quarta-feira, 8 de agosto de 2007

MST QUER NOVO MODELO PARA REFORMA AGRÁRIA

Durante todo o século 20, os movimentos camponeses da América Latina lutaram pela chamada Reforma Agrária clássica, por meio da combinação da distribuição de terras com um projeto de desenvolvimento da indústria nacional, com fortalecimento do mercado interno e distribuição de renda. Esse modelo tirava os camponeses da pobreza e promovia o desenvolvimento mais justo. Assim aconteceu em todos os países do Hemisfério Norte, mas as elites brasileiras aderiram ao neoliberalismo, um modelo dominado pelo capital financeiro e internacional, dentro do qual a Reforma Agrária clássica está esgotada.

O modelo se esgotou por imposição das elites, não por nossa vontade. No entanto, a questão Agrária não está resolvida e temos 150 mil famílias acampadas e mais de quatro milhões de famílias Sem Terra no País. Diante disso, o MST vai lutar por uma Reforma Agrária de novo tipo, que é a democratização da terra combinada com reorganização da produção, priorizando alimentos para o mercado interno, sem o atual controle das empresas transnacionais. Precisamos também de uma Reforma Agrária que adote novo padrão tecnológico, respeitoso do meio ambiente, levando para o interior do País as agroindústrias na forma de cooperativas, o acesso à escola e à educação.


O país precisa de um novo modelo agrícola, baseado na pequena e média propriedade. Para isso, precisamos antes de tudo derrotar o neoliberalismo, por meio da construção de um novo modelo de desenvolvimento nacional, que priorize a distribuição de renda, a indústria nacional e a prioridade absoluta em gerar trabalho e emprego para o povo ter renda.

O primeiro passo desse novo tipo de Reforma Agrária é a democratização da propriedade da terra, uma bandeira republicana que pode ser estabelecida por meio de limites no tamanho da propriedade rural.

Não se pode admitir que uma empresa qualquer tenha 100 mil ou 1 milhão de hectares apenas porque tem dinheiro. Os verdadeiros agricultores, mesmo capitalistas, sabem que com uma fazenda de 1.000 hectares podem ganhar muito dinheiro. A organização da produção, antes de tudo, deve atender as necessidades do mercado interno. O maior mercado potencial de produtos agrícolas não é Europa nem os Estados Unidos, são os pobres do Brasil. Aqui temos 60% da população que se alimentam mal.

Ou seja, temos 120 milhões de brasileiros querendo consumir, mas não têm renda. Atualmente, as transnacionais vêm aqui e controlam a produção, o comércio, o preço. Isso está errado. Como alternativa ao controle da produção e processamento dos alimentos, temos que levar as pequenas agroindústrias para o campo, gerando emprego e renda no interior do país.

Precisamos também de uma nova matriz produtiva no campo, por meio de técnicas que respeitem o ambiente, produzam alimentos saudáveis e não cheios de agrotóxicos, que afetam a saúde de toda a população, inclusive a da cidade, que muitas vezes pensa que não tem nada a ver com isso. Depois, podem pagar a conta desse desconhecimento no hospital.

Por fim, precisamos levar os serviços públicos para o campo, especialmente educação formal e o conhecimento para formar o cidadão camponês. O camponês sem estudo só enxerga a terra na frente dele e não compreende a complexidade da sociedade brasileira e da luta de classes. Nós estamos fazendo um esforço enorme de elevar o nível de consciência cultural e política.

Foi lançado no congresso uma campanha nacional de alfabetização no campo, com base no método cubano. Temos que dominar as letras e avançar no ensino formal. Quem está no ensino fundamental tem que ir para o ensino médio, e, quem está no médio tem de entrar na universidade. Para isso, nós temos só uma bandeira: para ser militante dos Sem Terra tem que estar estudando

Nenhum comentário: