segunda-feira, 6 de agosto de 2007

DIVISÃO DO PARÁ

Entre outros fatores, será necessário instalar os três poderes da administração
Custo do separatismo será elevado


O movimento separatista do Estado do Pará nunca esteve tão perto de atingir os seus objetivos. Em julho passado, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o Projeto de Decreto Legislativo nº 52/2007, de autoria do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que autoriza a realização de plebiscito para a criação do Estado do Carajás, a partir da divisão do Pará. O resultado animou quem também torce pela criação do Estado do Tapajós. Agora, o PDL irá a plenário e, se for aprovado, deverá ir para a Câmara dos Deputados.

Segundo o cientista político Raimundo Jorge Nascimento, essas pretensões de redesenho do mapa são antigas e implicam um custo elevado para a União. “Vai ser necessário implantar os três poderes. Isso vai fazer aumentar o número de funcionários públicos”, explica Nascimento.

Para ele, o fortalecimento dos debates seria motivado por interesses políticos. “Velhas oligarquias que hoje podem estar sub-representadas voltarão à esfera de poder e terão nova projeção”, comenta. Além disso, a possibilidade de que a União arque com os recursos para o desenvolvimento dos novos Estados também seria um atrativo para muitos interessados na divisão.

Nascimento ainda cita que seria necessário observar o Estado do Tocantins - ele não se tornou uma superpotência. Sem falar que as áreas menos favorecidas continuaram pobres, por outro lado fortunas aumentaram, surgiram novos políticos. Mas, o que interessa saber é se houve mudança no desenvolvimento humano nestas áreas”, ressalta. “A separação também pode levar a novas unidades extremamente dependentes e carentes. Se a União pode fazer a criação, por que não investir nas áreas? Sai mais barato e também trará bons resultados”, sugere.
Flávia Ribeiro - WWW.DIARIODOPARA.COM.BR

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