segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Mudança no Fundeb reconhece a formação por alternância como proposta de ensino integral


A partir do próximo ano, a distribuição de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) considerará como de educação em tempo integral as matrículas nas séries finais do ensino fundamental ofertadas por instituições comunitárias do campo que tenham como proposta pedagógica a formação por alternância. Mais de mil alunos serão beneficiados com a medida.

A mudança na operacionalização do Fundeb consta de portaria do Ministério da Educação - 
MEC nº 1.344/2016 publicada nesta quinta-feira, 1º de dezembro.  no Diário Oficial da União.A proposta é universalizar e ampliar a melhoria da educação básica no campo. “Este é um marco importante para a educação do campo, na medida em que reconhece a pedagogia da alternância como proposta pedagógica de formação integral do educando”, destacou a titular da Secretaria de E ducação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do MEC, Ivana de Siqueira.

Com a nova orientação do Fundeb, as matrículas efetivadas por instituições comunitárias do campo conveniadas com o Poder Público serão computadas como de tempo integral para efeito de repasse de recursos baseado em maior fator de ponderação. O valor investido na mudança é de R$ 325,7 mil. O custo por aluno passará a ser de R$ 3,56 mil.

A pedagogia da alternância contempla a formação integral do educando ao intercalar períodos de aprendizagem. Um período de vivências no ambiente escolar (tempo-escola) e outro em que o estudante desenvolve pesquisas, projetos, atividades individuais e coletivas com o auxílio do planejamento e acompanhamento pedagógico dos professores e da família (tempo-comunidade). A metodologia contabiliza os períodos vivenciados na escola e no meio socioprofissional (família e comunidade) como dias letivos e horas. Dessa forma, ultrapassa os 200 dias letivos e as 800 horas exigidas pela Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996). Além disso, promove a formação integral de jovens do campo com vistas ao desenvolvimento sustentável.

A Equipe Pedagógica Nacional (EPN) da União Nacional das Escolaa Famílias Agrícolas do Brasil (UNEFAB) comemorou mais esta conquista para o Movimento da Educação do Campo, em especial para os Centros Familiares de Formação por Alternância (CEFFAs) que são quase 300 em 20 estados brasileiros. A notícia foi dada pelo Coordenador da Equipe Joel Duarte Benísio (MEPES).

No Pará a medida beneficiará as 27 Casas Familiares Rurais (CFRs) e a Escola Família Agrícola (EFA) Jean Hébette em Marabá. Para o educador Damião Santos membro da EPN da UNEFAB possibilidade de mais recursos financeiros para dar condições de oferta da educação em tempo integral, já ofertada pelos CEFFAs.

Fonte: 
Assessoria de Comunicação Social  do MEC

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Prefeitura de São Domingos do Araguaia entregou 11 mil mudas de açaí para agricultores




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A Prefeitura Municipal de São Domingos do Araguaia, na gestão do prefeito Pedro Paraná, através da Secretaria Municipal de Agricultura, que tem a  frente o secretário Lourival Pimentel realizou no dia 23  cerimônia de entrega de 11000 (onze mil) mudas de Açaí BRS-Pará (precose), com participação de 150 agricultores presentes, ocasião em que cada agricultor recebeu 70 mudas de açaí. Esta ação visa o incentivo a produção de alimentos e a recuperação de nascentes e córregos. Os trabalhos de produção, distribuição e orientação  foram coordenados pelos técnicos agrícolas, engenheira agrônoma, engenheira ambiental e o secretario.
A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado Pará (Emater-Pará), participou como uma das parceiras. Na ocasião, o coordenador  do escritório local, técnico agrícola, Rudinei Ribeiro Magalhães, compôs a mesa de abertura dos trabalhos do evento, e na sequência proferiu uma palestra sobre a importância da produção de açaí. Em sua fala ele destacou pontos importantes, “como o fato de que o cultivo do fruto contribui para estabilizar alguns fatores socioeconômicos vitais, como empregabilidade, estabilidade financeira, segurança alimentar, entre outros. ”
Segundo Rudinei Magalhães, o Brasil passa por uma crise que tem causado sérios impactos na economia, “mas graças a Deus não chega a causar falta de alimentos”. Ele reiterou aos presentes, incluindo produtores assentados e não assentados, a maioria assistida pela Emater e residente na região da Vila Santana, que “essa quantidade de mudas de açaí aqui recebida dá pra plantar uma área de 27,5 hectares, o que corresponde a uma produção de 275 toneladas e a uma receita de R$ 275 mil”.
O gestor da Emater no município também ressaltou que, por ser a cadeia produtiva do açaí “uma prioridade do Governo do Estado através do Programa Pró Açaí”, o trabalho desenvolvido pela Empresa é fundamental, “por sua competência técnica, proximidade e apoio aos agricultores e à produção familiar, ajudando-os a alavancar a produção estadual”. Ao final da palestra, ele abordou técnicas de preparo de cova, adubação, irrigação, espaçamento e desbaste, que contribuem para melhorar o cultivo de açaí.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

BREVE MEMÓRIA DO PROFESSOR JEAN HÉBETTE










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Damião Solidade dos Santos[2]

Em 1988 com 13 anos de idade presenciei junto com meus familiares agricultores/as a fundação do Centro Agrário do Tocantins (CAT), que depois passou a ser Agro-ambiental. Lá estava o Professor Jean Hébette no meio das lideranças sindicais rurais e professores/as.
É no âmbito do CAT e, na condição de jovem camponês que participo em 1993 do I Encontro de Jovens evento nasce a ideia de criação de uma Escola Agrícola. Em 1995 através da Associação dos Pais da Escola Família Agrícola (APEFA) fizemos as primeiras articulações com os órgãos públicos em Belém. Na UFPA fomos acompanhados a seu pedido pelo Professor Raul Navegantes. Ficamos hospedados na sua Casa e como base o Escritório do CAT  na Avenida José Malcher nº 128.
Jean morou em Belém na Travessa Mercedes nº. 7 - Bairro São Brás (uma das Casas dos Padres Oblatos - OMI). Espaço que conviveu por muitos anos com padre francês Alfonse Flohic (economista mestre dos cadernos de gestão e das análises de conjuntura fé e política). A casa de Jean sempre hospedou e acolheu eventualmente agricultores/as e dirigentes das organizações vinculadas ao CAT. Nos últimos anos serviu de seu escritório e lugar de reflexão e trabalho com seu grupo de pesquisa.
Jean na qualidade de coordenador do Centro Agro-ambiental do Tocantins (CAT) colaborou diretamente com a Escola Família Agrícola (EFA) da Região de Marabá desde o surgimento da ideia, e durante seu funcionamento e consolidação:
·         Deu apoio para o funcionamento da Comissão de Articulação (1993 – 1995);
·         Mediou a obtenção de recursos financeiros para os primeiros anos de funcionamento (1995 – 1997) através da ONG inglesa Cristian Aid;
·         Através da Associação dos Pais da Escola Família Agrícola (APEFA) apoiou nas articulações com os órgãos públicos em Belém (1995) no sentido de obter a certificação e reconhecimento da EFA;
·         Estabeleceu contatos com a ONG belga Solidariedade Internacional dos Movimentos Familiares de Formação Rural (SIMFR), visando a construção dos prédios da EFA (1997), o projeto original não se consolidou, mas em 2001 e 2002 a SIMFR, através da União Nacional das Escolas Famílias Agrícolas do Brasil (UNEFAB) apoiou financeiramente a FATA/EFA;
·         Articulou o primeiro convênio com a Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC), ato que reconhece oficialmente a Pedagogia da Alternância (1998 – 1999), contou com apoio do casal Violeta e João de Jesus Loureiro;
·         Articulou recursos financeiros da Campanha da Fraternidade da Bélgica para a instalação na FATA/EFA de uma Biblioteca voltada para jovens rurais promovendo a  aquisição de equipamentos e livros (2004);
·         Apoiou e sempre esteve atento às reformas dos prédios da FATA/EFA: o Sítio e o Centro de Convivência, participando da última por ocasião dos 20 anos da FATA/CAT.
A partir de 2001 quando diminuiu sua atuação junto a FATA, sempre visitava para trocarmos notícias. Dormia em simples quarto cheio de livros e de um rico acervo de pesquisa. Ele humildemente utilizava o espaço do mestre Afonso. O último contato físico se deu em 2009 em Marabá onde participou de uma sessão de formação na Especialização de Educação do Campo.
Jean retornou definitivamente para a Bélgica a sua terra natal, no dia 17 de abril de 2013. Para enfrentar seus problemas de saúde, ficou na Comunidade de Oblatos em Barvaux. Alguns amigos/as do seu grupo de pesquisa mantêm contatos frequentemente (em especial Edma, Raul e Gutemberg).
A partir de 2013 no processo de retomada do funcionamento da EFA propomos para a Secretaria Municipal de Educação de Marabá (SEMED) a criação da EFA de Ensino Fundamental “Prof. Jean Hébette”, que na prática é uma Escola Camponesa com objetivo de oferecer Educação do Campo para os/as agricultores/as familiares. Esta homenagem se justifica pela relação solidária que o referido pesquisador manteve durante quatro décadas com os camponeses/as da região.
Dia 11 de novembro de 2017 fez sua última cruzada. A nós todos/as que estamos por aqui na Terra, cabe a responsabilidade de seguimos a serviço da classe camponesa...
Lembrar de Jean é também recordar o programa CAT vinculado aos STR´s e a UFPA, tendo como base inicial a FATA e o LASAT funcionou durante dez anos proporcionando a classe camponesa uma nova proposta de assistência técnica e pesquisa-desenvolvimento. Trabalho este que contribuiu para: a fundação da Cooperativa Camponesa do Araguaia Tocantins (COOCAT), em 1992; criação do Centro Agropecuário (CAP), em 1994; fundação da Escola Família Agrícola da Região de Marabá (EFA), em 1996.
            Os anos que se seguiram a esta posse simbólica de um espaço de trabalho e de estudo, de propriedade privada, porém de uso comum, viram se afirmar à autonomia daquele campesinato. Explodindo com a estrutura inicial de uma Fundação Agrária, a FATA, e de um Laboratório de Pesquisa, o LASAT, e atendendo às necessidades do homem do campo criou, dentro do Programa, uma cooperativa, a COOCAT, e abrigou uma escola alternativa para jovens agricultores, a Escola Família Agrícola, a EFA (HÉBETTE e NAVEGANTES, 2000, prefácio).
Sintamos a fala e a presença espiritual de Jean em nosso meio:
A consciência dos posseiros por seus direitos, o sentimento de dignidade das mulheres, a coragem de enfrentar o grileiro naqueles anos de contínuos conflitos no Sudeste do Pará foram uma das maiores experiências de minha vivencia, de que me lembro. Quase casualmente, e como uma dessas armadilhas do destino, tinha entrado em 1974 na vida acadêmica. Mesmo assim, continuavam participando de reuniões, de seminários, de debates como posseiros em comunidades de base e em sindicatos do Sudeste e Sul do Pará. Progressivamente, minha reflexão toda se voltava para essas regiões do Pará e para estes trabalhadores, tentando descobrir e entender como era a vida do que me parecia um ‘novo campesinato amazônico’. Um campesinato, sim, na secular tradição camponesa, mas socialmente reproduzido de forma original, sem igual, no Sudeste do Pará e ao longo da rodovia Transamazônica. Convivi muito com esses homens e mulheres, não em longos períodos de observação participante, nem levantamentos sistemáticos como no início de minhas pesquisas, mas conversando, trocando idéias, participando de reuniões, e refletindo sobre a vida, criando amizades, que perduram até hoje. Aprendi, nestes contatos, muito mais do que pude escrever. Perdi aquele distanciamento que tanto se fala nos livros científicos. Sonhei, até. Percebi que, além e apesar dos conflitos, do latifúndio em expansão, dos Grandes Projetos, estava se construindo e consolidando, a duras penas, este novo campesinato. De novo quase que casualmente, fui convidado a dar, de forma mais concreta e imediata, minha contribuição de pesquisador universitário. Nova etapa de minha aventura intelectual e militante. Embarquei numa proposta de cooperação franco-brasileira para a ‘pequena agricultura’, hoje chamada ‘agricultura familiar’, que resultou na criação do projeto Centro Agro-ambiental do Tocantins (CAT), em parceria entre Sindicatos de Trabalhadores Rurais da região de Marabá e minha Universidade, o que me absorveu de 1985 até o ano 2001. A criação desse projeto e o envolvimento de militantes sindicais nem sempre foram bem recebidos por certas lideranças regionais, pois visava a contribuir não pelo lado político-contestatório dos problemas agrários, mas pelo lado tipicamente profissional da produção, da inovação tecnológica, da assistência técnica, da gestão agrícola do meio ambiente, e dos fundamentos sociais da melhoria socioeconômica: cidadania, participação da mulher na produção e na vida sociopolítica, prática cooperativa, valorização do diálogo critico sobre experiências agrícolas, comercialização. Forneceu-me um campo fértil  para análise das relações de parceria entre produtores, pesquisadores e técnicos, um observatório privilegiado para conhecer as práticas sindicais. Fez-me sentir o cruel distanciamento das instituições oficiais em relação àquele campesinato (HÉBETTE, 2004, p. 12 – 13, Vol I).

REFERÊNCIAS


HÉBETTE, J; NAVEGANTES, R. S. (Org.). CAT – Ano décimo: etnografia de uma utopia. Belém: EDUFPA, 2000. 299 p.

HÉBETTE, J. Cruzando a fronteira: 30 anos de estudo do campesinato na Amazônia. Belém: EDUFPA, 2004.  4 v.



[1] Homenagem em 16 de novembro de 2016.
[2] Professor na Rede Ensino da Secretaria Municipal de Educação de Marabá (SEMED) e Extensionista Rural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (EMATER-PARÁ). dsolidade@bol.com.br

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Cruzando a Fronteira: O legado de Jean Hebette

“,,,A festa rolou a noite toda: o Jean Hebette chegou. A porta do paraíso já estava aberta, fato raríssimo autorizado por São Pedro; só se tiver muitas peixadas dentro do céu: os sindicalistas do paraíso tinham organizados um abaixo-assinado! Uma multidão estava na espera. Uma imensa faixa encomendada por Jean Wambergue e pintada por sua nora, a Luza, dizia simplesmente “bem vindo, Jean, teu lugar agora é aqui conosco”. 


O Manoel Monteiro de Itupiranga, o Almir de São João deram as boas vindas relembrando os fatos que fizeram o Jean ganhar seu lugar junto a eles. Não é necessário citar esses fatos pois até as pedras do mundo mineral sabem disso e poderiam falar. Um banner cobrindo a metade do ceu organizado pelo Jean Pierre Leroy da FASE, a Iza Cunha da CPT e o Rosinaldo do LASAT citava a longa lista dos seus escritos. Todas as obras do Jean eram distribuídas de graça para quem quisesse; só tinha que ter dois compromissos: o primeiro ler pelo menos uma obra (ninguém podia alegar que, no Éden, tinha trabalho de mais ou que não tinha tempo!!!!) e o segundo ser padroeiro forte de pelo menos uma ação da reforma agrária no mundo.  
O arcanjo Michel organizou a fila dos abraços; foram vistos  o “Gringo” de São Geraldo, o Joao Canutos e seus filhos de Xinguara, o Expedito de Rio Maria, o Benezinho de Toméaçu, o Virgilio de Mojú, o Gabriel Pimenta de Marabá com o Dede e sua familia, o Arnaldo de Eldorado com o Regino e o Oziel Pereira, o Fusquinho de Parauapebas, o Ze Claudio com a Maria, o Geraldinho e o Zé Piau de Nova Ipixuna, o Cesinho com seu pai Sebastião e as duas santinhas, Edileuza e sua irmãzinha de Goianésia, o Dezinho e o Ribamar de Rondon, o Zezinho da Marina de São João: esses são aqueles que se conseguia enxergar pois a fila se perdia nas nuvens do céu e foi muito demorada. O Jean falou muito emocionado: longe da região de Marab&aacut e; por mais de dois amargos anos não sabia que o Manoel e Almir o tinham antecipado no céu; falou pouco e agradecendo dizendo que estava com muita saudade de todos, que fazia tanto tempo !!!...e que agora ia ter todo tempo do mundo para botar os assuntos em dia.
O Josimo, a Dorothy e Adelaide organizaram o cocktel; distribuíram caipirinhas e sucos de frutas para quem queria. O imenso bolo de macaxeira não tinha vela pois agora no paraíso não precisava mais contar os anos; esse bolo tinha a forma do Brasil na cor da terra que todos queriam ver dividida. O foro correu até o amanhecer.... O bom São Pedro estava preocupado: o Jean estava mudando até o céu; (sorte para nos da terra!!!!!)”

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Em julho 2014, fui na Bélgica visitar o Jean junto com minha Socorro, com minha mãe e meu irmão Jean também, todos bem conhecido do nosso Jean. Nos todos ficamos chocados de encontrar ele em cadeira de roda não conseguia se levantar, com dificuldade de falar: o mal de Alzheimer estava progredindo violentemente. Mas o sorriso que ele deu quando nos percebeu foi aquele que todos conhecem. Fomos no quarto dele. Ele perguntava muitas coisas; pedia noticias dos amigos de Marabá; ele tinha dificuldade de acompanhar os relatos. Várias e várias vezes, seu olhar azul se perdia no espaço: filmes e filmes de lembranças deviam passar na tela da sua vida. Nos deixamos ele no refeitório para a janta com a claro impressão que o corpo dele estava na Bélgica mas a c abeça e o coração estava no Pará.
Alguns dias depois estava com a Socorro e meu irmão o Jean, em Paris, visitando o Henri des Rosiers; comentando nossa visita ao Jean, o Henri com seu corpo pela metade paralisado mas com espirito muito vivo, ele acrescentou: “estamos vivendo aqui, mas estamos como peixe fora da água; nossa água viva esta no Sul do Pará!!!!
Encontrei o Jean logo que cheguei no Brasil no dia 26 de julho de 1975: foi ele que, tendo um compromisso no Rio como professor do NAEA/UFPA, aproveitou para me deixar no CNFI, escola de língua e aculturação para agente de pastoral que chegava no Brasil.
Foi o Jean que encontrei nas pesquisas que fazia junto com Rosa Azevedo na região de Marabá. Muitas vezes, encontrei ele quando nos criamos a CPT  Regional Norte II e  a de Marabá junto  com Dom Alano, a Dorothy com sua colega Rebeca, Ademir Martins, Luza, Orlando Solino: Marabá era e ainda é uma mina para bamburro para qualquer pesquisa sobre o campesinato.
Foi o Jean que encontrei como conselheiro e colaborador na formação da CPT regional Norte quando fui, em 1981, eleito coordenador da Reginal Norte II: ele estava nesse Conselho  entre muitos outros, o futuro vereador  Humberto Cunha, a pastora Marga Roth, o Mateus Oterloo, o advogado Paulo Fontelle, Carlos Sampaio, José Carlos Castro, Egídio Sales  que juntos com os movimento sociais e a CPT Regional criaram, no mesmo ano, a articulação do Movimento de Libertação dos Presos do Araguaia-MLPA.
Foi o Jean que encontrei quando casei com a Luza em1981 e que me deu todo seu discreto mas evidente apoio; numa viagem que fez na Europa, teve a delicadeza de  visitar meus pais na França. Foi o Jean que estava lá quando nasceram  a Ulda e o João. Foi o Jean que estava comigo quando a Luza faleceu na Ordem Terceiro em Belém no dia 2 de Novembro 1994. Foi o Jean que veio em casa muito alegre para conhecer minha noiva Socorro junto com seus dois filhos Bia e Fabio Junior.
Foi o Jean que encontrei quando junto com Almir Ferreira Barros, na época representante regional da FETAGRI, procurávamos uma entidade de apoio para acompanhar os problemas enfrentados pelos posseiros do Araguaia-Tocantins. O Jean com seu cúmplice Raul Navegantes formando a coordenação do NAEA, nos convidou junto com as recentes direções dos STTR dos sudeste paraense para um seminário de dois dias em 1987 que resultou no esboço do futuro programa do Centro Agro-ambiental do Araguaia Tocantins.
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Foi de novo o Jean que encontramos na criação da Fundação Agrária do Tocantins Araguaia-FATA para dar apoio aos agricultores organizados nos STTR da Região Sudeste, composta, na época, apenas de 4 municípios; hoje são 14. Os presidentes dos STTR das novas diretorias combativas recentemente eleitas eram Almir Ferreira Barros para São João, Manoel Monteiro para Itupiranga, Maria de Jesus Aguiar de Jacundá e Antonio Chico de Marabá; marcaram a assembleia para o dia 1 de agosto de 1988, no terreno da FATA de baixo das arvores na beira do Itacaiunas; eles formaram a primeira direção da FATA junto com o Jean.
Foi Jean com seu cúmplice Vincent de Reynal que articulou os pesquisadores comprometidos com a causa camponesa no Laboratório Socio-ambiental do Tocantins-LASAT e criou o primeiro curso de especialização DAZ  para Agrônomos do campo.
A partir da criação do CAT com suas dois braços  a FATA e o LASAT, o Jean raramente ficava mais de um mês fora de Marabá, principalmente quando foi decidido a construção do Centro de Convivência da FATA/LASAT no Km 9 da Transamazônica.
É o Jean que foi com o Almir presidente da FATA e o Alex Fiuza Pro-reitor de Extensão da UFPA ate a comunidade europeia em Bruxelles para apresentar com sucesso o orçamento e a planta dos prédios do CAT que foi inaugurado em Julho 1992.
A partir dai o Jean não “desgrudou” mais de Marabá: estava lá na fundação da Cooperativa Camponesa do Araguaia Tocantins-COOCAT em 1993, na criação da primeira Escola Família Agrícola em 1996, no primeiro Fórum da educação do Campo em 1997.
Passaram uma média de 1500 pessoas por ano na FATA; duvido que se esqueceram o Jean
O Jean foi o maior intelectual orgânico e o maior promotor de cidadania do campesinato da nossa região; marcou uma geração de sindicalistas e pesquisadores do campo; nos temos um padroeiro seguro e forte com toda sua tropa lá no Alto: não vamos deixar cair a peteca pois eles estão de olhos e zelando da gente!!!!

Emmanuel Wambergue - agrônomo e educador popular atuou na CPT, FATA/CAT, COPSERVIÇOS. Atualmente aposentado, mas continua na ativa através do NEDETER/UNIFESSPA, teve uma longa caminhada com Jean Hébette a serviço da classe camponesa.

Para complementar as informações sobre o Jean, segue em anexos  e texto.

Aqui dois links do Gutemberg e Lúcio Flávio Pinto.

https://lucioflaviopinto.wordpress.com/2016/11/12/jean-hebette-se-foi/

https://lucioflaviopinto.wordpress.com/2016/11/12/a-memoria-de-jean-hebette/

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Nota do SINASEFE

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Monitores voluntários de Marabá são formados para conduzirem visitações às unidades de conservação do Mosaico de Carajás




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Aconteceu entre os dias 4 e 7 de novembro, a terceira e última fase do curso de formação dos monitores voluntários que serão os responsáveis pelo acompanhamento de visitantes da região de Marabá às unidades de conservação da natureza do Mosaico de Carajás.
Fruto de parceria entre o ICMBio, NEAM (Núcleo de Educação Ambiental de Marabá) e UNIFESSPA (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará), a turma composta por 15 monitores, entre eles, estudantes universitários e técnicos, foram capacitados e estão aptos a conduzirem visitantes em todos os pontos turísticos e educacionais das Unidades de Conservação locais, com destaque para as Flonas (Floresta Nacional) de Carajás e Tapirapé-Aquiri, bem como a APA (Área de Proteção Ambiental) do Igarapé-Gelado.
Esse processo de formação contou com três fases, desde a teoria em sala até a prática em campo, onde os futuros monitores estiveram em contato com o ambiente de canga e demais particularidades locais (cavernas, trilhas e cachoeiras) da Flona de Carajás. A Flona do Tapirapé-Aquiri em Marabá que oferece diversos atrativos para a prática do ecoturismo e educação ambiental, também entrou na rota de opções a serem visitadas e os monitores puderam conhecer todos esses pontos para posteriormente os utilizarem em práticas de caráter ambiental, formando uma nova consciência naqueles que estiverem a ser conduzidos por eles, sejam crianças ou adultos.
O processo de formação e capacitação foi conduzido pelo professor José Pedro  de Azevedo Martins da UNIFESSPA e coordenador do NEAM, juntamente com o apoio da professora Maria Antonia Araújo da rede municipal de ensino de Marabá. O mesmo abordou aos monitores todos os aspectos técnicos que envolve o meio ambiente local, sua exploração mineral e a tentativa de conciliação com a conservação ambiental.


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Os monitores foram capacitados em visitas técnicas também realizadas à APA do Igarapé-Gelado, onde puderam conhecer a produção orgânica e sustentável das comunidades locais instaladas dentro da unidade de conservação, com destaque para os sistemas agroflorestais e o cultivo de hortas familiares, bem como a produção de açaí, cupuaçu, e demais espécies frutíferas em harmonia com a conservação do solo e dos recursos hídricos locais.
De acordo com o monitor voluntário e graduando de engenharia ambiental, José Fernandes de Oliveira, o curso de formação atendeu as suas expectativas quanto ao conteúdo, as experiências e aprendizagens construídas durante o curso. Segundo ele, tudo que foi assimilado durante todas as fases da formação poderá ser compartilhado aos visitantes, contribuindo com a disseminação da educação ambiental para toda a sociedade.
Dessa forma, após o término desta etapa, os monitores já estão aptos a receber visitantes de Marabá em caráter experimental com o acompanhamento de técnicos do ICMBio e dos professores responsáveis pelas turmas que serão recebidas, para em alguns meses, estarem totalmente responsáveis pela condução e formação de novos pensadores críticos ambientais, que é a principal função do programa, de formar pessoas e apresentar a todos a importância da preservação das unidades de conservação da natureza.

D. Sol