domingo, 5 de agosto de 2007

AMAZÔNIA: Expansão do Capitalismo 2

Nos aspectos econômicos o processo de devassamento ocorre em quatro grandes etapas, todas elas descritas por Cardoso e Muller, como sendo impulsionadas pela expansão do capitalismo. O primeiro devassamento foi o da floresta tropical situada ao longos dos rios na busca pelas drogas do sertão. O segundo ocorreu no final do século XIX e inicio do século passado como o ciclo da borracha. O terceiro a partir dos anos 20/30 do século passado com a chegada das frentes pioneiras agropecuárias e mineral. O quarto devassamento, e ultimo em penetração territorial ocorre a partir dos anos setenta.
O povoamento da Amazônia ocorre durante os séculos XVII e XVIII, quando os portugueses, se deslocam para região com a finalidade de afastar os ingleses, holandeses e franceses que se apoderavam das “drogas do sertão”. Desse momento de defesa surgem os núcleos fortificados: São Luiz do Maranhão, Belém, Macapá e Manaus, aos quais vão se reunindo aldeamentos indígenas e de colonos que tentam por em pratica as diretrizes do governo de Lisboa que visava a passar a coleta das drogas a seu cultivo e, assim, apossar-se efetivamente dessas áreas. Portanto, os núcleos militares, colônias e missões, baseados na exploração da mão de obra indígena, são as primeiras manifestações de povoamento na Amazônia.
Se o “ciclo” das drogas do sertão fez parte de uma economia que nasceu como reserva, ou seja, a alavanca na acumulação primitiva do capital, a época da expansão do capitalismo mundial, o ciclo da borracha nasce e se desenvolve tendo como objetivo baratear, via imposição dos preços coloniais à borracha. Neste sentido, o capital industrial internacional comandou o processo de utilização do trabalho compulsório no latifúndio. A comercialização do látex no âmbito mundial estavam nas mãos de agentes estrangeiros, enquanto que a intermediação comercial e financeira interna e a organização do latifúndio nas mãos nacionais.
São quatro as características que ainda hoje marcam a região, a primeira é o chamado “sistema de aviamento” o regime de trabalho e o padrão de vida dos seringueiros baseados no endividamento reiterado, o que colocou o trabalhador nas mãos do proprietário comerciante. Uma segunda característica da economia da borracha provém do processo de obtenção do produto e de sua circulação. A terceira convém assinalar que a população rural oscilava entre as atividades agrícolas e as de extração. Ou seja, a um deslocamento da população da agricultura para a coleta. A quarta e e ultima característica da região diz respeito a que se o ciclo da borracha pressupôs uma transferência de população de modo a dotar a Amazônia de uma massa de mão-de-obra.
Cardoso e Muller distinguiram duas fases na economia da Amazônia no período posterior a 1940: uma que vai desta data até 1945, caracterizada por um novo surto da borracha, e outra de 1945/50 em diante, caracterizada pelo desenvolvimento de alguns produtos voltados para o mercado.
Ribamar Ribeiro Junior

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