivelmente um desses fatos. Em 1º de janeiro de 1959, o ditador Fulgêncio Batista, um títere a serviço do Governo dos Estados Unidos, foge de Cuba, marcando o início de uma nova era para a humanidade.

A pequena ilha de Cuba, conquistada em 1492 por Colombo, já nasceu sob o signo da polêmica. Isso porque o conquistador espanhol fez jurarem os integrantes de sua expedição, sob pena de severas punições, que Cuba não era uma ilha, mas uma parte do continente asiático. Tudo para comprovar sua tese de que havia chegado à costa ocidental da Ásia.

Cinqüenta anos se passaram desde o triunfo da revolução, e nosso respeito e admiração por Cuba só aumentam. A Revolução Cubana se tornou grande por materializar a luta antiimperialista travada por milhões de seres humanos que não se curvam diante da arrogância do império do capital. Cuba é um ícone para aqueles que acreditam que o homem pode viver sem estar submetido à lógica capitalista, que coisifica o homem e transforma tudo e todos em mercadoria. A resistência do povo cubano é um alento para milhões de lutadores sociais que dedicam sua vida à construção de uma sociedade justa e igualitária, onde a solidariedade e o respeito à vida e à natureza sejam efetivamente valores universais.

Fidel Castro e Che Guevara são símbolos de uma era. Jovens ainda, enfrentaram e venceram não apenas o regime de um ditador local, mas toda a fúria política e militar do mais poderoso país que a humanidade já conheceu, os Estados Unidos da América. Não foram poucos os esforços dos Estados Unidos para derrotarem a Revolução Cubana. Isso porque seus governantes sempre foram conscientes da transcendência da luta do povo cubano.

Os economistas tradicionais, sempre afeitos às teorias do capitalismo, não conseguem entender como essa pequena ilha do Caribe pode ostentar invejáveis índices sociais, estando submetida a um severo bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos desde 1962 e que já causou perdas superiores a US$80 bilhões. Além de excelentes sistemas de saúde, educação e transporte, Cuba, segundo estudos da ONU, está ente os 70 países que apresentam um alto Índice de Desenvolvimento Humano (acima de 0,800). Em 2007, o IDH de Cuba foi de 0,838 (51º melhor do mundo).

Aliás, é bom lembrar que a própria ONU, pela 17ª vez consecutiva, já considerou criminoso esse bloqueio econômico. Dos 192 Estados-membros da Assembléia-Geral, 185 votaram a favor da resolução que exorta ao fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelo governo americano. A resolução contou apenas com três votos contra – Estados Unidos, como não poderia deixar de ser, Israel e Palau – e com a abstenção da Micronésia e das Ilhas Marshall.

O Presidente cubano Raúl Castro esteve no Brasil, participando da reunião da Cúpula da América Latina e do Caribe. Este é um momento privilegiado para que o Brasil e os brasileiros possam manifestar e reafirmar seu apoio à luta do povo cubano, exigindo do novo governo americano o fim do embargo a Cuba e o respeito a uma Nação soberana. Os Estados Unidos não têm a menor condição moral de julgar quem quer que seja. A atual crise econômica, que demite dez mil trabalhadores por dia na Europa e que já demitiu milhares em nosso País, foi criada nas entranhas dos Estados Unidos. O mais recente capítulo da crise é o rombo de mais de US$50 bilhões de dólares promovido pelo ex-Presidente da Nasdaq, Bernard Madoff. Só a lógica capitalista permite que um único homem possa enganar diversas instituições e mesmo países por tanto tempo.

Os ideais que movem a Revolução Cubana estão mais vivos do que nunca na luta de todos aqueles que, diariamente, destinam a sua vida à luta pelo socialismo. Milhares de homens e mulheres estão solidários à causa cubana porque se identificam com a luta antiimperialista. A revolução que começou com uma luta anticolonial se transformou, pela sua dinâmica interna, em uma revolução socialista. Fidel Castro e Che Guevara permanecem símbolos universais da resistência e da tenacidade dos lutadores latino-americanos.

Desde já, manifesto minha solidariedade aos 50 anos da gloriosa Revolução Cubana, a ser celebrada em 1º de janeiro de 2009, desejando que ela continue servindo de inspiração à luta por uma sociedade sem explorados e exploradores em todos os continentes do nosso imenso planeta.

Srªs e Srs. , nesta semana, a realização da Cúpula da América Latina e do Caribe, na Bahia, foi uma importante oportunidade para que os países latino-americanos assumissem o compromisso de constituir um organismo multilateral para cuidar da integração da relação comercial e política dos países do continente. E têm um significado especial a presença, o acolhimento e a denúncia conjunta feita por todos os países ao bloqueio comercial imposto à Cuba e a exigência para que o novo governo dos Estados Unidos tenha, finalmente, uma postura à altura da atualidade. Não se pode mais aceitar um bloqueio criminoso como aquele a que Cuba foi submetida desde 1962. Além da reafirmação do compromisso da criação de um organismo multilateral, ao lado da afirmação da luta pela soberania dos nossos países, em especial do povo cubano, há a significativa presença do Presidente Raúl Castro.

Quero, manifestar a minha enorme satisfação de ter tido a oportunidade para um breve diálogo com o Presidente Raúl Castro, quando pudemos conhecer melhor parte da sua luta e da luta do povo cubano, bem como ouvimos sobre os desafios que estão postos à continuidade de uma revolução que se mostrou vitoriosa, porque Cuba exibe para o mundo, orgulhosamente, indicadores sociais da mais alta relevância, que, por si só, demonstram a importância dessa luta revolucionária. O Presidente Raúl Castro, que pouco viaja pelo mundo – e veio à Cúpula dos Países Latino-Americanos e do Caribe, em Salvador –, em sua passagem pelo Brasil, pôde receber a manifestação de várias lideranças políticas, de vários partidos, de intelectuais e dos setores e dos lutadores sociais que apóiam a causa do povo cubano.

Um comentário:

PABLO disse...

A comemoração do 50º aniversário da Revolução Cubana é momento de júbilo para todos os revolucionários, para todos aqueles que pensam em dias melhores como uma esperança para a humanidade, para os pobres de nossa América, do mundo, para os trabalhadores, para os desamparados, para os homens de ciência voltados para a humanidade. É um momento em que se reforçam nossas esperanças na capacidade de imaginar o futuro e construí-lo no presente, porque mais que uma utopia, mais que um desejo, mais que um sonho, a Revolução Cubana é uma realidade, que ao longo desses 50 anos tem servido de espelho para os povos da América, para essa massa de seres humanos que anseiam por dias melhores e um futuro digno.