quinta-feira, 9 de outubro de 2008

PARA CONTRIBUIR NO DEBATE

SEGUE TEXTO DE ANÁLISE DA LBI

Ausência de princípios do bloco dos que criticam a grana da Gerdau doada ao PSOL

O MES, corrente que dirige o PSOL no Rio Grande do Sul recebeu, oficialmente, 100 mil reais doados pela Gerdau para a campanha eleitoral de Luciana Genro. Este grupo empresarial é o inimigo de classe número 1 do proletariado gaúcho, apoiou o golpe militar e transformou-se em um das principais multinacionais brasileiras, tomando a frente da Vale e da Petrobras em internacionalização de seu capital. Para justificar sua conduta corrompida, a direção do MES vem advogando que somente pôs em prática o que já defendeu desde a campanha eleitoral passada dentro do partido e que, portanto, nunca foi um princípio do PSOL a independência financeira do partido em relação à burguesia e seu Estado. “Nossa posição nunca foi de recusar a possibilidade de doações de empresas para o partido. Estivemos contra recusar estas doações na campanha de 2006 e estamos contra recusar agora” (do documento “Nossa campanha tem financiamento claro, transparente, sem caixa dois e é comprometida apenas com os interesses do povo”, MES).

Os dirigentes do PSOL gaúcho têm razão quando dizem defender estas posições desde a fundação do partido, cínicos são os que se vestem de arautos da “ética na política” e apresentam o fato como um raio em um céu azul. Mesmo depois que toda a esquerda, dos mais diversos partidos e correntes já terem se posicionado, polemizado e repisado o assunto, a direção do partido não teve a hombridade de sequer emitir um documento oficial com o seu posicionamento. Vergonhosamente, em nota oficiosa, e não publicada no site do partido, a maioria da Executiva do PSOL resolveu timidamente reprovar o diretório de Porto Alegre e nada mais. “Compreendemos que no contexto atual e nas condições atuais de nosso partido, um partido socialista em construção, sem uma direção consolidada e pelas resoluções aprovadas em nossa conferência eleitoral, a opção realizada pela direção de Porto Alegre se mostrou equivocada.” (nota da maioria da Executiva do PSOL assinada por Luiz Araujo, Martiniano Cavalcante, Mário Azeredo, Babá, Tostão, Erico Corrêa, Edson Miagusko, Antonio Carlos Andrade, Afrânio Boppré, Jefferson Moura, BID, Silvia Bianchi). Logo, para as outras tendências da direção, incluindo os que se proclamam da esquerda do PSOL como a CST de Babá o financiamento pela burguesia é um problema conjuntural, recebê-lo agora é uma tática equivocada, mas quando o partido crescer e se consolidar aí já pode receber dinheiro dos empresários. E embora considere um “equívoco”, orientar devolver o dinheiro nem pensar! Numa clara demonstração de que estes membros da Executiva discordam em palavras, mas concordam nos atos.

Mas o que chama atenção é a crítica completamente carente de princípio ao MES das correntes minoritárias do PSOL, do PSTU e do grupo satélite do PTS argentino no Brasil, a LER. Correntes que, cada uma a seu modo, contribuíram e contribuem para esta degeneração política e que se mantém dentro do partido oportunista, impulsionam suas candidaturas, coligam-se com o mesmo ou possuem identidade programática com ele.

O SR lidera um bloco de crítica ao MES conformado pelo CLS, AS, ARS e Reage Socialista. Esta frente define o episódio como “um ponto de inflexão na construção do partido... um retrocesso evidente em relação ao projeto original do PSOL... o MES tenta passar a idéia de que essa política de financiamento de campanha é parte das deliberações da direção nacional e da Conferência eleitoral. É preciso que se repita com firmeza que isso não é verdade” (Nota do SR, CLS, AS, ARS, Reage Socialista e outros dirigida aos militantes do PSOL). O que não é verdade é a tentativa de apresentar a resolução do Diretório de Porto Alegre como algo estranho ao desdobramento natural do curso oportunista do PSOL! Os pretensos vestais psolistas criticam o “exagero” do MES, mas quando podem contribuem entusiasticamente com este curso. Por exemplo, conformaram nas eleições do maior sindicato do Rio Grande do Sul uma chapa com a DS do PT, corrente estatal, burguesa e governista, inimiga e repressora dos próprios trabalhadores gaúchos e apresentam esta traição como “Grande vitória da esquerda sindical” (sitio SR, 16/06/2008).

Como gente do PSTU que reivindica o financiamento público das campanhas eleitorais que recebe do Estado capitalista por esta via tem a desfaçatez de criticar seus pares do MES por receberem doações de um capitalista? Como o PSTU pode criticar o MES por receber dinheiro da burguesia quando está coligado com o PSOL em várias cidades do país e, inclusive, apresenta as candidaturas burguesas de Ivan Valente e Chico Alencar como exemplos de independência de classe frente aos patrões? Esses parlamentares, que já no PT participaram de todos os esquemas de financiamentos de campanha pelos empresários, defendem um programa de gerenciamento do Estado capitalista ao ponto de sequer se oporem à neoliberal Lei de Responsabilidade Fiscal, não votaram com os trabalhadores contra a reforma da previdência e apoiaram o famigerado Super-Simples. O PSTU critica o MES por ter como vice o reacionário PV em Porto Alegre mas está coligado entusiasticamente com a APS em São Paulo que indicou o vice do mafioso candidato a prefeito do PSB em Macapá! O PSTU faz um vergonhoso malabarismo político para municipalizar o episódio de Porto Alegre para não prejudicar as coligações oportunistas e burguesas que fez com candidatos do PSOL que conforma junto com o MES o bloco majoritário no partido!

A LER é um caso pitoresco à parte. Depois de ter ingressado envergonhadamente no PSOL, de ter forjado uma suposta “Corrente Operária” para impulsionar a construção do PSOL, lançando como candidata sua principal figura pública, Mara do Hip Hop, depois de defender a fusão do PSOL com o PSTU, de apoiar a candidatura de Heloísa Helena em 2006, agora vem também passar-se como arauta do principismo diante do financiamento burguês da candidatura de Luciana Genro. Ao fazê-lo defende em alto e bom som: “Impedimento de todas as candidaturas que recebam financiamento dos capitalistas!” (PSOL recebe 100 mil reais do Grupo Gerdau. Impulsionemos já uma campanha nacional de repúdio!, sitio da LER, 30/08/2008). Esta afirmativa aparentemente principista é traída pela que vem em seguida: “Divisão igualitária das verbas do fundo partidário a todos os partidos e organizações políticas! (idem). Não por coincidência, no documento que reivindica a grana da Gerdau, o MES resmunga em tom de justificação o fato de não poder contar com um financiamento público de campanha. Neste programa tanto o MES como seus críticos mais à esquerda comungam da mesma posição revisionista diante do princípio elementar da defesa da independência financeira dos trabalhadores em relação à burguesia e seu Estado.

O que é um princípio revolucionário básico para os genuínos partidos operários, não aceitar nenhum centavo da burguesia e seu Estado, mantendo a mais completa independência política, não pode ser transposto para os partidos burgueses e pequeno-burgueses, como o PSOL. Ao contrário, é extremamente educativo para a consciência das massas tomar conhecimento público de que Heloísa Helena ou Luciana Genro são bancadas pela classe inimiga porque, no fundo, defendem os interesses sociais desta. O esforço em defender uma ética plural e policlassista acaba por transformar-se em um apelo pela probidade do Estado capitalista e por mais transparência na vida partidária ... da burguesia e seus satélites. Justamente o primeiro argumento de Robaina e Pedro Fuentes, que fizeram tudo de modo ético, transparente e legal. Nesse sentido, tanto o MES como seus “críticos”, apesar das diferenças de grau, conformam uma ampla “Frente de Esquerda” que defende o mesmo programa, ora pegando grana da Gerdau, ora reivindicando que o Estado burguês os financie de forma “transparente

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