sexta-feira, 24 de outubro de 2008

TRABALHO ESCRAVO: continua a luta pelo fim desta chaga social

Fiscais resgatam sergipanos de granjas do interior paulista

Trabalhadores que coletavam e embalavam frangos não tinham registro em carteira e vieram ilegalmente para SP. O salário pago era a metade do prometido pelo "gato", que cobrava aluguel, luz e comida dos empregados

Por Bianca Pyl*

Uma denúncia de um trabalhador rural ao sindicato da categoria conduziu a Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Bauru, no interior de São Paulo, a uma empresa que embalava frangos em granjas nos municípios de Pratânia (SP) e Laranjal Paulista (SP). Na empresa José Alves da Silva, os auditores fiscais encontraram 21 trabalhadores em situação degradante.

Os resgatados que coletavam e acoplavam as aves em embalagens eram provenientes do estado de Sergipe. Não tinham registro em carteira e chegaram ao interior paulista sem a certidão migratória exigida por lei. Foram aliciados na Região Nordeste por um "gato" (contratador de mão-de-obra), que prometeu salários de R$ 900 aos migrantes.

Quando chegaram para trabalhar, "descobriram" que ganhariam metade: R$ 456. "Os empregados recebiam os salários atrasados e tinham que pagar um aluguel do alojamento, água, luz e comprar a comida, que era preparada no mesmo quarto onde dormiam", explica Mário Tanaka, auditor fiscal e coordenador da ação.

A comida era comprada de um estabelecimento que pertencia ao próprio "gato". O banheiro utilizado por eles ficava fora do quarto e não era revestido de impermeabilizante, o que facilitava a proliferação de fungos. Muitos trabalhadores estavam com as mãos machucadas, por não usarem luvas de proteção durante a execução do trabalho.

Os gastos não eram descontados do salário, mas os trabalhadores pagavam pelos gêneros de necessidade básica. Eles também tinham que providenciar fogão e roupas de cama.

Os funcionários estavam no local há seis meses. Eles retornaram para Sergipe em 17 de outubro, com transporte providenciado pela empresa, que também efetuou o pagamento das verbas rescisórias. O trabalho nas granjas se dava de madrugada, das 19 às 11 horas do dia seguinte. Apesar disso, ninguém recebia o adicional noturno.

Além dos sergipanos, outras 24 pessoas que moravam nas proximidades também trabalhavam no local. Estas últimas voltavam para suas casas diariamente. "Para esses funcionários foi providenciado o registro em carteira e eles continuam trabalhando no local. A empresa também providenciou os equipamentos de proteção individual (EPIs)", relata o auditor Mário.


REPORTER BRASIL

Um comentário:

Sergio disse...

A campanha pel aprovação da PEC-438 está sendo um sucesso!

Neste sentido, seria importante fazer uma ampla divulgação.